Futebol

Paulo André dá explicações sobre falta de contratações no Athletico e defende projeto

São Paulo , SP
18/02/2020 14:33:38

Em: Athletico-PR, Futebol, Notícias, Times
Paulo André se aposentou no Athletico em junho de 2019 para virar diretor de futebol (Foto: Miguel Locatelli/ Athletico Paranaense)

A maior reclamação do torcedor athleticano neste início de 2020 é sobre a falta de contratações. O Athletico vendeu quatro jogadores, além de não renovar com nenhum dos seis atletas emprestados ao Rubro-Negro. Diante da revolta, Paulo André, atual diretor de futebol do clube, veio a público dar explicações.

Através de sua conta oficial no Facebook, o ex-jogador externou seu pensamento sobre o momento que o Furacão está passando e valorizou o projeto que o time paranaense tem de aproveitar a base e não realizar contratações de alto custo. O texto publicado pelo dirigente foi colocado nas redes sociais do Athletico.

Em 2020, o Furacão fez quatro contratações, sendo apenas uma em definitivo, de Fernado Canesín. Marquinhos Gabriel, Carlos Eduardo e Jandrei foram os outros recém-chegados, que pertencem a outros clubes.

A principal alegação do torcedor rubro-negro é que com a receita da conquista da Copa do Brasil no ano passado, as vendas de Bruno Guimarães, por cerca de 20 milhões de euros, e Léo Pereira, por aproximadamente 7 milhões de euros, o time poderia se reforçar com nomes de peso para a disputa da Libertadores. Paulo André, contudo, fez questão de frisar que o clube não fará loucuras para trazer jogadores.

Depois de ser derrotado pelo Flamengo por 3 a 0 na disputa da Supercopa do Brasil, o Athletico Paranaense ainda terá as disputas do Campeonato Paranaense, Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro em 2020.

Confira na íntegra a carta aberta de Paulo André
“Quando aceitei o desafio de trabalhar nesta função no Athletico, eu sabia exatamente que o trabalho seria desenvolvido com jovens, com oportunidades de mercado e com a formação de novos talentos. Este é o projeto que eu aceitei, já conhecendo as dificuldades e as limitações.

O meu papel está muito claro para mim e a minha responsabilidade é fazer com que essa soma resulte mais uma vez em um time competitivo e que atinja os resultados esperados pela diretoria do clube. Minha função é executiva e trabalho para uma diretoria que define as diretrizes e as estratégias, sobretudo de negócios.

Acredito no projeto e no modelo de negócio do clube que é o que mais cresce na América do Sul nos últimos 25 anos. Esse é o modelo de gestão que deu certo e que eu acredito. Faz dois anos que participo da gestão do futebol do clube, olho para dentro e para fora o tempo todo para investigar se estamos no caminho certo e se há melhores práticas por aí. Neste período, montamos um time campeão, repleto de jovens e com altíssimo poder de revenda. E iniciaremos um novo ciclo porque a história nos mostra que muitos clubes e gestores já caíram na armadilha de, por causa da pressão externa ou da ansia de querer voltar a ganhar de qualquer forma, inflacionar a folha salarial e os custos fixos do clube com a falsa ideia de que pagar maiores salários e trazer jogadores renomados representará maior segurança ou chance de sucesso. Essa é a falácia do futebol, responsável por quebrar quase todos os clubes do país e tornar o futebol brasileiro um deserto de ideias e de visão de futuro.

É claro que eu entendo que muita gente ficaria feliz, no curto prazo, se tivéssemos gastado bastante dinheiro agora. Seria muito mais fácil apresentar 10 jogadores e sair nas fotos como se o trabalho estivesse bem feito. E no meio do ano tudo se repetiria e o clube arcaria com o ônus nos anos a seguirem. Mas estou disposto a pagar o preço para fazer o que entendo ser o melhor para o clube que é ter paciência para aguentar a pressão e não sair das diretrizes do projeto e do trabalho que deram certo até agora. O Athletico busca o sucesso desportivo e financeiro sustentável, de longo prazo. E foi por essa visão e clareza de princípios que aceitei o desafio de trabalhar aqui. Nós não traremos jogadores pagando 400, 500mil reais de salário apenas para nos protegermos da opinião de terceiros. Isso é de uma estupidez sem tamanho para o clube e para a continuidade do projeto.”