Global Athlete solicita extinção de regra que impede protestos nas Olimpíadas

São Paulo, SP

14-06-2020 20:33:54

Em meio à onda de protestos ao redor do mundo a favor da igualdade racial, após a morte do negro George Floyd por um policial branco, a postura adotada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) tem sido bastante criticada. Na última quarta, a organização anunciou que a Regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe qualquer forma de protesto durante os Jogos, seria mantida para as Olimpíadas de Tóquio.

Indignado com a postura da federação, o movimento internacional de atletas conhecido como "Global Athlete" emitiu uma carta em seu site oficial exigindo o fim desta norma, para garantir que todos tenham seu direito de liberdade de expressão.

"Os atletas tiveram que escolher entre competir em silêncio e defender o que é certo por muito tempo. É tempo de mudança. Todo atleta deve ter poderes para usar suas plataformas, gestos e voz. O silêncio da voz do atleta levou à opressão, o silêncio levou ao abuso e o silêncio levou à discriminação no esporte", diz a carta do movimento.

O comunicado ainda destaca que as regras do esporte não podem limitar o direito de liberdade de expressão presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Além disso, solicita o apoio de atletas e patrocinadores para que as mudanças exigidas sejam concretizadas.

"O COI e as próprias regras do IPC descritas na regra 50 da Carta Olímpica são uma clara violação dos direitos humanos de todos os atletas. O COI, como observador das Nações Unidas, deve ter um padrão mais alto. O COI e o IPC devem respeitar o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que declara: 'Todo mundo tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de manter opiniões sem interferência'. As regras esportivas não devem ter a capacidade de limitar esse direito", escreve o Global Athlete.

"Convocamos todos os atletas a continuarem juntos pela mudança. Convidamos todos os patrocinadores a exigir mudanças. Apelamos aos Comitês Olímpicos e Paralímpicos Nacionais e às Federações Internacionais para enfrentar as mudanças e exigi-las. Por fim, pedimos ao COI e ao IPC que ponham fim a essa hipocrisia, apoiem seus atletas e extingam a regra 50. Os atletas não serão mais silenciados", finaliza.

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