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ÍDOLOS DO PASSADO

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BOBBY CHARLTON

Um dos meio-campistas com mais classe da história de futebol, o ídolo do Manchester United sobreviveu de um acidente aéreo para dar o único título mundial inglês até hoje

Participações em Copas

1958, 1962, 1966 e 1970

CAFU

Jogador que mais vezes teve a honra de representar os brasileiros dentro de campo, o lateral ficará pra sempre em nossa memória como o capitão do pentacampeonato

Participações em Copas

1994, 1998, 2002 e 2006

DANIEL PASSARELLA

Capitão do primeiro título mundial da Argentina, principal goleador do país entre os zagueiros e ex-treinador da Seleção, Daniel Passarela está na história da Albiceleste

Participações em Copas

1978, 1982 e 1986

DIDI

Um dos maiores meio-campistas da história de nosso futebol, Didi foi bi-campeão mundial com a amarelinha e ficou marcado pelo seu forte chute "sem direção"

Participações em Copas

1954, 1958 e 1962

EUSÉBIO

Considerado por muitos o maior jogador português de todos os tempos, Eusébio foi o artilheiro da Copa de 1966 com 9 gols marcados

Participações em Copas

1966

FABIO CANNAVARO

Após ser gandula de uma Copa do Mundo, Fábio Cannavaro se viu levantando a taça de campeão mundial 16 anos depois

Participações em Copas

1998, 2002 e 2006

FRANZ BECKENBAUER

Um dos maiores defensores da história do futebol, Franz Beckenbauer conquistou uma Copa do Mundo pela Alemanha em 1974 e segue atuante no futebol até hoje

Participações em Copas

1966, 1970, 1974, 1986 e 1990

FRIAÇA

ícone do Vasco, Friaça foi o responsável pelo único gol brasileiro num dos dias mais tristes de nosso futebol

Participações em Copas

1950

FRITZ

Após defender a Alemanha na 2ª Guerra Mundial, Fritz representou os alemães também dentro de campo, na primeira conquista do país tetra-campeão mundial

Participações em Copas

1954 e 1958

GARRINCHA

É considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos e o mais célebre ponta-direita da história do futebol

Participações em Copas

1958, 1962 e 1966

GERD MULLER

Um dos maiores goleadores da história da Copa do Mundo, o alemão conquistou uma Eurocopa e um mundial pela Seleção Alemã além de ter feito história pelo Bayern de Munique

Participações em Copas

1970 e 1974

GHIGGIA

O lendário atacante uruguaio foi responsável por calar os mais de 200 mil torcedores que foram ao Maracanã naquele dia 16 de julho de 1950

Participações em Copas

1950

GIANLUIGI BUFFON

Considerado por muitos um dos melhores goleiros de todos os tempos, o goleiro participou de cinco Copas do Mundo pela Seleção Italiana

Participações em Copas

1998, 2002, 2006, 2010 e 2014

GIUSEPPE MEAZZA

Vencedor de duas Copas do Mundo, o galã e artilheiro italiano hoje dá nome ao estádio da Inter de Milão

Participações em Copas

1934 e 1938

GUILLERMO STÁBILE

Primeiro baixinho endiabrado da Argentina, Guillermo Stábile foi o artilheiro da primeira Copa do Mundo da história e conquistou seis Copa Américas como treinador da Albiceleste

Participações em Copas

1930 e 1958

JAIRZINHO

Mesmo em meio a um time repleto de estrelas, as maiores da história do futebol brasileiro, conquistou seu lugar no time titular e foi um dos principais nomes do país na Copa de 1970

Participações em Copas

1966, 1970 e 1974

JOHANN CRUYFF

Um dos grandes nomes da "Laranja Mecânica", escreveu seu nome na história do futebol a ainda se arriscou para além dos gramados, apostando na carreira de treinador

Participações em Copas

1974

JOSÉ PEDRO CEA

Remanescente do chamado futebol romântico, foi um dos grandes nomes do futebol uruguaio

Participações em Copas

1930

JUST FONTAINE

Natural do Marrocos, escreveu seu nome na história na Copa de 1958, na qual alcançou um recorde que até hoje não foi batido

Participações em Copas

1958

KAHN

Um dos goleiros mais completos do mundo, melhor jogador da Copa e segundo melhor do mundo no ano de 2002

Participações em Copas

1994, 1998, 2002 e 2006

KLOSE

Quatro participações e um título em Copas do Mundo, além de maior artilheiro da história dos Mundiais

Participações em Copas

2002, 2006, 2010 e 2014

LEÔNIDAS

Protagonista da Seleção e artilheiro da Copa de 1938, quando o Brasil começou a trilhar seu caminho rumo ao pentacampeonato mundial

Participações em Copas

1934 e 1938

LOTHAR MATTHÄUS

Com cinco Copas do Mundo no currículo, foi protagonista e escreveu seu nome na história do futebol alemão e mundial

Participações em Copas

1982, 1986, 1990, 1994 e 1998

MARADONA

Autor de um dos gols mais bonitos da história das Copas, campeão mundial, ídolo da Argentina e um dos maiores craques de todos os tempos

Participações em Copas

1982, 1986, 1990 e 1994

OLDRICH NEJEDLY

Liderou a campanha do vice campeonato da Tchecoslováquia na Copa de 1934, marcando para sempre seu nome na história do futebol do país

Participações em Copas

1934 e 1938

PAOLO ROSSI

Do envolvimento em um escândalo de manipulação de resultados à consagração no futebol mundial

Participações em Copas

1978, 1982 e 1986

PELÉ

Craque da Seleção Brasileira de 1970, uma das melhores equipes de todos os tempos, e o melhor jogador da história do futebol

Participações em Copas

1958, 1962, 1966 e 1970

PLATINI

Ídolo francês, campeão europeu, ex-presidente da Uefa e banido do futebol

Participações em Copas

1978, 1982 e 1986

PREGUINHO

Primeiro brasileiro a marcar um gol e ser artilheiro em Copas do Mundo

Participações em Copas

1930

PUSKAS

Liderou a Hungria ao vice-campeonato mundial na Copa do Mundo de 1954

Participações em Copas

1954 e 1962

RENSENBRINK

Um dos símbolos da geração holandesa do "Futebol Total", Pieter Robert Rensenbrink marcou seis gols em Copas do Mundo.

Participações em Copas

1974 e 1978

RICARDO ZAMORA

Nascido em Barcelona, mas com carreira construída no Real Madrid, Ricardo Zamora ficou conhecido como "El Divino".

Participações em Copas

1934

RIVALDO

Um dos pilares da Seleção Brasileira na Copa de 2002, Rivaldo foi fundamental para a conquista do pentacampeonato.

Participações em Copas

1998 e 2002

RIVELLINO

Inventor do "elástico", foi um dos principais jogadores na conquista do Tri da Seleção Brasileira na Copa de 1970.

Participações em Copas

1970, 1974 e 1978

ROGER MILLA

Um dos jogadores africanos mais famosos da história, Roger Milla se destacou na Copa de 1994, com 42 anos de idade.

Participações em Copas

1982, 1990 e 1994

ROMÁRIO

Principal nome do tetra do Brasil em 1994, o "baixinho" Romário sempre se mostrou um gigante com a bola nos pés.

Participações em Copas

1990 e 1994

RONALDINHO GAÚCHO

Com um auge espetacular, Ronaldinho Gaúcho chegou a ser colocado no hall dos melhores jogadores da história do futebol.

Participações em Copas

2002 e 2006

RONALDO

Com dois títulos de Copa no currículo, o "fenômeno" Ronaldo é considerado por muitos o maior centroavante da história.

Participações em Copas

1994, 1998, 2002 e 2006

SALVATORE SCHILLACI

Mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa, Salvatore Schillaci, o Totó, escreveu seu nome na história da Seleção Italiana.

Participações em Copas

1990

SILVIO PIOLA

Com mais de 400 gols anotados, Piola teve uma carreira promissora atrapalhada por conta da Segunda Guerra Mundial.

Participações em Copas

1938

SÓCRATES

Craque dentro dos gramados, o ídolo corinthiano foi importantíssimo na política brasileira, além de estar marcado na história de nossa Seleção como um dos meio campistas da Seleção de 82

Participações em Copas

1982 e 1986

TAFFAREL

Tetra com o Brasil em 1994 e especialista em defender pênaltis, Taffarel é preparador de goleiros da Seleção até hoje.

Participações em Copas

1190, 1994 e 1998

VAVÁ

Conhecido como "Peito de Aço", Vavá tem seu nome na galeria dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro.

Participações em Copas

1958 e 1962

ZAGALLO

Participante de sete Copas em diferentes funções, Zagallo é um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro.

Participações em Copas

1958, 1962, 1970, 1974, 1998, 1994 e 2006

ZICO

Um dos maiores ídolos do Flamengo, Zico nunca chegou a ganhar uma Copa, mas marcou seu nome na história do futebol.

Participações em Copas

1978, 1982 e 1986

ZIDANE

Um dos maiores jogadores da história da França, Zinedine Zidane é conhecido também por ser um grande carrasco do Brasil.

Participações em Copas

1998, 2002 e 2006
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ÍDOLOS DA COPA

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Sobrevivente de um acidente aéreo, Bobby Charlton deu o único título mundial inglês

Em fevereiro de 1958, após a partida de volta pelas quartas de finais da Liga dos Campeões da Europa contra o Estrela Vermelha, em Belgrado, o elenco do Manchester United voltava para a Inglaterra com o objetivo de comemorar a classificação às semifinais. No entanto, falhas nos motores do avião causaram um grave acidente, que matou oito jogadores daquela brilhante equipe. Entre os sobreviventes estava um promissor Robert Charlton, habilidoso atacante e futura estrela da seleção.

 

O Renascimento

 

Depois de três meses, em uma surpreendente recuperação, "Bobby", como era apelidado, retornou ao Manchester United e conquistou um lugar na seleção inglesa que disputou as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958. Mas a principal missão da estrela solitária ainda estava por vir: a reconstrução do gigante Manchester United. A primeira grande conquista do time de Old Trafford, que ganhou a alcunha de Teatro dos Sonhos pelo jogador, ocorreu em 1963, quando os Diabos Vermelhos reencontraram a glória na Copa da Inglaterra.

De novo no cenário inglês, Manchester United e Bobby Charlton por pouco não venceram a Liga dos Campeões da Europa em 1966. Em uma equipe que contava com o escocês Denis Law e o norte-irlandês George Best, que formaram a Santíssima Trindade com o craque inglês, os Diabos Vermelhos pararam nas semifinais, eliminados pelo Benfica de Eusébio. Mas, para felicidade dos ingleses, a revanche viria meses depois.

 

Inventores do futebol conquistam o mundo 

 

Principal nome da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966, Bobby Charlton convivia com a pressão de conquistar o maior torneio futebolístico do planeta à frente da sua torcida. Depois de seguidos fracassos, o English Team apostava no torneio para finalmente levantar o troféu. Mas, logo na estreia, um tropeço: empate sem gols diante do Uruguai, campeão em 1930 e 1950.

Na segunda partida, a Inglaterra passou pelo México com tranquilidade, muito em parte pelo talento de Bobby. Autor do gol que abriu o placar da vitória por 2 a 0, o craque do Manchester United reacendeu a confiança do povo inglês sobre sua seleção no torneio. Assim, os donos da casa repetiram o placar diante da França, rival histórica, e terminaram na primeira colocação da chave 1.

A grande partida de Charlton viria nas semifinais diante de Portugal. Após vitória sobre a Argentina por 1 a 0 nas quartas, a Inglaterra enfrentava o temido time luso. Ainda convivendo com as lembranças da eliminação na Copa dos Campeões para o Benfica de Eusébio, o atacante inglês chamou a responsabilidade e conquistou a revanche ao marcar dois gols, que sacramentaram o triunfo por 2 a 1 e colocaram a equipe da casa na decisão.

Estádio de Wembley lotado. Torcida confiante no título. O clima era totalmente favorável aos ingleses naquele 30 de julho de 1966. Em uma partida cercada de polêmicas e emoção, o English Team derrotou a Alemanha Ocidental pelo placar de 4 a 2, após a prorrogação, e finalmente conquistou o mundo. Na final, Charlton acabou ofuscado por Geoff Hurst, autor de três gols, inclusive os dois do tempo-extra. Mas as exibições de Bobby não foram esquecidas e, no final do ano, o jogador acabou agraciado com a Bola de Ouro da revista France Football, prêmio direcionado para o melhor jogador europeu.

 

Glória europeia e título real

 

Um dos protagonistas do título da Copa do Mundo de 1966, Bobby Charlton conquistou, enfim, a Liga dos Campeões em 1968, quando o Manchester United encontrou novamente o algoz Benfica na final. Diferentemente do fracasso de 1966, às vésperas do Mundial, os Diabos Vermelhos superaram os portugueses e venceram o troféu mais cobiçado da Europa após uma convincente vitória por 4 a 1. 'Vingado' pela segunda vez, o atacante anotou dois gols na partida decisiva. Até os dias atuais, Sir Charlton ostenta a artilharia do clube com 249 gols.

Embora eliminado na Copa de 1970 com o English Team, o já experiente atleta entrou na fase de abandonar os gramados, encerrando sua trajetória pelo time nacional com 49 tentos assinalados, marca superada somente por Wayne Rooney, que possui 53. Após deixar o Manchester em 1973 e iniciar a carreira de jogador-técnico no modesto Preston, da segunda divisão, o protagonista do Mundial de 1966 terminou a temporada de 1974 com um prêmio notável dentro da Grã-Bretanha.

Pelos serviços prestados ao Manchester United e, principalmente, à seleção inglesa, a Rainha Elizabeth II, em 1974, condecorou Bobby Charlton com o título de Sir, honraria que o tornou parte da Ordem do Império Britânico. A honraria tornou-se ainda maior 20 anos depois, quando a Família Real ordenou o ex-jogador como Cavaleiro.

*Narração: Michelle Giannella. Edição de áudio: Bruna Matos.

ÍDOLOS DA COPA

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Cafu, o capitão do nosso penta

Ele eternizou a mensagem "100% Jardim Irene". Com esta frase estampada no peito da camisa amarela da Seleção Brasileira, Marcos Evangelista de Moraes, o Cafu, entrou de uma vez por todas para a história do futebol, erguendo o quinto título mundial da equipe mais vitoriosa em Copas do Mundo. O lateral direito é o recordista de jogos pelo escrete nacional, com 148 partidas disputadas. O início da carreira, entretanto, nada tem a ver com as muitas glórias acumuladas por Cafu durantes anos e anos de futebol.

 

Perseverar até o fim

 

Atuando pelo Itaquaquecetuba, da terceira divisão paulista, seria descoberto pelo técnico Cilinho, no ano de 1987. Por ele, Cafu foi levado ao São Paulo, mas chegou a ser reprovado quatro vezes. Outros grandes clubes, como Corinthians, Nacional, Portuguesa e Atlético Mineiro também não lhe deram oportunidade. Persistente, acabou como comandado de Telê Santana no São Paulo, em 1989.

Desde o início de seu período como jogador do Tricolor, que se estenderia até 1994, Cafu destacou-se pelo fôlego e pela velocidade invejáveis. Além disso, mostrou-se um atleta polivalente: foi improvisado como lateral esquerdo, volante, meia e até mesmo atacante.

O jogador foi reprovado em oito peneiras consecutivas.

A boa fase no Morumbi, onde foi bicampeão da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes, rendeu-lhe uma vaga entre os selecionados de Carlos Alberto Parreira para disputar a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, pelo Brasil. Apesar de ser reserva de Jorginho, jogou a decisão contra a Itália, após a contusão do companheiro de equipe aos 22 minutos de jogo, e foi um dos melhores em campo.

Sua primeira passagem no futebol internacional foi rápida. Em 1995, transferiu-se para o Real Zaragoza, mas ficou por poucos meses. Acabou negociado com o Palmeiras, fazendo parte da memorável campanha no Paulistão de 1996, que acabou com título alviverde. No ano seguinte, porém, voltaria ao exterior. E, desta vez, para ficar.

 

Época de Ouro

 

Contratado pela Roma, Cafu iniciou uma das melhores fases de sua carreira. Ganhou o apelido de "Trem Expresso", nome usado pela torcida local em alusão à sua agilidade.

O período marcaria a consolidação do lateral como titular absoluto da Seleção Brasileira. A começar pelos títulos da Copa América em 1997 e 1999. Na Copa do Mundo da França, em 1998, foi contestado por parte da torcida brasileira, mas mais uma vez perseverou e provou que era o nome mais adequado para o posto. Ainda como jogador da Roma, ele disputou o torneio que o colocaria no 'hall da fama' brasileiro ao lado de outros quatro privilegiados: Bellini, Mauro, Carlos Alberto Torres e Dunga, os capitães da seleção canarinho, campeã em 1958, 1962, 1970 e 1994, respectivamente.

 

Regina, eu te amo!

 

Ao erguer a taça do Mundial de 2002, no dia 30 de junho, gritou em homenagem à sua esposa: "Regina, eu te amo!". Na camisa, a frase '100% Jardim Irene' mostrava que Cafu, mesmo no posto mais alto do futebol mundial, não esquecera suas origens humildes na periferia da zona sul paulistana. No embalo do título, o lateral foi transferido para o Milan.

No clube rossonero, acumulou glórias e boas atuações, sendo peça-chave de conquistas como o Campeonato Italiano de 2004 e a Liga dos Campeões de 2007, sobre o Liverpool. Não jogou a Copa América de 2004 pelo Brasil, mas disputou sua quarta Copa do Mundo dois anos depois, aos 36 anos de idade. Sua última partida pelo Milan foi contra a Udinese, em 2008. E não poderia ser diferente: goleada por 4 a 1, com o último gol marcado por Cafu.

*Narração: Michelle Giannella. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Daniel Passarella, o capitão do primeiro titulo da Albiceleste

Daniel Alberto Passarella nasceu no dia 25 de maio de 1953 em Chacabuco, na Argentina. Começou sua carreira no Sarmiento e se transferiu na temporada 1973/1974 para o River Plate, clube em que se tornou ídolo e, posteriormente, presidente. Sua passagem pelos Millonarios durou até 1981, quando foi buscar novos ares no futebol europeu e desembarcou na Fiorentina, permanecendo por cinco temporadas. Por dois anos, entre 1986 e 1988, o defensor jogaria na Internazionale de Milão, antes de retornar para o seu país natal e encerrar a carreira no River Plate aos 36 anos.

Zagueiro, o jogador foi o camisa 6 da Argentina, treinada por César Luis Menotti, na Copa do Mundo de 1978, que foi disputada em seu país. Com apenas 25 anos, o atleta participou de todos os sete jogos da equipe (marcou apenas um gol) e foi o capitão do time no primeiro título da Albiceleste. O principal destaque foi o atacante Mario Kempes (artilheiro do torneio com seis gols).

Em 1982, na Copa do Mundo da Espanha, Passarella vestiu a camisa 15 e foi um dos poucos destaques de seu time, que, apesar de ter Maradona e Kempes, não conseguiu passar da segunda fase e foi eliminado junto com o Brasil em um grupo em que a Itália (campeã) avançou como líder. Apesar do desempenho mediano, o capitão do título foi poupado pelos torcedores após marcar dois gols no Mundial.Como jogador, Passarella notabilizou-se por sua habilidade ofensiva. Até hoje é o defensor com mais gols do país, tendo anotado em toda a sua carreira 159 vezes.

Rixa com Maradona

Na Copa do Mundo de 1986, a última de Passarella como jogador, uma situação inusitada. Apesar de o zagueiro estar em boa forma para disputar a competição, foi barrado pelo técnico Carlos Bilardo em virtude de uma rixa com Diego Maradona, astro da equipe.

O zagueiro e El Pibe ficaram 24 anos sem conversar e reataram apenas em 2010, quando, já presidente do River Plate, Daniel Passarella recebeu uma ligação de Maradona, então técnico da seleção argentina, oferecendo apoio para recuperar o meia Ariel Ortega do alcoolismo.

Carreira como treinador

 

Após três Copas e dois títulos, o ex-capitão da Argentina deixou o futebol e iniciou a carreira de treinador no próprio River Plate, clube que o projetou como atleta. Se a história do primeiro capitão campeão com a Argentina em Mundiais havia se encerrado dentro de campo, ele voltaria na função de treinador a comandar os hermanos.

Isto ocorreu na Copa do Mundo da França em 1998. Exigente, o treinador não gostava de jogadores com cabelos compridos, como o ídolo e artilheiro Gabriel Batistuta. Porém, montou um time competitivo (que contava com Ayala, Crespo, Zanetti, Ortega, Gallardo, Simeone e o ótimo meia Verón) que passou a primeira fase em primeiro lugar no grupo H, que contava com Croácia, Jamaica e Japão. Nas oitavas de final passou pela Inglaterra de Beckham e Owen nos pênaltis, mas a equipe caiu contra a Holanda, de Kluivert e Bergkamp, nas quartas (derrota por 2 a 1).

Para a Copa do Mundo de 2002, Passarella comandou o Uruguai nas Eliminatórias, mas foi substituído por Victor Pua no Mundial cuja sede foi dividida entre Coreia do Sul e Japão. Mais tarde, chegou a dirigir o Corinthians por poucos meses, em 2005. Já em 2009, foi eleito presidente do River, estando no comando do clube no inédito rebaixamento ao término da temporada 2010/2011.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Didi, o Príncipe Etíope criador da Folha Seca

Quem nunca ouviu falar da Folha Seca? Sim, aquele chute praticamente indefensável, que assombrou os goleiros de todo o planeta durante a década de 1950. Um arremate diferente, em que o atacante acertava o meio da bola para obter um efeito, ludibriando todos os guarda-metas. Mas, antes de tornar-se o inventor desta habilidade, Valdir Pereira, conhecido dentro das quatro linhas como Didi, sofreu um drama.

 

O drama

 

Depois de iniciar sua trajetória no futebol no ano de 1943, quando defendeu o São Cristóvão, Didi passou rapidamente por clubes como Industrial, Rio Branco, Goytacaz e Americano. Aos 14 de idade, época em que já demonstrava ser diferenciado com a bola nos pés, o jogador sofreu uma infecção grave no joelho direito, decorrente de uma lesão sofrida em uma simples e infantil 'pelada'. No entanto, o destino, que por pouco não deixou o garoto em uma cadeira de rodas - drama que se limitou a apenas alguns meses -, e com risco de ter a perna amputada, reverteu-se e transformou o simples Valdir Pereira em um dos maiores nomes da história do futebol neste País.

 

Jogador Profissional

 

Após o drama pessoal, Didi tornou-se jogador profissional no ano de 1945, no próprio Americano de Campos, com apenas 16 anos de idade. O meio-campista também colecionou passagens por Lençoense e Madureira, até decolar na sua carreira profissional com a camisa do Fluminense. Nas Laranjeiras, onde permaneceu por dez anos, entrou para a história do futebol nacional em 17 de junho de 1950 ao marcar o primeiro gol do estádio Mário Filho, o Maracanã, no amistoso entre os selecionados Carioca e Paulista.

Príncipe Etíope

 

Com a fama repentina, Didi chamou a atenção de um ilustríssimo torcedor do Tricolor: Nelson Rodrigues. Por apresentar um estilo elegante de atuar, o Anjo Pornográfico chamou o meio-campista de Príncipe Etíope. A alcunha do jornalista e, principalmente seu modo de jogo, o fez ídolo do Fluminense. No clube, o atleta novamente superou uma enfermidade para marcar época.

Mas, para infelicidade de Nelson Rodrigues, foi em um rival que o inventor da Folha Seca tornou-se um dos maiores atletas brasileiros. A partir de 1956, o já craque passou a defender o Botafogo. Em General Severiano, Didi disputou 313 partidas e marcou 113 gols, ganhando o respeito e a idolatria de outra grande torcida do Rio de Janeiro.

Atitude que mudou a final em Estocolmo - Conhecido e visto como um dos maiores nomes do futebol brasileiro da década de 1950, depois do fracasso no Maracanã diante do Uruguai, Didi ganhou sua primeira chance com a 'amarelinha' no Pan-americano de 1954. A participação no torneio o convocou para a Copa do Mundo de 1954. No entanto, o Brasil não conseguiu superar o drama do Maracanazo e acabou eliminado.

 

Serenidade e elegância em campo

 

Sempre sereno e elegante no gramado, Didi teve novamente a oportunidade de disputar um Mundial em 1958. Na Suécia, o meio-campista 'divulgou' a Folha Seca para os europeus. Depois de exibir-se de uma forma monumental no torneio ao lado de um jovem Pelé, além de Zagallo e Garrincha, o Príncipe Etíope tomou uma atitude que mudou a decisão do torneio.

Ao enfrentar a equipe anfitriã e levar o primeiro gol logo no início do duelo, Didi pegou a bola no fundo das redes e caminhou calmamente até o centro do gramado com ela na sua mão esquerda para reiniciar o jogo.

A atitude refletia a confiança daquele time de espantar o complexo do fracasso para, enfim, trazer a taça do mundo para o Brasil. Em uma partida magnífica da Seleção, a equipe goleou os donos da casa por 5 a 2 e carimbou o nome do País entre os vencedores do maior torneio de futebol do planeta.

Quatro anos mais tarde, o meio-campista viajou ao Chile e marcou de vez seu nome na história do futebol brasileiro. Parte de uma equipe liderada pela genialidade de Garrincha, já que Pelé acabou se contundindo contra a Tchecoslováquia, Didi conquistou o bicampeonato mundial. O segundo troféu de Copa marcou o último grande triunfo do jogador pela Seleção. A saída do time verde-amarelo ocorreu no próprio ano de 1962.

 

Passagem frustrada por Madri e aposentadoria no Morumbi

 

A grande atuação na Copa do Mundo de 1958 rendeu a contratação de Didi pelo gigante espanhol Real Madrid. No entanto, na equipe formada por estrelas como Di Stéfano e Puskas, o brasileiro não conseguiu adaptar-se e passou apenas uma temporada desfilando seu talento na Espanha. Único jogador negro no time, o inventor da Folha Seca acabou boicotado pelos companheiros e retornou ao seu querido Botafogo.

Fora do território brasileiro, o jogador também atuou pelo Sporting Cristal, do Peru, e o Vera Cruz, do México. Depois da passagem pelo futebol mexicano, Didi retornou ao seu País natal para jogar no São Paulo, em 1966. Após pouco aparecer no Morumbi, o jogador frustrou-se com o fracasso na conquista de títulos e abandonou os gramados para tornar-se treinador de futebol.

Grande inovador dentro do futebol e um dos maiores talentos que o mundo do futebol já viu, Didi morreu no dia 12 de maio de 2001, com 72 anos de idade, no Rio de Janeiro, terra em que virou Príncipe.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Eusébio, um dos maiores da história

Grande nação colonizadora nos séculos XV e XVI, Portugal parou para admirar um jogador de futebol pela primeira vez na década de 1960, e justamente um atleta originado em uma de suas colônias. Nascido em Lourenço Marques, atual Maputo, em Moçambique, Eusébio da Silva Ferreira é um dos maiores jogadores lusitanos da história. Negro, esguio e forte, o atacante fez história com a camisa do Benfica e, principalmente, com a camisa nacional na Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra.

Eusébio chegou a Lisboa no ano de 1960, mas estreou pelos Encarnados apenas no ano seguinte. Na sua estreia, o atacante deu uma mostra do grande jogador que se tornaria e marcou três gols no triunfo por 4 a 2 sobre o Atlético. Dono de um futebol veloz e elegante ao mesmo tempo, o moçambicano foi apelidado pela imprensa local como Pantera Negra. Pelo Benfica, o craque atuou em 715 partidas e anotou impressionantes 727 gols.

 

Enfrentando Pelé

 

Durante sua trajetória pelo clube, Eusébio colecionou títulos europeus e confrontos históricos. Bicampeão europeu em 1961 e 1962, o português encarou frente a frente o Rei do Futebol. Na decisão do Mundial Interclubes, em que as Águias classificaram-se ao levantar a segunda taça no Velho Continente, Eusébio enfrentou Pelé, mas sucumbiu nas duas partidas. Vitórias do Peixe por 3 a 2, no Maracanã, e por 5 a 2, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa.

Mas o legado do jogador está presente até os dias de hoje no futebol europeu. Eusébio é até hoje o maior artilheiro da história do Campeonato Português (319 gols) e da Copa de Portugal (97).

 

Copa 1966

 

Comandado por brasileiro, Pantera Negra consegue a 'vingança' sobre Pelé

A habilidade e a destreza com a bola nos pés chamaram a atenção do brasileiro Otto Glória, técnico da seleção portuguesa na Copa do Mundo de 1966. Principal nome de uma grande equipe, Eusébio teve a primeira oportunidade de apagar a derrota para o Santos dentro de casa logo na fase inicial daquele mundial. Além do time 'canarinho', os lusos necessitavam passar pela tradicional Hungria e pela Bulgária para avançar na Inglaterra.

Depois de bater os húngaros por 3 a 1 e os búlgaros por 3 a 0, com um gol de Eusébio, Portugal teve pela frente o atual bicampeão mundial e principal favorito ao título do Mundial, o Brasil. Apresentando um futebol viril e classificado pelos brasileiros como violento, em decorrência da lesão de Pelé ainda no primeiro tempo, após duas entradas duras do zagueiro Morais, o país europeu superou a equipe verde-amarela por 3 a 1, mesmo com a presença do Rei do Futebol em campo na segunda etapa. O triunfo ocorreu, muito em parte, por conta da grande exibição do Pantera Negra, autor de dois tentos.

No entanto, a grande atuação do jogador do Benfica naquela Copa do Mundo ainda viria nas quartas de final. Diante da desconhecida Coreia do Norte, que eliminara a Itália na primeira fase, Portugal teve grande dificuldade no início da partida e saiu atrás do marcador. A impressionante atuação dos asiáticos rendeu uma desvantagem de três gols para os lusos. Contudo, os portugueses tinham Eusébio. Autor de quatro gols, o atacante comandou a reação e a vitória por 5 a 3, que garantiu nas semi os 'heróis do mar', como diz o hino do país'.

Na briga por um lugar à final, contudo, estava a dona da casa Inglaterra. Pressionado pela torcida que lotou o estádio de Wembley, Portugal fracassou e acabou eliminado da disputa pela tão sonhada taça de campeão mundial. A derrota por 2 a 1 acabou amenizando o gol de Eusébio nos minutos finais de partida.

Apesar da derrota sofrida, Eusébio comandou a melhor participação portuguesa na história dos mundiais diante da União Soviética. De pênalti, o craque abriu a vitória por 2 a 1, que deixou os lusitanos na terceira colocação daquele torneio, colocando a pequena nação europeia no mapa do futebol mundial. A idolatria pelo ex-atacante resultou em uma comoção em Portugal no dia 5 de janeiro de 2014, quando Eusébio morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Fábio Cannavaro, de gandula a capitão da Azzurra

Fabio Cannavaro tem uma história, no mínimo, curiosa. Amante de futebol desde quando era muito novo, o ex-capitão da seleção italiana nasceu em 1973 e participou da Copa do Mundo de 1990, mas não como jogador. Aproveitando o fato de o Mundial ter sido sediado em sua terra natal, ele trabalhou como gandula da competição. Mal sabia o que o destino lhe reservava exatos 16 anos depois, na Alemanha.

 

Fã de Maradona

 

Fã incondicional do ídolo argentino Diego Armando Maradona, Cannavaro assistiu à seleção argentina eliminar a Itália da Copa de 1990. A identificação com o 'Pibe D'Oro' veio no clube em que iniciou sua carreira, o Napoli. Quando o zagueiro estava nas categorias de base, Maradona já havia se tornado um dos maiores ícones da história do time da região sul do país.

Histórias contam que, certa vez, em um treino do Napoli, Cannavaro atuou na equipe adversária do argentino. Empolgado com a oportunidade, o então jovem zagueiro teria dado uma entrada dura em Maradona. Apesar dos protestos de um dirigente do clube, irritado com a atitude inconsequente do defensor, o craque teria apenas rido e sentenciado: "Tem que ser assim. Isso significa que ele está no caminho certo".

Cannavaro permaneceu no Napoli até o ano de 1995, quando se transferiu para o Parma. Lá, ele conheceria um de seus melhores amigos no mundo do futebol, o goleiro Gianluigi Buffon. Além disso, ganharia seus primeiros títulos como jogador profissional: a Copa da Itália das temporadas 1998/99 e 2001/02, a Supercopa da Itália de 1999 e seu único troféu em um campeonato europeu de clubes: a Copa da Uefa de 1999, vencida sobre os franceses do Olympique de Marselha, em Moscou.

Líder por instinto, Cannavaro permaneceu durante um bom período como capitão do Parma. Alvo preferido do público feminino, passou a ganhar notoriedade não somente pelo futebol sério e eficiente, mas como ícone de fã-clubes do mulheril italiano. A consagração fez com que fosse contratado pela Internazionale de Milão no ano de 2002. A passagem pelo clube, entretanto, não traz lembranças tão marcantes quanto o período no Parma.

 

Fazendo história

 

Apesar das poucas atuações na Inter, foi contratado pela Juventus em 2004. A performance vestindo a camisa da Velha Senhora o credenciaria, dois anos depois, a ser convocado para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, onde chegou ao ápice de sua carreira e entrou, definitivamente, não só para a história de seu país, mas também para a do futebol mundial. Cannavaro foi o capitão da Azzurra que conquistou pela quarta vez o título de campeão do mundo, após 24 anos de jejum.

Contradizendo o velho mito de que 'zagueiro bom é zagueiro alto', as atuações memoráveis deste craque de modestos 1,75m pelo seu país em terras alemãs o credenciaram para ser eleito pela Fifa, em dezembro de 2006, como o melhor jogador do mundo em atividade. O italiano foi o primeiro (e até hoje único) zagueiro da história a vencer o prêmio.

 

Transferência para o Real Madrid

 

A badalação e a construção dessa positiva imagem fizeram com que Cannavaro se transferisse para o milionário Real Madrid, sendo campeão espanhol nas temporadas 2006/07 e 2007/08, além da conquista da Supercopa da Espanha de 2008.

Em 2009, entrou em fase de declínio e acabou ofuscado pelas contratações do clube merengue para sua posição de origem. O descontentamento em Madri fez com que voltasse ao clube em que a ascendência meteórica de sua carreira havia se iniciado: a Juventus de Turim. Com 35 anos quando retornou, não apresentava mais o mesmo futebol de temporadas atrás e envolveu-se, inclusive, em um episódio de doping. Antes da aposentadoria, passou ainda por Al-Ahli e New York Cosmos.

*Narração: Michelle Giannella. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Franz Beckenbauer, o maior líbero da história do futebol mundial

No começo da década de 60, um jovem e talentoso meio-campista do Munique 1860 abandonou a equipe por ter sido agredido por um jogador do time profissional, antes de se profissionalizar. Alguns anos depois este mesmo jovem comandou a equipe do Bayern, maior rival do Munique 1860, em quatro conquistas nacionais e se transformou no maior jogador da história do futebol alemão. O seu nome: Franz Beckenbauer.

Com um estilo inconfundível dentro de campo, misturando habilidade e elegância, Beckenbauer começou a jogar um pouco mais recuado a partir do início da década de 70. Assim, tornou-se o maior líbero da história do futebol mundial. A inteligência com que atuava e a liderança demonstrada nos gramados chamaram a atenção da imprensa, que o apelidou de Kaiser (Imperador, em alemão) para ser reverenciado pelo mundo da bola.

No final da carreira foi aos EUA ensinar os truques da bola. Jogou no Cosmos, de Nova York, junto com outros grandes nomes, como Pelé. Mesmo depois de ter pendurado as chuteiras continua a trabalhar com futebol. Quando foi escolhido para dirigir a seleção alemã, sofreu grande pressão da imprensa, que questionava se uma pessoa sem diploma de treinador poderia dirigir a seleção. O Kaiser suportou tudo isso da mesma forma como atuava em campo: com segurança. O resultado foi a conquista da Copa do Mundo de 1990.

O símbolo da nova Alemanha

 

Em setembro de 1945, a Alemanha vivia um momento de reconstrução. Muitas cidades estavam destruídas pela Segunda Guerra, o que abriu uma grande ferida na alma do povo alemão, humilhado pela derrota. O país queria apagar a imagem trágica de morte e destruição. Os Germânicos precisavam de um ídolo que os representasse.

Beckenbauer representou como ninguém a geração alemã do pós-guerra. Determinado e competente, transformou o Bayern de Munique, então uma equipe com pouca tradição, inclusive na Alemanha, numa máquina de conquistar títulos. Foram quatro conquistas nacionais, quatro Copas da Alemanha e o histórico tricampeonato europeu.

O reconhecimento pelo trabalho aconteceu em 1972, quando o Kaiser recebeu a Bola de Ouro como o melhor jogador da Europa. Dois anos depois, Beckenbauer foi campeão mundial de clubes com o Bayern, na final contra o Cruzeiro.

Beckenbauer jogou nos Bávaros até 1977, quando se transferiu para o NY Cosmos. Em quatro anos de EUA, o Kaiser faturou três títulos nacionais. Afinal, um time com Beckenbauer, Pelé, Carlos Alberto Torres e outras estrelas mundiais era praticamente imbatível.

Em 1982, a saudade de casa apertou e Beckenbauer voltou para a Alemanha. Contratado pelo Hamburgo, jogou poucas partidas, pois passou a maior parte do campeonato machucado. Mesmo assim ajudou a equipe faturar o título daquele ano.

 

Imperador das Copas

 

A imagem de Beckenbauer jogando grande parte da semifinal da Copa do México, em 1970, com o ombro fraturado e imobilizado, por muitos anos foi o retrato da dedicação do craque pela seleção e pelo esporte.

A partida é considerada a mais emocionante da história das Copas. Disputada no Estádio Azteca em 17 de junho, diante de mais de 80 mil pessoas, definiria o adversário da Seleção Brasileira na final do Mundial. Os italianos levaram a melhor.

A primeira participação foi em 1966, na Inglaterra, quando a seleção local venceu por 4 a 2 em uma final até hoje contestada. Beckenbauer, então com 21 anos, marcou quatro gols e foi o vice artilheiro da Alemanha na competição. Só contra a Suíça, na estreia do Mundial, foram dois gols. Os outros foram marcados contra o Uruguai, nas quartas-de-final, e contra a União Soviética, na semifinal.

O sucesso veio em 1974. Jogando em casa, a Alemanha tinha a obrigação de vencer. No caminho, porém, estava uma das maiores seleções de todos os tempos: a Holanda de Cruyff, apelidada de Laranja Mecânica. Junto com Berti Vogts, o Kaiser conseguiu parar um dos mais rápidos ataques da história e ajudou a equipe a levantar o seu segundo título mundial. A despedida aconteceu 12 anos depois, numa partida contra a França. No total, foram 103 partidas com o uniforme da Alemanha, a maioria como capitão e 14 gols.

 

Um técnico de classe

 

Beckenbauer enfrentou um grave problema ao assumir o comando da seleção da Alemanha em 1º de agosto de 1984, substituindo Jupp Derwall. Amante do futebol solto e técnico, convocou jogadores que estavam na "lista negra" da Federação Alemã e foi criticado por não ter diploma, algo inconcebível no país na época.

O tempo provou que o Kaiser estava certo, mas antes ele passou por maus momentos. Em 1985, por exemplo, quase perdeu o cargo, quando a Alemanha foi derrotada por três partidas consecutivas.

A classificação para o Mundial do México preservou o cargo de Beckenbauer. A pressão aumentou, mas o Kaiser manteve a classe - e deu a resposta dentro do campo, levando a Alemanha a duas finais consecutivas de Copa do Mundo.

Após a conquista do Mundial, Beckenbauer deixou a seleção, dizendo estar cansado. Mas a carreira de técnico continuou. Dirigiu por algum tempo o Olympique de Marselha e comandou o Bayern interinamente na final da Copa da Uefa de 1996, contra o Bordeaux. Para variar, conquistou o título.

 

Futebol na veia

 

Beckenbauer nunca se afastou do futebol. Quando não estava jogando ou dirigindo uma equipe, o Kaiser tratou de ficar sempre perto do esporte. No começo da década de 80, logo após abandonar o futebol, Beckenbauer conseguiu uma coluna no jornal Blind. A presença dele como comentarista elevou as vendas do jornal de uma maneira assustadora.

Sabendo disso, o Cosmos contratou o craque para representá-lo na Europa. Beckenbauer ficou nessa função até assumir o cargo de treinador da seleção.

Faltava apenas presidir a equipe que o levou à fama. No dia 17 de novembro de 1994, foi eleito presidente do Bayern, com 2.912 votos. A gestão do Kaiser na presidência do time da Baviera seguiu o amor do jogador pelo futebol.

"Títulos não são mais a prioridade do Bayern. O nosso objetivo é apresentar um futebol atraente. O que mais interessa é que os torcedores voltem para suas casas rindo e contentes"

Presidente do Comitê Organizador em 2006

Em 2006, Beckenbauer foi peça fundamental para ajudar a Alemanha a sediar a Copa do Mundo daquele ano, superando inclusive a África do Sul, favorito a ser o país sede na época. Com o prestígio, ajudou os alemães a organizar o torneio e foi o Presidente do Comitê Organizador.

*Narração: Michelle Gianella. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Autor do gol brasileiro na final da Copa de 50

Albino Friaça Cardoso poderia ter sido herói nacional. Teria recebido homenagens, títulos. Seria eternizado e exaltado para todo o sempre, mas terminou apenas como o destaque da final da Copa do Mundo de 1950. Tal honraria, ainda que grandiosa por si só, não foi o suficiente para deixá-lo satisfeito. O ex-atacante do Vasco foi o autor do gol brasileiro na derrota em pleno Maracanã por 2 a 1 para o Uruguai, no episódio que ficou conhecido como Maracanazo.

Natural de Porciúncula, no Rio de Janeiro, Friaça era um ponta-direita rápido e com forte chute. Ele se destacou no futebol integrando o Expresso da Vitória, apontado como um dos mais fortes elencos da história do Vasco da Gama. Atuando ao lado de gente como o goleiro Barbosa, o zagueiro Bellini e o atacante Tesourinha, ele ajudou na conquista de 11 títulos em 10 anos, incluindo dois Campeonatos Cariocas vencidos de forma invicta e um Torneio dos Campeões Sul-americanos - o primeiro título internacional de um time brasileiro.

A equipe cruz-maltina formou a base da Seleção que disputou a Copa de 1950: foram convocados oito jogadores vascaínos, além do técnico Flávio Costa. Foi titular em quatro das seis partidas disputadas pela seleção brasileira no Mundial, inclusive na importante vitória sobre a Espanha por 6 a 1. Era cotado para a reserva de Tesourinha na grande decisão, mas, com a lesão do companheiro, acabou escalado. O destino jogou a favor do atleta, mas não da Seleção Brasileira na grande decisão, em 16 de julho de 1950.

Do céu ao inferno

 

Vestindo branco, Friaça entrou em campo no Maracanã diante de mais de 200 mil pessoas, ao lado de outros dez homens previamente apontados como campeões do mundo. O Brasil precisava apenas de um empate para garantir a conquista, e o atacante aumentou ainda mais a confiança quando, no primeiro minuto do segundo tempo, recebeu bola dentro da área, pela direita, e bateu cruzado e rasteiro para vencer o goleiro Maspoli.

Depois de balançar as redes, Friaça viu o estádio explodir de alegria e acabou surpreendido pelo locutor César de Alencar, que invadiu o gramado para comemorar. "Friaça, você fez o gol!" teriam sido as palavras dirigidas pelo jornalista, antes de cair abraçado com o jogador no chão. A conquista que parecia ainda mais certa, no entanto, caiu por terra com gols de Schiaffino e Ghiggia. De herói nacional, Friaça se tornou mais um dos cabisbaixos jogadores brasileiros a deixar o Maracanã naquele dia.

O jogador, que tinha a característica de saber passar por adversários sem driblar, apenas com a velocidade, presenciou como ninguém o silêncio que abateu o maior palco de futebol do mundo após o segundo gol uruguaio. Sofreu também um mal que abateu vários atletas após o apito final: a desorientação. Assim como Zizinho, craque daquela equipe, o atacante vagou pelas ruas do Rio de Janeiro e, sem saber como, foi parar em Teresópolis, localizada a 90 km da capital fluminense.

Triste fim

 

O desastre no Rio de Janeiro não acabou com a alegria de Friaça, marca registrada do atacante. Destaque na final no Maracanã, ele foi poupado da execração pública que outros atletas, em especial o goleiro Barbosa, sofreram pela derrota. Porém, aos poucos, o ex-vascaíno foi se encaminhando para um triste fim. Encerrou a carreira em 1958, no Guarani, depois de ter atuado com destaque também por Ponte Preta e São Paulo.

Outro desastre ainda aconteceria em sua vida: a morte de um de seus filhos, Ricardo, em acidente durante um voo de asa-delta. Após a tragédia, Friaça teve sua saúde abalada. Sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e acabou com a memória comprometida. Faleceu em 12 de janeiro de 2009, em Itaperuna (RJ), depois de passar 45 dias internado - teve uma pneumonia que acabou se agravando, causando a falência múltipla dos órgãos.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Ex-prisioneiro de guerra, o atacante comandou a Alemanha no seu primeiro Mundial

Se de um lado o amante do futebol vê como injustiça a perda de um título por uma equipe de extrema habilidade e talento, do outro, tal feito é visto como um verdadeiro milagre. Em 4 de julho de 1954, o ex-soldado e prisioneiro de Guerra Walter Fritz se tornou um milagreiro: liderou a seleção da Alemanha Ocidental à conquista da Copa do Mundo, na Suíça. O triunfo veio com vitória sobre a Hungria, quebrando a série de quatro anos sem derrota da equipe que tinha Ferenc Puskas como destaque.

Como em muitas situações de sua vida, Fritz teve de se reerguer durante o Mundial para levar o time à inédita conquista. Na primeira participação alemã em uma Copa do Mundo após o final da Segunda Guerra, os jogadores representaram um país ainda em reconstrução e com muitos problemas. A caminhada começou com boa vitória por 4 a 1 sobre a Turquia, mas o massacre diante dos Húngaros, por 8 a 3, reascendeu as dúvidas na equipe, ainda que tivesse atuado sem sua formação titular.

Fritz só foi balançar as redes na Suíça no reencontro com a Turquia, para o jogo de desempate - marcou dois gols na vitória por 7 a 2. Posteriormente, na semifinal contra a Áustria que foi superada por 6 a 1, contabilizou mais dois tentos. Chegou, então, a vez de pegar novamente a temida Hungria. Aproveitando-se do cansaço dos rivais, que haviam feito extenuante partida semifinal contra o Uruguai - a decisão só veio em uma longa prorrogação -, e a lesão de Puskas, conseguiram vencer por 3 a 2, garantindo a festa. Aos 38 anos, ele se tornou o primeiro alemão a receber uma taça de campeão do mundo.

Fracasso na Copa seguinte

 

Fritz Walter voltou a jogar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, mas, desta vez, o resultado, ainda que relevante, não foi tão bom: a equipe terminou com a quarta colocação, perdendo a última partida para a França, por 6 a 3. Neste duelo, levou entrada dura e se lesionou. Como a Fifa não permitia substituições, teve de continuar em campo só para fazer número, mesmo sem condições para isso.

Mais tarde, aos 42 anos, ouviu pedidos para integrar a seleção alemã mais uma vez em outro Mundial: no Chile, em 1962. Já aposentado, recusou a volta aos gramados. As maiores lembranças de Fritz Walter ficariam mesmo em terras suíças, onde comandou um milagre. Por conta disso, foi eleito o melhor jogador alemão nas comemorações do jubileu da Uefa, deixando para trás outros ídolos como Franz Beckenbauer, Gerd Müller e Lothar Matthäus.

O prisioneiro

 

"Fico triste quando penso que a guerra me roubou os melhores anos de futebol", disse Walter Fritz, quando já estava novamente estabelecido como um dos gênios dos gramados mundiais. Antes disso, no entanto, passou por dificuldades. Foi convocado para defender o exército alemão na frente oriental. Integrou a infantaria na França e na Sardenha e chegou a ser feito prisioneiro de guerra pelos russos.

Permaneceu em um campo de prisioneiros da Romênia, mas acabou escapando do envio para a Sibéria e pôde voltar à Alemanha para se dedicar ao futebol - em especial aoKaiserslautern. Foi este o único clube que defendeu durante toda a sua vida. Foi alçado ao time profissional em 1937 e retornou no pós-Guerra, levando a equipe à inédita conquista do Campeonato Alemão-Ocidental, em 1951. Repetiria tal feito em 1953.

Fritz morreu em 16 de junho de 2002. Para homenageá-lo, o Kaiserslautern deu ao seu estádio o nome de seu maior ídolo - o ex-atacante ainda tem um busto imortalizado na arena.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio:Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Garrincha, o mais célebre ponta-direita da história do futebol

Garrincha foi a maior figura do jogo, a maior figura da Copa do Mundo e, vamos admitir a verdade última e exasperada: a maior figura do futebol brasileiro desde Pedro Álvares Cabral. A frase anterior foi dita pelo escritor Nelson Rodrigues após a vitória da Seleção nacional sobre o Chile nas semifinais da Copa do Mundo de 1962.

Considerado por muitos como o maior driblador da história, Garrincha construiu uma trajetória brilhante em sua passagem pela Seleção Brasileira, conquistando dois títulos mundiais e sendo derrotado apenas uma vez com a amarelinha, em 61 jogos disputados.

Vencendo obstáculos

 

Nascido em Pau Grande, no Rio de Janeiro, com o nome de batismo de Manuel Francisco dos Santos, Garrincha teria sido apelidado pela irmã, baseada em um pássaro comum na região. Muito tempo antes de tornar-se a Alegria do Povo e protagonista na conquista brasileira no Mundial de 1962, ele enfrentou seu primeiro obstáculo logo ao nascer. Sua perna esquerda era seis centímetros mais curta do que a direita.

Mesmo assim, destacou-se logo cedo nos gramados varzeanos da cidade natal. De origem humilde e com 15 irmãos, a futura estrela da Seleção Brasileira começou sua carreira aos 14 anos, dividindo o expediente na América Fabril, fábrica têxtil, com as partidas no campo do Esporte Clube Pau Grande.

Depois de uma passagem curta pelo Serrano, Garrincha acabou incentivado pelo tio - Mané Caieira - a prosseguir carreira no Rio de Janeiro, capital do estado e sede dos quatro grandes clubes - Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Apesar do talento, o início de aventura na Cidade Maravilhosa foi frustrante. Aos 17 anos, o garoto das pernas tortas tentou treinar no Gigante da Colina, mas acabou rejeitado ao aparecer sem chuteiras para entrar em campo. Já no Tricolor, a futura Alegria do Povo apenas esperou por um teste, que não veio.

Recusado pelos grandes

 

Recusado por dois gigantes do Rio de Janeiro, Manuel praticamente desistira de 'ganhar dinheiro' com o futebol. No entanto, uma pelada em Pau Grande, apitada pelo antigo lateral direito do Botafogo Araty, mudou a vida do humilde garoto. Encantado pela atuação do menino das pernas tortas, o jogador ofereceu um teste no clube de General Severiano. Descrente do futuro promissor, Garrincha não procurou o Alvinegro, que tomou a iniciativa e viajou à pequena cidade para contratar um dos maiores nomes da sua história.

Aprovado, o candidato a talento brasileiro encontrou outra dificuldade ao chegar ao Botafogo. Por ter 19 anos completos, Garrincha acabou promovido ao profissional, à época sob comando de Gentil Cardoso. No dia 10 de junho de 1953, o jovem atleta simplesmente seria marcado pelo ídolo dos alvinegros Nilton Santos. Ousado e veloz, ele mostrou o talento e confirmou sua contratação pelo Botafogo depois de impressionar o conhecido jogador. A própria ‘Enciclopédia do futebol’ teria pedido a contratação:

"Melhor jogar com ele do que contra ele", Nilton Santos após teste de Garrincha

Mas, enquanto Nilton Santos sofreu com a habilidade do garoto nos treinamentos, Flamengo, Vasco e Fluminense tornaram-se vítimas do ponta-direita nos jogos. No Alvinegro, foram 612 partidas e 243 gols, em uma passagem que durou 13 anos, rendendo três títulos cariocas, em 1957, 1961 e 1962, e duas Taças Rio-São Paulo, em 1962 e 1964.

Seleção Brasileira

O talento da Estrela Solitária logo chamou a atenção da Seleção Brasileira. Sua estreia com a amarelinha ocorreu no dia 18 de setembro de 1955, em um empate contra o Chile. O primeiro gol veio três anos depois, em um amistoso contra o Corinthians, vencido por 5 a 0 pelo selecionado nacional.

Baile no Chile

Festeiro e com uma vida agitada fora dos gramados, o maior baile de Garrincha ocorreu no ano de 1962. Campeão mundial em 1958, o Anjo das Pernas Tortas protagonizou a segunda conquista mundial do País. Favorito à taça, o Brasil sofreu a perda de Pelé logo no empate por 0 a 0 com a Tchecoslováquia.

Em substituição ao Rei, Garrincha assumiu a responsabilidade e liderou uma equipe cheia de estrelas no Chile. Sem marcar durante a fase de grupos - o Brasil terminou a primeira etapa com vitória por 2 a 1 sobre a Espanha -, Mané, apelido adquirido em homenagem a seu tio, assombrou o país sul-americano a partir do mata-mata. Nas quartas de finais, contra a temida Inglaterra, nação que criara o futebol, o ponta-direita assinalou dois gols e comandou o triunfo por 3 a 1 (Vavá fechou o marcador).

Nas semifinais, outro adversário temido: os donos da casa. Contudo, a ousadia e a 'malandragem' de Garrincha fizeram outra vítima.

O Extraterrestre

Em uma das maiores atuações da sua carreira, o jogador anotou mais dois gols e tornou-se a principal estrela brasileira na classificação à decisão, embora tenha sido expulso. Vitória por 4 a 2 sobre os mandantes (Vavá anotou os outros dois). Incrédulo, um jornal local estampou na sua manchete do dia seguinte à eliminação: "De que planeta veio Garrincha?"

Tratado como extraterrestre pelos chilenos, Garrincha terminou sua invasão no dia 17 de junho de 1962. Mesmo apresentando um estado febril de 39ºC, o camisa 7 aproveitou de uma manobra da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que conseguiu a liberação do atleta, para driblar, atazanar e decidir para o Brasil. Apesar de não marcar na decisão, o Anjo da Pernas Tortas entortou os zagueiros da Tchecoslováquia e teve participação fundamental no triunfo de 3 a 1 (gols de Amarildo, Zito e Vavá). Festa do mais festeiro dos atletas brasileiros, no Chile.

Em 1966, quando já atuava pelo Corinthians, participou de sua terceira Copa do Mundo, na Inglaterra, onde conheceu, em sua última partida com a camisa da Seleção, sua única derrota pela equipe canarinho, por 3 a 1 para a Hungria. A equipe brasileira não passaria da primeira fase na ocasião.

A passagem pelo Timão lhe rendeu mais uma Taça Rio-São Paulo, mas Garrincha já não era o mesmo. Jogou também por Portuguesa-RJ, Atlético Júnior (COL), Flamengo e Olaria, sem sucesso em nenhum dos clubes.

Anjo Indomável

Alegria do Povo, Garrincha também teve vida agitada fora dos campos. O primeiro casamento ocorreu com Nair, namorada de infância, com quem teve oito filhos. No entanto, o inesquecível amor do atleta aconteceu com a cantora Elza Soares.

Famosa no Rio de Janeiro, a intérprete encantou o camisa 7 do Botafogo. A paixão rendeu um filho ao casal, Manuel Garrincha dos Santos Júnior, que acabou morto aos nove anos, depois de um acidente de carro. O bicampeão mundial também teve como herdeiro Neném, fruto de um relacionamento com Iraci, última esposa antes de conhecer Elza e falecido em 1992, também vitimado por uma batida automobilística.

A virilidade do Anjo das Pernas Tortas não parou por aí. Em uma excursão com o Botafogo no ano de 1959, após um relacionamento com uma sueca, teve mais um filho, seu 14º reconhecido. Ulf Lindberg Henrik não conheceu o pai pessoalmente, devido ao trágico problema do jogador: a dependência alcoólica.

Enquanto superava os zagueiros com facilidade, Garrincha teve sua carreira e, a vida, encurtada pelos efeitos da bebida. Em 20 de janeiro de 1983, vítima de uma infecção generalizada, o Anjo Indomável transformou-se na maior Estrela Solitária dos céus.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Gerd Muller, um dos maiores artilheiros de todas as Copas

O atacante Gerd Muller marcou seu nome na história do Bayern de Munique e também da seleção alemã. Depois de ter iniciado a carreira nas categorias de base do Nordlingen, o jogador chegou ao time de Munique em 1964, em um período complicado da agremiação, que amargava a segunda divisão do país.

Sem ter a confiança do técnico Zlatko Cajkovski, Muller ficou no banco de reservas durante o início de sua trajetória no clube, mas logo todos perceberam que o atacante seria imprescindível para o elenco bávaro. Assim, o jogador fez sua estreia marcando dois gols contra o Freiburg, em outubro de 1964. Logo na primeira temporada, ajudou o Bayern a conseguir o acesso à elite nacional.

Mais confiante em sua segunda temporada pelo time, Gerd Müller teve a honra de atuar ao lado dos recém-promovidos da base Franz Beckenbauer e Sepp Maier. Porém, quem levou a melhor na Bundesliga foi o rival Munique 1860. Chamado de gordo no início da carreira, Muller não foi convocado para a Copa de 1966.

A partir daí o atleta provou que nunca mais poderia ser descartado pela seleção, sendo o principal goleador do clube em todas as temporadas até 1978. Já a estreia pela Alemanha Ocidental aconteceu ainda em 1966, diante da Turquia, pouco tempo depois da campanha sem êxito no Mundial.

Em seu segundo compromisso pela seleção, o atacante deixou claro que não brilharia apenas pelo Bayern, marcando quatro gols na goleada por 6 a 0 sobre a Albânia, em 1967. Já reconhecido em seu país, Muller, enfim, foi convocado para a Copa do Mundo de 1970.

Mesmo marcando dois gols na semifinal diante da Itália, o atacante não impediu a derrota por 4 a 3, na prorrogação. Desta maneira, restou à Alemanha Ocidental garantir o terceiro lugar, mas Muller foi além, encerrando o torneio como goleador, com dez tentos, enquanto o Brasil foi campeão.

Dois anos depois, a seleção alemã conquistou a primeira Eurocopa de sua história, realizada na Bélgica. No duelo contra os anfitriões, na estreia, o atacante emplacou dois gols. Já na decisão, diante da União Soviética, Muller fez mais dois, sagrando-se artilheiro de mais um torneio de seleções, com os quatro tentos anotados.

A carreira do jogador seguiu em ascensão com a conquista também da Liga dos Campeões da Europa, em 1974, pelo Bayern. O título foi sacramentado pouco antes da Copa do Mundo, que acabou marcando o auge da trajetória de Muller. Apesar de não ter feito tantos gols como na edição anterior, os quatro que anotou foram fundamentais no título da Alemanha Ocidental, que atuou em casa e superou o “carrossel” da Holanda liderada por Johan Cruyff na decisão.

O gol mais importante

Na grande final, Gerd Muller marcou o gol mais importante de sua vida, que garantiu a vitória por 2 a 1 sobre os holandeses. Como se não bastasse, o tento foi o 14º do atacante em Copas, feito que o tornou o maior artilheiro de Mundiais até 2006, quando foi superado por Ronaldo, que chegou a 15. O título também marcou a despedida do atacante da seleção alemã.

Mesmo já consagrado, ainda havia muito o que fazer pelo Bayern de Munique. Defendendo o clube bávaro, conquistou os títulos europeus de 1975 e 1976. Por conta de atritos com o técnico Pál Csernai, em 1979 Gerd Muller deixou o clube em que fez história e se transferiu para os Estados Unidos, onde defendeu o Fort Lauderdale Strikers até 1982, quando encerrou a carreira.

Longe dos gramados, o atacante passou a ter problemas com a bebida, mas recebeu a ajuda dos amigos do Bayern de Munique e voltou a trabalhar no clube, treinando equipes das categorias de base.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Ghiggia, o grande responsável pelo Maracanazo

"Apenas três pessoas calaram o Maracanã: o Papa João Paulo II, Frank Sinatra e eu". Tal feito é gigantesco e, para alcançá-lo, Alcides Edgardo Ghiggia não usou a fé ou a música, mas, sim, os pés. Foi assim que, em 16 de julho de 1950, o ponta-direita silenciou mais de 200 mil pessoas ao balançar as redes e definir a vitória da seleção uruguaia por 2 a 1 sobre o Brasil, garantindo o bicampeonato mundial. Foi ele o grande responsável pelo episódio que ficaria marcado como o Maracanazo.

Natural de Montevidéu, Ghiggia começou a carreira no modesto Sud America e defendeu também o Atlante, da Argentina, antes de se transferir para o Peñarol, equipe na qual teve seu melhor momento na carreira - participou da conquista de dois títulos nacionais, em 1949 e 1951. No hiato entre esses triunfos, ganhou o mundo da bola naquele que era o maior estádio do planeta: o Maracanã. E o fez com atuações de impor respeito, na época em que o Uruguai era uma potência mundial no esporte.

Julio Perez era seu parceiro no setor direito do ataque. Eram conhecidos como o 'Arco' - Julio, com seus longos e precisos lançamentos - e a Flecha - Ghiggia, com sua velocidade, pronto para invadir a área e finalizar. Foi assim que ele marcou um dos gols uruguaios no empate por 2 a 2 com a Espanha - antes, havia balançado as redes também na vitória por 8 a 0 sobre a Bolívia.

Contra a Suécia, marcou outra vez, em partida primordial para a decisão final do Mundial. Isso porque, enquanto uruguaios e suecos jogavam no Pacaembu, em São Paulo, o Brasil goleava a Espanha por 6 a 1 no Maracanã. Um empate daria o título por antecipação ao país anfitrião, mas Oscar Miguez marcou duas vezes, a última delas aos 40 minutos do segundo tempo, para selar a vitória por 3 a 2, mantendo o Uruguai na disputa pelo bicampeonato mundial.

O Maracanazo

 

Em 6 de julho de 1950, Ghiggia não era uma das preocupações da torcida brasileira. A festa e euforia com o primeiro título do País eram evidentes, mas o ponta-direita não deixou isso acontecer. Mesmo tendo saído atrás do placar, Ghiggia não desanimou e continuou infernizando os marcadores pelo lado esquerdo da defesa do Brasil. Aos 21 minutos, o jogador deixou o zagueiro Bigode para trás, invadiu a área e cruzou para Schiaffino empatar tudo. A igualdade ainda dava o título ao Brasil.

Restavam 11 minutos para o apito final quando o jogador, novamente pela direita, trocou passes com Julio Perez e recebeu nas costas de Bigode. Ao invadir a área, notou o goleiro Barbosa se adiantando, prevendo novo cruzamento. Com um chute rasteiro, mandou a bola para o fundo do gol, entre o arqueiro brasileiro e a trave. Assim como quando Frank Sinatra cantou Strangers in the night, o Maracanã se calou. Mais do que as 200 mil pessoas presentes, ele fez chorar toda a nação brasileira.

O episódio ainda dói na memória do brasileiro - a derrota na decisão sequer foi citada no memorial do Maracanã. Em 29 de dezembro de 2009, Alcides Ghiggia voltou ao palco onde brilhou mais forte em sua carreira para ser homenageado: tornou-se o centésimo notável a colocar os pés na Calçada da Fama do estádio. "Nunca pensei que seria homenageado no Maracanã, estou muito emocionado. Meus sinceros agradecimentos ao público, desejo muitas felicidades no ano novo, e viva o Brasil", disse.

Internacionalização

 

Em 1953, Ghiggia deixou o Uruguai para atuar pela Roma, da Itália, em decisão que acabou comprometendo sua sequência na seleção. Longe de casa, passou a atuar cada vez menos com os campeões mundiais e, por conta disso, perdeu a oportunidade de disputar o Mundial de 1954 - mesmo a competição sendo sediada pela Suíça, a Roma não liberou o jogador.

O período italiano na vida do jogador rendeu bons frutos e, por conta do passaporte do país europeu obtido, Ghiggia pôde defender a seleção italiana - na época, a Fifa não restringia tal 'troca de países'. Com a camisa da Azzurra, no entanto, ele pouco pôde fazer: disputou as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1958 e marcou apenas um gol, no empate por 2 a 2 com a Irlanda do Norte. Os italianos seriam privados do direito de disputar a Copa na Suécia pelos próprios irlandeses, perdendo por 2 a 1, em partida em que Ghiggia foi expulso.

Ghiggia ainda defendeu as cores do Milan e do Danubio, já de volta ao Uruguai. Encerrou a carreira em 1968 e se aposentou como funcionário do Cassino de Montevidéu, sem gozar do prestígio financeiro que os atletas atualmente têm acesso. Em outubro de 2004, recebeu uma alta honraria: ganhou a Ordem do Mérito da Fifa, pelos serviços prestados ao futebol.

No dia 16 de julho de 2015, Alcides Edgardo Ghiggia acabou falecendo, vítima de uma parada cardíaca. Sua morte chamou a atenção pelo fato de ter ocorrido justamente no aniversário de 65 anos do Maracanazo.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Gianluigi Buffon, um dos maiores goleiros da história do futebol

Embora não tenha encerrado sua carreira, Gianluigi Buffon já pode ser considerado um dos maiores atletas italianos da história. Com uma carreira repleta de títulos importantes, tanto pela Seleção de seu país, quanto pela Juventus e Parma, o goleiro ainda segue escrevendo novos capítulos de sua trajetória dentro das quatro linhas aos 40 anos. Fora da Copa do Mundo de 2018, o camisa 1 está cada vez mais próximo de dizer adeus à sua profissão, entretanto, é inegável que quem ama futebol gostaria de vê-lo sob as traves por mais tempo.

Defendendo uma das maiores seleções do futebol, Buffon participou de nada mais, nada menos que cinco Copas do Mundo, igualando os feitos de Antonio Carbajal, do México, e Lothar Matthaus, da Alemanha. Reserva de Pagliuca no Mundial de 1998, o goleiro só foi se firmar como titular da Azzurra em 2002. Daí em diante ninguém tirou sua vaga e quatro anos mais tarde, em 2006, entrou para a história ao se sagrar campeão do mundo em Berlim, contra a França, nos pênaltis.

 

Mais recordes na carreira

 

Os recordes de Buffon, no entanto, não param por aí. Ele também é o atleta que mais vezes vestiu a camisa da seleção italiana, com 174 partidas, superando outros ídolos de seu país, como Paolo Maldini, Fabio Cannavaro e Dino Zoff. Além disso, o ídolo da Juventus também ultrapassou Sebastian Rossi como o goleiro que mais tempo permaneceu sem sofrer gols no Campeonato Italiano. Em 2016, no clássico contra o Torino, a marca de 929 minutos foi superada, porém, na mesma partida, Andrea Belotti balançou as redes e encerrou uma sequência de 974 minutos do rival.

Lamentavelmente, Gianluigi Buffon não conseguiu levar a Seleção Italiana à Copa do Mundo da Rússia pela primeira vez em 60 anos, após perder a repescagem para a Suécia. Ao fim das duas partidas eliminatórias, o goleiro não conteve as lágrimas e, completamente decepcionado, anunciou sua aposentadoria da equipe nacional.

Ao término da temporada passada, o arqueiro se despediu da Juventus, por onde defendeu as cores desde 2001. Existe uma grande expectativa para saber por qual clube Buffon será o responsável pela defesa da meta. Paris Saint-Germain e Real Madrid aparecem como os mais cotados.

Momentos constrangedores

 

A relevância de Gianluigi Buffon é ainda maior pelo fato de o ídolo ter sido poupado de diversos momentos constrangedores do futebol italiano. Logo após o título mundial de 2006, o goleiro teve de disputar a Segunda Divisão de seu país pela Juventus por conta de um escândalo de manipulação de resultados envolvendo, além da Velha Senhora, a Fiorentina, a Lazio e o Milan, único que não foi punido com o rebaixamento, mas acabou excluído da Liga dos Campeões e iniciou o Campeonato Italiano seguinte com 30 pontos a menos que os concorrentes.

Já pela Seleção Italiana acabou eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2002, perdendo para a Coreia do Sul por 2 a 1 na prorrogação – os donos da casa chegaram a disputar o terceiro lugar com a Turquia, ficando na quarta colocação geral. Em 2010 o vexame foi ainda pior, uma vez que a Azzurra deu adeus à África do Sul ainda na primeira fase, terminando como lanterna do Grupo F, que tinha também Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Quatro anos mais tarde, no Brasil, novamente os italianos não conseguiram chegar sequer ao mata-mata, ficando em terceiro lugar no “grupo da morte” que contava com Costa Rica, Uruguai e Inglaterra.

Para piorar, em 2018 a equipe italiana não conseguiu nem mesmo se classificar para o Mundial que será realizado na Rússia, o que resultou na aposentadoria do goleiro pela camisa italiana.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Giuseppe  Meazza, o galã italiano vencedor de duas Copas

É impossível contar a história do futebol italiano sem citar o nome do meio-campista Giuseppe Meazza. Precoce, começou sua carreira na Inter de Milão - na época, a equipe ainda se chamava Ambrosina - aos 17 anos. Abusado, ficou famoso por dormir em bordéis nas noites após as partidas. Amante de carros e mulheres, jogava sempre com os cabelos penteados e engomados, sendo uma espécie de superstar da época. Mas assim como dançava com as damas antes ou depois dos jogos, chamava também para bailar os defensores adversários, tendo no drible um de seus principais pontos fortes. Até hoje, na Itália, diversos narradores se referem a um gol bonito como "gol alla Meazza".

"Il Peppino", apelido que ganhou de um colega de time devido a sua pouca idade quando estreou no profissional, foi o astro de uma seleção italiana vencedora, que conquistou duas Copas do Mundo (em 1934, na Itália, e em 1938, na França), mas que ficou eternamente marcada por sua íntima ligação com o fascismo de Benito Mussolini, este que teria assistido a todos os jogos em 1934, e usado ambas as conquistas mundiais como propaganda de seu regime.

Com a camisa azul da Itália, Meazza disputou um total de 53 partidas, a primeira em 1930, em que despontou já com o pé direito, marcando dois gols na vitória por 4 a 2 sobre a Suíça, e a última em 1939, em Helsinki, também triunfando, desta vez por 3 a 2 contra a Finlândia. Em Copas do Mundo, nove jogos e três gols. Um deles, em 1938, contra o Brasil. De quebra, como capitão da equipe na França, ergueu a taça Jules Rimet na ocasião. Tal desempenho com a Azzurra rendeu a "Peppino" a seguinte descrição, feita por Vittorio Pozzo, técnico italiano no bicampeonato mundial: "Tê-lo em sua equipe é como começar todos os jogos já com 1 a 0".

Porém, quase que um dos maiores jogadores da história da Itália sequer entra para o esporte. Durante a infância do jogador, sua mãe, Ersilia, escondia seus sapatos para que este não praticasse o futebol, o que considerava uma "perda de tempo". No entanto, o pequeno Giuseppe não se importava, e mesmo descalço seguia jogando bola, até sua progenitora finalmente ceder, comprar chuteiras e inscrever o filho de então 12 anos no Gloria FC.

Comparação com Pelé

 

Ídolo absoluto em seu país, chegou a ser comparado com o rei Pelé em 1958, durante a Copa da Suécia, quando o cineasta Franco Rossi declarou:

"Pelé é bom, mas não chega aos pés de Meazza"

Até hoje os italianos creditam a ele a invenção da cobrança de falta em "folha-seca" (por lá chamada de foglia morta), imortalizada pelo também meio-campista e também bicampeão mundial, Didi.

Além da seleção, Meazza jogou por 14 temporadas na Inter, conquistado três scudettos. Ele ainda passou pelos outros dois grandes clubes da Itália: o Milan (entre 1940 e 1942) e a Juventus (na temporada 1942/1943), além do Atalanta, onde atuou como jogador-treinador, antes de voltar, em 1947, para encerrar sua carreira na equipe que o projetou para o esporte.

Após pendurar as chuteiras, comandou a Inter em três oportunidades (entre 1947 e 1948, 1955 e 1956 e em 1957) e a seleção de seu país entre 1952 e 1953. Meazza também foi um dos primeiros italianos a treinar uma equipe estrangeira, o Besiktas, da Turquia.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Baixinho endiabrado, o artilheiro da primeira Copa do Mundo

Argentino, de baixa estatura, endiabrado com a bola nos pés, habilidoso e artilheiro. Tal descrição poderia ser a de Lionel Messi ou de Diego Armando Maradona. Mas, antes destes dois, Guillermo Stábile, nascido em Buenos Aires no dia 17 de janeiro de 1905, foi o pioneiro da lista.

Com 1,68m, um centímetro menor que Messi e três mais alto que Maradona, Stábile foi a sensação e o goleador da Copa do Mundo de 1930, disputada no Uruguai. Embora tenha iniciado o Mundial na reserva e perdido a estreia argentina contra a França, Guillermo Stábile, então no Huracán, só conseguiu a vaga no time titular graças a um evento inusitado.

A grande oportunidade

Seu companheiro de posição, Roberto Cherro, sofreu uma crise de pânico na véspera do jogo diante do México, devido ao clima hostil e à pressão que a Argentina sentia em Montevidéu por ser a maior rival do país sede, o Uruguai.

A partir daí Gullermo Stábile se transformou em um fenômeno. Balançou as redes em três oportunidades na vitória contra o México e mais duas vezes contra o Chile. Nas semifinais da competição, o pequeno atacante voltou a anotar dois tentos, e mesmo na derrota para o Uruguai na final, Stábile deixou sua marca, totalizando assim oito gols na Copa do Mundo e conquistando a artilharia do torneio.

Tal performance no Mundial uruguaio fez o atacante, que tinha atuado apenas pelo Club Atletico Huracán durante toda sua carreira, entrar nos holofotes do poderoso Genoa, da Itália, equipe por qual assinou ainda em 1930. Em sua estreia com a camisa azul e vermelha, o avante não poderia fazer melhor, anotando três vezes sobre os arquirrivais do Bologna.

Transferência para o Napoli

Após cinco anos defendendo as cores do time genovês, Stábile se transferiu ao Napoli, clube em que quase 50 anos depois brilharia seu "sucessor", Diego Armando Maradona. Depois da equipe napolitana, Stábile aventurou-se pela França, no Red Star Paris, onde foi jogador e técnico ao mesmo tempo na temporada de 1939, quando pendurou as chuteiras e passou definitivamente a comandar o time do banco de reservas.

Professor

Posteriormente, assumiu o cargo de técnico da seleção argentina em 1939, ficando longínquos 21 anos no cargo até sair em 1960, conquistando seis vezes a Copa América, mas jamais conseguindo vencer a Copa do Mundo. Simultaneamente, o argentino treinou o San Lorenzo, o Huracán e o Racing.

* Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O Furacão, um dos heróis do Brasil na Copa de 1970

Ganhar o apelido de Furacão e ser o artilheiro em uma equipe que tinha Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino não é tarefa fácil. Mas isso não foi obstáculo para Jairzinho, um dos heróis da Seleção Brasileira de 1970 e dono de lugar cativo entre os maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

Nascido no dia 25 de dezembro de 1944, no Rio de Janeiro, Jair Ventura Filho começou a carreira nas categorias de base do Botafogo, no final dos anos 50. Desde cedo, mostrava a mistura de técnica, força e preparo físico que mais tarde se tornaria sua marca registrada. Alçado para os profissionais do clube carioca, rapidamente o ponta-de-lança se viu no meio de craques como Garrincha, Didi e Nilton Santos, naquela que é considerada uma das melhores equipes brasileiras de todos os tempos.

Mas, em vez de se intimidar com tanto talento concentrado em um só time, Jairzinho soube aproveitar a oportunidade e usar toda a técnica de seus colegas em favor próprio, começando a se destacar. Antes mesmo do primeiro título, veio a convocação para a Seleção Brasileira. Em 1963, ele foi chamado para disputar o Pan-americano de São Paulo, conquistando o ouro e prenunciando um futuro de sucesso com a camisa canarinho.

 

Substituto de Garrincha

 

Com a medalha no peito e as atuações cada vez mais convincentes, a barreira que o separava dos craques alvinegros praticamente deixou de existir. Em 1964, veio o primeiro título com a camisa do clube, um Rio-São Paulo. O crescente nível técnico fez com que ele acabasse convocado para disputar a Copa do Mundo de 1966, substituindo justamente o antigo mestre Garrincha na ponta-direita.

A campanha pífia do Brasil no Mundial, desclassificado ainda na primeira fase, não impediu Jairzinho de repetir com a camisa do Botafogo, nos quatro anos seguintes, as atuações foras de série, os chutes potentes e as conquistas individuais e coletivas, que garantiram a ele a vaga na Copa do Mundo de 1970. Desta vez, no entanto, a história seria diferente.

Depois de sofrer alguma resistência da imprensa e da torcida por sua convocação, em uma equipe com tantos craques no sistema ofensivo, Jairzinho achou mais do que um espaço no time titular comandado por Zagallo. Ele marcou sete gols em seis jogos e se tornou o único atleta a balançar as redes em todas as partidas de uma Copa, calando todos aqueles que não o viam no mesmo patamar de Pelé e companhia.

Curiosamente, a artilharia daquela edição do torneio ficou com o alemão Gerd Muller, que marcou dez gols. Algo pequeno em relação à conquista do tricampeonato mundial e à consagração alcançada pelo brasileiro.

O Furacão voltou à sua terra natal e seguiu por mais quatro anos no Botafogo. Mas no mesmo ano em que disputou sua terceira e última Copa do Mundo, em 1974, quando o Brasil conquistou um modesto quatro lugar, jogador e clube se despediram temporariamente, e Jairzinho foi atuar pelo Olympique de Marselha.

Na França, o atacante não teve o mesmo sucesso com o qual estava acostumado, e acabou retornando para o Brasil, onde acertou com o Cruzeiro, em 1975. Começava ali uma nova trajetória, desta vez mais curta, mas também vitoriosa, por outro clube grande brasileiro.

Naquele período, que teve partidas épicas contra Internacional - vitória celeste por 5 a 4 – e River Plate, a morte de um colega de equipe, o ponta Roberto Batata, em acidente de carro, e grandes atuações ao lado de Palhinha, Piazza e Nelinho, Jairzinho levou a Raposa ao primeiro título da Libertadores de sua história. No final da temporada, a disputa do Mundial Interclubes, em duas partidas (0 a 0 e 0 a 2), acabou dando a taça internacional ao Bayern de Munique e ao velho rival Gerd Muller.

Mais uma vez, como fazia quando era derrubado pelos marcadores, Jairzinho não se intimidou, reuniu forças e continuou batalhando. Passou ainda por Portuguesa-VEN, Noroeste-SP, Fast Clube-AM, Jorge Wilstermann-BOL e 9 de Outubro-EQU, colecionando mais títulos em alguns deles, até voltar ao Botafogo no começo dos anos 80.

Nos últimos anos, a explosão já não era mais a mesma que rendeu a ele o famoso apelido, mas a imagem do Furacão continua viva na memória de todos aqueles que acompanharam as arrancadas e os gols com as camisas do Brasil, Botafogo e Cruzeiro.

Como se não bastasse todos seus feitos ao longo da carreira, Jairzinho ainda passou o bastão ao seu filho, Jair Ventura, que embora não tenha chegado a ser jogador profissional, é atualmente um dos treinadores mais promissores do futebol brasileiro.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Melhor jogador europeu do século 20, sem ter conquistado um título um Mundial

Em 25 de abril de 1947, nascia um craque na capital holandesa. Johann Cruyff, meia que marcou época no Ajax e na seleção durante a década de 70, foi eleito, no começo de janeiro de 1999, o melhor jogador europeu do século pela polêmica Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, baseado em uma pesquisa entre jornalistas esportivos europeus.

Cruyff começou sua carreira em 1964 no Ajax, de Amsterdã, onde ficou até 1973. Passou também pelo Barcelona (73 a 78), Los Angeles Aztecas (78 e 79), Washington Diplomats (79 e 80), Cosmos (80 e 81), Levante (81 e 82), novamente o Ajax (82 e 83) e, por último, o Feyenoord de Roterdã (83 e 84). Nesse período, vestiu a camisa laranja da Holanda em 48 ocasiões, marcou 35 gols e fez parte da poderosa "Laranja Mecânica", que assombrou o mundo no Mundial de Alemanha, em 74. Além de ser considerado um dos melhores jogadores da história e ter sido eleito o jogador do século, Cruyff recebeu em 1971, 1973 e 1974 a Bola de Ouro como melhor jogador europeu, e foi declarado o melhor do Mundial de 1974.

Em toda sua carreira como jogador, acumulou uma impressionante quantidade de títulos. No Ajax, conquistou 8 ligas, 7 copas, 3 Copas dos Campeões da Europa, 1 Mundial Interclubes e 1 Supercopa da Europa. Além disso, ganhou mais um campeonato nacional e uma copa com o Barcelona, na Espanha, e com o Feyenoord, da Holanda.

Um sonho que escapa pelas mãos

 

Cruyff deixou os gramados como jogador sem nunca ter ganho um título mundial. Mas já esteve com ele bem próximo, na Copa de 1974, disputada na Alemanha Ocidental. O futebol-força superou o futebol-arte, baseado no potencial atlético e obediência tática de seus jogadores. Ainda assim, havia exceções.

Uma delas era o "carrossel holandês", do técnico Rinus Michels, comandada por Neeskens, Krol, Rep e Cruyff. A "Laranja Mecânica" não tomou conhecimento de seus adversários, entre os quais, o time tricampeão mundial de Zagalo, que não apresentou o mesmo futebol de 1970. Johan Cruyff fez parte desta equipe revolucionária, num esquema onde os jogadores não tinham posição fixa, movimentando-se pelo campo inteiro. Quatro anos depois, mesmo tendo apenas 31 anos, Cruyff não quis participar da campanha do carrossel vice-campeão na Argentina, em 1978.

Depois de uma carreira bem-sucedida como jogador, Cruyff resolveu investir na carreira de treinador. Começou em 1985, no comando do Ajax. Dirigiu a equipe de Amsterdã durante 3 temporadas, conquistando 2 Copas (86 e 87) e 1 Recopa da Europa (87). O holandês chegou ao Barcelona em 1988 e, depois de um início atribulado, transformou o azul-grená em uma máquina de títulos: 4 Ligas (90/91, 91/92, 92/93 e 93/94), 1 Copa dos Campeões de Europa (92), 1 Recopa (89), 1 Supercopa Européia (93), 1 Copa do Rei (90) e 3 Supercopas da Espanha (91, 92 e 94). Sem dúvida alguma, este foi o momento mais glorioso de sua história.

Apesar do sucesso e do prestígio que conseguiu no clube, Cruyff recebeu muitas críticas, que aumentavam cada vez que o time ia mal. A principal delas era a de que o ex-jogador tinha plenos poderes dentro do clube, tanto no aspecto esportivo como na renovação de jogadores, proibindo a algum deles de participar em programas de televisão, entre outras coisas. Acabou abandonando a equipe faltando apenas duas partidas para o fim da temporada 95/96 do Campeonato Espanhol.

Cruyff, um amante do futebol ofensivo, começou com um esquema 3-4-3, que provocou muitas críticas devido à facilidade com que o adversário marcava seus gols. Mas logo se transformou praticamente em um 4-4-2, com uma defesa melhor estruturada.

 

Não existem mais craques

 

"Pagam milhões a jogadores que exigem milhões e cujo rendimento de nenhuma forma justifica esse pagamento"

O talento de Cruyff o credenciou para analisar o esporte que o consagrou. Durante a Copa da França, em 1998, o ex-jogador holandês escreveu, em sua coluna no semanário "L'Equipe Magazine", que não existem mais ídolos como Di Stéfano, Pelé, Maradona ou mesmo ele. Os talentos são rapidamente consagrados e entram em decadência em seguida. Para ele, é um exagero achar que De La Peña, Raúl, Del Piero, Salas ou Owen já podem ser considerados craques. "Eles são bons jogadores, mas estão muito distantes de serem astros de nível mundial", segundo Cruyff.

Ele também afirmou que o futebol de hoje é dominado por muito dinheiro e pouco talento. "Pagam milhões a jogadores que exigem milhões e cujo rendimento de nenhuma forma justifica esse pagamento". O padrão de vida alto, a falta de futebol de rua e as escolas de futebol também são responsáveis para escassez de verdadeiros craques, principalmente na Europa.

Cruyff exemplifica com Michael Laudrup, jogador dinamarquês que desequilibrou durante o Mundial da França. "Ele tem uma técnica impressionante, mas falta a capacidade para se impor, o instinto de sobrevivência que só se adquire na rua. Os clubes mataram a criatividade e a improvisação quando ensinam que 'a equipe é tudo, o indivíduo é nada'. Com quinze anos, já tiraram delas toda a graça para jogar".

Câncer e morte

Em outubro de 2015, Cruyff foi diagnosticado com câncer de pulmão. O holandês era fumante ao longo de sua vida, mas parou em 1991. Morreu em março de 2016, em Barcelona.

*Narração: Michelle Gianella. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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"El Vasco", titular em todas as partidas da saga dourada de títulos do Uruguai

José Pedro Cea foi um dos mais importantes jogadores da história do futebol uruguaio. Embora a lembrança mais recente de um título celeste tenha a ver diretamente com Ghigghia, o Maracanã e a Copa de 1950, "El Vasco" Cea, como era conhecido devido à sua origem basca, já brilhava muito antes disso.

Nascido em 1900, o atacante, que gostava de jogar pelo lado esquerdo do campo, esteve presente em grandes conquistas do Uruguai, como a Copa do Mundo de 1930, em que jogou em casa, e as Olimpíadas de 1924, em Paris (França), e 1928, em Amsterdã (Holanda), além dos títulos sul-americanos de 1923, 1924 e 1926.

Titular indiscutível da seleção celeste, "El Vasquito" foi o único atleta que jogou consecutivamente todas as partidas da célebre saga dourada de títulos do Uruguai, que durou dos Jogos Olímpicos de 1924 à Copa do Mundo de 1930, totalizando 14 partidas.

Cea é um dos remanescentes daquilo que os saudosos chamam de futebol romântico, pois, embora formado no amador Club Atlético Lito, que se dividiu por causa de uma briga política que envolveu todo o país, defendeu apenas o Club Nacional de Football por toda a sua carreira, repleta de gols decisivos e feitos históricos. Nascido em Arroyo Seco, famoso bairro de Montevidéu, José Cea tinha como uma de suas principais características a raça, a vontade e o apurado físico para voltar, buscar a bola e partir novamente para o ataque.

Com um amor ilimitado à seleção uruguaia e ao Nacional-URU, José Pedro Cea seguiu no futebol e em seu clube de coração após pendurar as chuteiras em 1935, treinando ambas as equipes e conquistando a Copa América de 1942 já como técnico.

 

O empatador decisivo: o pioneiro a marcar em duas finais

 

Além de toda a sequência de jogos, José Pedro Cea também foi o primeiro atleta a marcar gols na final de uma Olimpíada (1928) e na decisão de uma Copa do Mundo.

O atacante ficou conhecido como "o empatador olímpico", pois em 1924, na semifinal dos Jogos de Paris, a seleção uruguaia estava perdendo para a Holanda por 1 a 0 até os acréscimos da partida, quando “El Vasco” recebeu no meio, foi abrindo caminho em meio à zaga holandesa, soltou o pé para vencer o arqueiro Van der Moulen e deixar tudo igual, antes de a equipe celeste virar a partida e ir para a grande decisão.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Ídolo marroquino, recordista de gols marcados em uma Copa do Mundo

A França teve um papel fundamental na globalização do futebol, em um tempo em que este termo sequer existia. País incentivador da realização da primeira Copa do Mundo, em nome de Jules Rimet, os Bleus conheceram seu primeiro ídolo futebolístico no Mundial de 1958. Marroquino de nascimento, Just Fontaine destacou-se na competição que revelou Edson Arantes do Nascimento, Pelé, para o esporte.

Na edição de 1958 da Copa do Mundo, o atacante do Stade de Reims, clube que defendera na época do torneio, assinalou 13 gols, um recorde não alcançado até os dias de hoje, e inimaginável para o futebol moderno. Em apenas seis partidas, assombrou o mundo com sua habilidade e faro de gol.

Comandante de uma maravilhosa seleção francesa, ao lado de Raymond Kopa, Fontaine ocupa a quarta colocação na tabela de maiores goleadores da história dos Mundiais - apenas atrás de Miroslav Klose (16), Ronaldo (15) e Gerd Muller (ambos com 14), um tento à frente do Rei do Futebol.

Porém, antes de cravar seu nome na história das Copas do Mundo, Fontaine teve um início de carreira em uma desconhecida equipe: o USM Casablanca, do Marrocos, na época, ainda uma colônia francesa. Com o time, o veloz atacante conquistou a Copa dos Campeões do Norte da África e chamou a atenção da metrópole europeia. Três anos depois de começar no esporte, o jogador desembarcou em Nice no ano de 1953 para tornar-se um ídolo nacional.

Logo em sua primeira temporada, Fontaine venceu a Copa da França de 1954 e conquistou um lugar na seleção francesa. Na sua estreia com a camisa azul, o atacante marcou um belíssimo gol na goleada por 8 a 0 sobre Luxemburgo, em duelo válido pela última rodada das Eliminatórias para a Copa da Suíça. Fora da convocação final para o torneio, o jogador acabou afastado por muito tempo da equipe nacional e por pouco não passou em branco quatro anos depois.

Descartado do qualificatório para o Mundial da Suécia, Fontaine foi convocado para a competição. Na primeira partida francesa, o jogador marcou três gols na goleada impiedosa por 7 a 3 sobre o Paraguai. A atuação na estreia já o credenciava a imortalizar o número 13, que carregava nas costas. Mas o embalo manteve-se na derrota frente à antiga Iugoslávia: 3 a 2 para os adversários, com dois gols do oportunista.

A derrota colocou em risco a classificação francesa às fases finais, contudo, Fontaine e seu companheiro de seleção Kopa descartaram qualquer risco de eliminação ante a Escócia: vitória por 2 a 1, com um gol de cada. Nas quartas de final, a França voltou a exibir-se maravilhosamente e massacrou a Irlanda do Norte por 4 a 0. O camisa 13, por sua vez, balançou as redes duas vezes.

Talento brasileiro/goleador francês

Considerado um dos melhores times da Copa da Suécia, a França encarou por uma vaga na final o Brasil, que apresentava ao mundo o jovem Pelé. Logo no início do confronto, Vavá abriu o placar para os sul-americanos. Entretanto, Fontaine respondeu e balançou as redes mais uma vez no torneio. A partida seguiu equilibrada até o final da primeira etapa, que terminou com vantagem para a equipe de Vicente Feola por 2 a 1.

No entanto, entre todos os talentos dentro das quatro linhas, Pelé provou ser o maior de todos. Com três gols, o camisa 10 brasileiro definiu a classificação para a final. Nos instantes finais, Piantoni descontou. Derrota por 5 a 2 e busca pelo consolo na disputa pelo terceiro lugar.

Um dos destaques do torneio, Fontaine brilhou na briga pelo bronze no país escandinavo. Com quatro gols, o artilheiro finalizou sua única participação em Copas do Mundo ao somar 13. O terceiro lugar da França, que venceu por 6 a 3 a Alemanha Ocidental, teve como protagonista um atacante baixo, mas de rara habilidade e com uma capacidade de finalização esplêndida.

O homem que superou Platini e Zidane

A atuação brilhante em 1958 rendeu a Fontaine o prêmio Jubileu da Uefa. No 50º aniversário da maior entidade do futebol europeu, no ano de 2004, o camisa 13 superou os meio-campistas Michel Platini e Zinedine Zidane e conquistou o título de maior jogador francês da história. Com a camisa dos Bleus, o atacante contabilizou 30 gols em apenas 21 confrontos, o que garante uma média de 1,4 gols por partida ao primeiro grande ídolo do futebol francês.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Profissional completo e um dos melhores goleiros de todos os tempos

Um dos goleiros mais completos da história do futebol. Esse foi Oliver Rolf Kahn, ídolo incontestável do esporte alemão. Nascido no distrito de Karlsruhe e dono de uma "'cara de poucos amigos", Kahn começou a jogar futebol aos 17 anos. Aos 21, estreou no Campeonato Alemão com o Karlsruher SC e já se mostrava uma grande promessa.

Permaneceu no clube de sua cidade natal de 1987 a 1994. Foi jogando pelo Karlsruher que ele alcançou sua primeira convocação para a disputar a Copa do Mundo, em 1994, nos EUA, embora não tenha atuado em nenhuma partida, ficando na reserva de Boldo Ilgner. O fato de representar seu país em um Mundial, por outro lado, o valorizou, e Kahn acabou negociado com uma das maiores equipes do futebol alemão: o Bayern de Munique. Como se não bastasse, a venda para o time bávaro tornou-se, à época, a mais cara da Alemanha envolvendo um goleiro: € 2,5 milhões.

A estreia pela seleção alemã não demorou a acontecer. Em junho de 1995, em uma vitória por 2 a 1 sobre a Suíça, na cidade de Berna, Kahn estreava como goleiro da Die Mannschaft. Dono de um espírito de liderança invejável, o guarda-meta assumiria o posto de capitão da equipe nacional logo que Oliver Bierhoff, outro grande ídolo do futebol do país, encerrasse a carreira.

Tornou-se titular do Bayern com pouquíssimo tempo no clube. Entretanto, uma lesão grave no joelho assustaria os fãs daquele que demonstrava potencial para tornar-se ícone nacional. Kahn ficou cinco meses afastado dos gramados, recuperando-se do problema. Contradizendo qualquer temor em relação ao seu retorno, firmou-se novamente como dono da camisa 1 do clube bávaro logo que voltou aos gramados.

Apesar da carreira gloriosa e da idolatria que construía junto à torcida do Bayern, Kahn ainda não havia se tornado a grande referência da seleção alemã em sua posição. Convocado tanto para a Eurocopa de 1996, quanto para a Copa do Mundo de 1998, na França, continuou como reserva. Desta vez, o preferido para assumir a meta da equipe foi Andreas Kopke. Foi justamente quando este encerrou sua carreira que Oliver Kahn "completaria" seu currículo com a titularidade no gol alemão.

 

Melhor fase da carreira

 

A melhor fase da carreira de Kahn iniciou-se no ano de 2000. Eleito o melhor jogador da Europa, ele conquistou uma sequência de feitos que colocariam seu nome na história: na temporada 2001/02, foi campeão alemão e da Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique. Convocado como goleiro titular da Alemanha na Copa de 2002, sediada no Japão e na Coreia do Sul, foi considerado um dos maiores responsáveis pela chegada de sua equipe à final da competição.

Embora tenha sido derrotado pelo Brasil no último jogo do Mundial, quando falhou no primeiro gol de Ronaldo, ganhou a Bola de Ouro, como melhor jogador, e o Yashin Award, prêmio concedido ao melhor goleiro da Copa. Por fim, ainda em 2002, foi considerado pela Fifa o segundo melhor jogador do mundo, atrás apenas do próprio Ronaldo. Em um documentário elaborado pela instituição máxima do futebol, Kahn chegou a ser citado como o melhor goleiro de todos os tempos.

Reserva da seleção durante toda a Copa do Mundo de 2006, atuaria apenas na disputa do terceiro lugar, quando a Alemanha bateu Portugal por 3 a 1. Encerrou a carreira com classe, no dia 17 de maio de 2008, em uma vitória por 4 a 1 do Bayern sobre o Hertha Berlim.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O maior artilheiro da história das Copas do Mundo

Filho de um jogador de futebol alemão e de uma jogadora de handebol polonesa, Miroslav Klose entrou para a história do futebol ao se estabelecer como maior artilheiro das Copas do Mundo, com 16 gols. A marca foi alcançada em 2014, no Brasil, quando, enfim, se sagrou campeão mundial com a Alemanha após um vice-campeonato e outros dois terceiros lugares nas últimas edições do principal evento esportivo do planeta.

Embora tenha escrito seu nome na história do futebol alemão e mundial, Klose nunca foi um jogador que se destacou por aquilo que podia fazer com a bola nos pés. Longe de ser um dos mais habilidosos da Die Mannschaft, o centroavante, no entanto, mostrou bastante eficiência em todas as vezes que defendeu o país pelo qual é naturalizado – nasceu na Polônia, mas viveu os primeiros anos de sua vida em Auxerre, na França, onde seu pai atuava.

Mesmo não tendo a mesma intimidade que seus pais com os esportes, Miroslav Klose teve a persistência e o “sangue frio” como duas das principais características de sua carreira. Revelado pelo Kaiserslautern, atualmente na Segunda Divisão alemã, o centroavante acabou convencendo o técnico da seleção nacional a convocá-lo para a Copa do Mundo de 2002 e, mesmo recebendo uma série de críticas por ser considerado superestimado, permaneceu calado, respondendo dentro de campo, com um hat-trick logo na estreia do Mundial, contra a Arábia Saudita – ele ainda balançou as redes mais duas vezes no torneio, contra Irlanda e Camarões.

Posteriormente, na Copa do Mundo de 2006, que aconteceu em seu país, Klose mostrou que tinha potencial para ser a referência de ataque da equipe anfitriã e, inclusive, terminou como artilheiro do torneio, com cinco gols, além do frustrante terceiro lugar em casa.

Quatro anos mais tarde, na África do Sul, mais quatro gols e novamente uma terceira colocação. Apesar de contabilizar cada vez mais gols nos Mundiais, faltava-lhe o tão sonhado título. Aos 36 anos, coube ao veterano comemorar mais dois tentos, um na fatídica goleada de 7 a 1 sobre o Brasil, para ajudar o seu país a chegar à mais uma final e desta vez ficar com o caneco após vencer a Argentina, no Maracanã.

Depois de superar o recorde de Ronaldo, que até então era o maior artilheiro das Copas, com 15 gols, na terra de seu concorrente, Miroslav Klose já não precisava mais provar nada a ninguém. Contrariando todas as previsões, o centroavante jamais teve um desempenho tão notório nos clubes pelos quais passou (Werder Bremen, Bayern de Munique e Lazio), quanto teve na seleção alemã, e justamente por isso, após encerrar sua carreira em novembro de 2016, decidiu continuar vivendo o ambiente da Die Mannschaft através do cargo de auxiliar técnico de Joachim Low, comandante da equipe nacional.

Basta saber se em 2018, na Rússia, a presença de Miroslav Klose vai inspirar a nova geração a ir em busca do bicampeonato mundial, algo que não acontece desde 1962, quando o Brasil ficou com o título no Chile depois de ter se sagrado campeão em 1958, na Suécia. A Copa do Mundo também pode fazer com que o agora auxiliar técnico da seleção alemã seja superado por Thomas Muller como maior artilheiro da história dos Mundiais. Aos 28 anos, o atleta do Bayern de Munique soma 10 gols no torneio e está a apenas seis de igualar o feito do ex-jogador.

*Narração: Marcos Antomil. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O "Diamante Negro", eternizou a bicicleta e foi artilheiro do Mundial de 1938

Maior vencedora da Copa do Mundo, com cinco títulos, a Seleção Brasileira de futebol nem sempre foi uma potência no cenário esportivo. O nível da equipe verde-amarela começou a ser elevado definitivamente em 1938, quando o atacante Leônidas da Silva assumiu papel de protagonista no time nacional e foi o grande destaque do Mundial daquele ano, sendo artilheiro, com sete gols, e eleito melhor jogador.

Nascido em 6 de setembro de 1913, no Rio de Janeiro, Leônidas da Silva jogou por clubes do subúrbio de São Cristóvão em sua juventude e chegou ao futebol profissional em 1929, defendendo o Sírio Libanês. Dois anos depois, passou a atuar pelo Bonsucesso, clube em que chamou a atenção e foi convocado para defender a seleção carioca.

O desempenho pelo Bonsucesso atraiu olhares não só da população local, mas também do treinador da Seleção Brasileira, Luiz Vinhaes, que resolveu chamá-lo para o jogo-treino contra o Andarahy, no Estádio das Laranjeiras, em 27 de novembro de 1932. O atacante entrou em campo, não balançou as redes e acabou ofuscado pela atuação de Preguinho, do Fluminense, que marcou cinco gols na vitória por 7 a 2 da equipe verde-amarela.

No entanto, o primeiro grande momento pela Seleção não demorou a acontecer. Uma semana mais tarde, Leônidas foi titular e marcou dois gols na vitória por 2 a 1 sobre o então campeão mundial, Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Os gols garantiram não só prestígio ao atacante, como também o título da Copa Rio Branco e o acerto com o Peñarol, um dos maiores clubes do país sul-americano.

O atleta defendeu o time uruguaio durante uma temporada e retornou ao futebol nacional em 1934 para jogar pelo Vasco da Gama, conquistando pela primeira vez o Campeonato Carioca. Em boa fase no time cruz-maltino, Leônidas foi convocado para a Copa do Mundo daquele ano. O atacante marcou o único gol brasileiro no torneio, mas não evitou a derrota por 3 a 1 para a Espanha e a eliminação logo na estreia da competição.

Após o Mundial, deixou o Vasco da Gama e foi contratado pelo Botafogo, sendo novamente campeão estadual. Na temporada seguinte, acertou vínculo com o Flamengo. Foi na equipe rubro-negra que Leônidas obteve maior estabilidade e chegou à Copa do Mundo de 1938 como um dos destaques. O atacante liderou a Seleção até a semifinal, fase em que ficou de fora da partida contra Itália por motivos controversos e viu o time sucumbir por 2 a 1.

O Diamante Negro

 

O Brasil ainda disputou mais uma partida naquele Mundial e venceu a Suécia por 4 a 2, com dois gols de Leônidas, e garantiu o terceiro lugar, sendo esta sua melhor posição na competição até então. O “Diamante Negro” foi o artilheiro do torneio, com sete gols, e eleito melhor jogador. Com isto, ganhou prestígio junto ao grande público e passou a atuar como garoto propaganda dos Cigarros Leônidas. Além disso, foi homenageado pela Lacta, que usou o apelido do jogador para nomear um de seus chocolates.

Ao contrário do que era esperado, a Copa do Mundo de 1938 foi a última de Leônidas. A Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) fez com que a competição não fosse realizada em 1942 e 1946, retornando ao calendário apenas em 1950.

Leônidas ainda conquistou a Copa Roca de 1945 antes de deixar a Seleção, em 1946. Ao todo, foram 37 gols em 37 partidas pelo time verde-amarelo, sendo o maior artilheiro absoluto do Brasil ao lado de Quarentinha (17 gols em 17 jogos).

O atleta encerrou sua carreira em 1950, pelo São Paulo, clube que defendia desde 1942, e marcou 140 de seus 406 gols como profissional. Para contratá-lo do Flamengo, o time tricolor desembolsou 200 contos de réis e gerou a maior transação do futebol sul-americano na época. Leônidas ainda foi treinador da equipe paulista em quatro oportunidades, sendo a última delas em 1955.

Em situação debilitada por causa do Mal de Alzheimer, o ex-jogador passou seus últimos anos de vida internado em uma clínica na cidade de Cotia, em São Paulo. A morte ocorreu em 24 de janeiro de 2004.

 

Gol de Bicicleta

 

Muito embora alguns apontem que Petronilho de Brito - ponta de lança que atuou em extintos times do futebol paulista e também no San Lorenzo, da Argentina - tenha sido o inventor da bicicleta, Leônidas da Silva foi o responsável por aperfeiçoar e popularizar o vistoso lance.

O são-paulino eternizou a jogada na qual o atleta acerta um voleio em posição horizontal, mandando a bola com força na direção oposta à do corpo. Um momento de extrema beleza e de grande dificuldade. Leônidas fez a bicicleta em diversas oportunidades, inclusive na Copa do Mundo de 1938.

Na mais famosa delas, em 13 de novembro de 1948, foi flagrado durante o movimento por um fotógrafo, em um dos mais famosos registros da genialidade do jogador. Atuava pelo São Paulo em uma partida contra o Juventus na qual o Tricolor Paulista venceu por 8 a 0.

*Narração: Vinicius Rodrigues. Edição: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Cinco participações em Copas, capitão e um dos principais nomes do futebol alemão

Foi em 21 de março de 1961 que nasceu uma das maiores estrelas de toda a história do vitorioso futebol alemão. Um dos jogadores mais inteligentes do futebol mundial nas décadas de 1980 e 1990, o meio-campista Lothar Matthäus possuía em seu futebol as qualidades que resumiam perfeitamente o estilo de jogo da Alemanha.

Aliando uma aplicação tática impressionante com um passe preciso e um chute fortíssimo, marcou seu nome na seleção germânica em Copas do Mundo. Foi também grande destaque de dois dos maiores times do mundo, o Bayern de Munique e a Internazionale de Milão, equipes nas quais consolidou sua carreira e imagem em todo o planeta do futebol.

Destaque das categorias de base do pequeno Herzogenaurach, da então Alemanha Ocidental, Matthäus ganhou sua primeira chance como profissional do futebol logo aos 18 anos, época em que foi contratado pelo Borussia Mönchengladbach, equipe que se mantinha no topo do futebol alemão na década de 1970. A técnica e a liderança que o então jovem demonstrava dentro dos campos fizeram com que logo seu talento fosse utilizado pela seleção de base do país. O começo no time da elite alemã foi promissor.

 

Primeira chance na Seleção

 

A má fase do time de Matthäus, com a seca de títulos que viria, não influenciou na imagem do jogador perante os especialistas do futebol alemão e sua primeira chance na seleção principal da Alemanha Ocidental não tardou a acontecer. Convocado para a Eurocopa de 1980, o meio-campista viu seu primeiro jogo com a camisa alemã ser quase um desastre. Muito mal na partida, o atleta chegou a fazer pênalti que quase deu à Holanda o gás necessário para virar uma partida que começou com 3 a 0 para a Alemanha. Por conta disso, foi para o banco de reservas e não teve participação efetiva no título alemão.

A eficiência no futebol de Matthäus, no entanto, fazia sua presença entre os convocados da seleção ser incontestável após o título. E o jogador foi, a cada convocação, cravando cada vez mais um lugar cativo entre os principais da equipe.

Mesmo sem ter muitas chances como titular, Matthäus começou em 1982 a construir um recorde que permanece até hoje: o de jogador que mais atuou em Copas do Mundo (25 jogos). Logo em sua primeira participação, obteve o vice-campeonato, perdendo a final para a Itália de Paolo Rossi. Dois anos mais tarde, a pífia campanha alemã na Eurocopa, quando não obteve sequer classificação para a segunda fase, seria um dos piores momentos da carreira do meia. A possível falta de sorte com o vice-campeonato na Copa e o desempenho na Euro, no entanto, acabariam com a transferência para o Bayern de Munique, gigante alemão.

Escolhido como o substituto dos ídolos Paul Breitner e Karl-Heinz Rummenigge, Matthäus não decepcionou nem um pouco os torcedores bávaros. Somou títulos atrás de títulos e conseguiu se firmar como um dos principais jogadores do país, conseguindo seu primeiro título da Bundesliga em sua primeira temporada em Munique. Deste modo, chegou à Copa de 1986, no México, como um dos líderes da seleção alemã. Com a camisa 8, foi um dos principais responsáveis pela chegada do time à sua segunda final de Mundial consecutiva. O resultado, no entanto, não se fez diferente do obtido quatro anos antes. Diante da Argentina, de Maradona, Matthäus, agora titular, foi novamente vice-campeão.

O novo vice na Copa fez com que a imagem de Matthäus começasse a se desgastar no território alemão. Depois do título da Bundesliga em sua temporada de estreia no Bayern, em 1984/85, conseguiu ainda mais dois títulos do torneio, em 1985/86 e 1986/87. Em 1988, o clube alemão aceitou proposta da Internazionale e o jogador desembarcou em Milão para integrar um elenco lendário.

 

Ídolo em Milão

 

Enquanto se tornava um ídolo em Milão com a conquista do título italiano em 1988/89, desbancando o Milan de Gullit e o Napoli de Maradona, Matthäus continuava não tendo muita sorte com a seleção alemã. Com a Eurocopa de 1988 sediada na Alemanha Ocidental, o favoritismo da equipe da casa era evidente. E um novo revés, desta vez nas semifinais, diante da Holanda, aumentou ainda mais a crise que tomava conta do selecionado alemão. A chance de reverter a situação estaria na Itália, país-sede da Copa do Mundo de 1990. E foi então que o jogador, se sentindo em casa no país, mostrou provavelmente o seu melhor futebol defendendo a camisa germânica.

 

A Vingança na Copa

 

Com três gols nos três primeiros jogos da primeira fase e com a braçadeira de capitão, Matthäus desfilava um futebol decisivo, frio e eficiente. Conseguiu a vingança da derrota na Euro-88 ao eliminar a Holanda nas oitavas de final, jogando em seu palco preferido, o Giuseppe Meazza, em Milão. Nas quartas de final, fez o gol decisivo contra a Tchecoslováquia, ao converter penalidade máxima. Com quatro gols no Mundial, o jogador ainda foi extremamente decisivo na partida semifinal, na qual a Alemanha eliminou a Inglaterra nas cobranças de pênaltis.

Na final, a chance da vingança máxima para todos os alemães. Estavam frente a frente de novo a Alemanha e a Argentina, Matthäus e Maradona. E desta vez a história finalmente foi diferente para os europeus.

Após 16 anos, a Copa do Mundo voltava a ser alemã. Matthäus, consagrado como o melhor jogador do torneio, ainda conseguiria levar o primeiro título de Melhor Jogador do Mundo pela Fifa, em 1991.

Grave lesão

 

Uma grave lesão no joelho, em 1992, no entanto, fez com que a boa fase do jogador tivesse um hiato. A contusão fez Matthäus repensar sua carreira e uma volta ao Bayern de Munique foi a escolha do jogador, que acabou ficando fora de um momento histórico para seu país: a Eurocopa de 1992, quando pela primeira vez a Alemanha voltava a jogar unificada. Sem seu principal jogador, os alemães foram novamente vices, perdendo desta vez para a Dinamarca, na época conhecida como "Dinamáquina". A volta aos campos rendeu ainda um título da Bundesliga em 1993/94, o primeiro atuando como líbero, posição que passou a exercer após a contusão.

Ainda como capitão e principal jogador da Alemanha, ele viu, no entanto, sua seleção ser vítima, nas semifinais de 1994, de uma das maiores zebras na história das Copas do Mundo. A partida marcou a virada da Bulgária de Hristo Stoichkov, após gol de Matthäus, que, para muitos, garantiria a classificação alemã para sua quarta final seguida - o que seria, também, a quarta final consecutiva do jogador.

A eliminação alemã em 1994 não abaixou o prestígio de Matthäus em seu país. As lesões, no entanto, começaram a aparecer com maior frequência e causaram a segunda perda de Eurocopa seguida para o jogador. Enquanto isso, pelo Bayern, Matthäus continuava somando títulos, como a Copa da Uefa em 1995/96 e a Bundesliga em 1996/97, conquistas que renderam para o jogador a convocação para a Copa do Mundo de 1998, aquela que colocou o jogador definitivamente na história do futebol.

Na França, igualou o recorde do mexicano Antonio Carjabal, participando de cinco Copas do Mundo. E, apesar da campanha decepcionante, com eliminação para a estreante Croácia, Matthäus ainda conseguiu mais um recorde, o de jogador que mais atuou em Mundiais, com 25 partidas em cinco participações. A partir de então, sua carreira entrou em período de encerramento.

Ainda daria tempo de Matthäus participar da decepcionante campanha na Euro-2000, na qual a Alemanha não passou sequer da primeira fase. Pelo Bayern, falhou no mesmo ano na tentativa de conquistar o único título que lhe faltava, a Liga dos Campeões, quando os bávaros perderam para o Manchester United, em uma virada impressionante.

Para finalizar sua vitoriosa carreira, Matthäus ainda foi campeão alemão mais uma vez e, por fim, se transferiu ao Metrostars, dos Estados Unidos, após briga com a diretoria do clube alemão. Em solo americano, encerrou sua carreira aos 39 anos.

Seguiu, então, para se aventurar como treinador, começando em 2001 pelo Rapid Viena, da Áustria. Em 2006, teve passagem relâmpago pelo Atlético Paranaense, passando cerca de um mês e meio no Furacão.

*Narração: Vinicius Rodrigues. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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"El Pibe", ídolo argentino e um dos maiores jogadores da história do futebol

Diego Armando Maradona Franco nasceu em Lanús, na Argentina, no dia 30 de outubro de 1960. Meia-atacante de velocidade, explosão e bom drible, ele começou a sua carreira no futebol defendendo as cores do Argentinos Juniors. Por dois anos (entre 1980 e 1981), foi atuar no Boca Juniors, clube em que se tornaria ídolo maior.

Depois, foi jogar na Europa, onde defendeu o Barcelona (por duas temporadas) e o Napoli, em que ficou sete anos e escreveu definitivamente seu nome na história do clube. Em 1992 jogou no Sevilla e logo retornou para a Argentina, onde jogou por uma temporada no Newell's Old Boys, e encerrou a carreira no Boca Juniors em 1997, após ser flagrado no exame antidoping.

Lançamentos, passes, dribles, arrancadas... Seu repertório de jogadas com a perna esquerda renderam ao atleta diversos apelidos, como El Pibe de Oro e D10S (uma junção de Deus, em castelhano com a camisa 10 que imortalizou o craque). Ganhou uma o prêmio de melhor jogador do Mundial em 1986, uma indicação de melhor do mundo da revista World Soccer em 1986, além de ter sido eleito duas vezes o Rei da América, em 1979 e 1980.

A primeira participação do jogador em uma Copa do Mundo foi em 1982, na Espanha. Com a Argentina defendendo o título, o time contava com Mario Kempes e Dieguito no mesmo time, mas a parceria não rendeu. El Diez marcou apenas um gol no Mundial e sua seleção caiu na segunda fase, quando ficou no mesmo grupo da campeã Itália e do Brasil - foi expulso na derrota por 3 a 1 para a Seleção de Telê Santana.

 

A consagração

 

Em 1986, na Copa do Mundo do México, veio a consagração de um dos maiores jogadores de futebol da história. Com sete partidas realizadas e cinco gols marcados, um deles considerado um dos mais bonitos da história dos Mundiais (contra a Inglaterra, na vitória por 2 a 1 nas quartas de final), Maradona foi eleito o melhor do Mundial e seu time se sagraria bicampeão contra a Alemanha Ocidental (vitória por 3 a 2).

 

Era pouco para El Pibe. Mais amadurecido, com 30 anos, novamente ele vestiu a camisa 10 da sua seleção na Copa do Mundo da Itália em 1990 sonhando com o bicampeonato. Entretanto, apesar de boas atuações, o jogador não marcou nem sequer um gol em todo o Mundial.

A campanha da Argentina na primeira fase foi mediana. Maradona foi titular nas três partidas da primeira fase, não marcou gols e viu seu time ficar em terceiro no grupo B (atrás de Camarões e Romênia). Na sequência, a Albiceleste passou por um desmotivado Brasil por 1 a 0 (assistência de Dieguito), venceu a Iugoslávia e a Itália nos pênaltis, mas, na reedição da final de 1986, os sul-americanos levaram a pior contra a Alemanha Ocidental, de Klinsmann, Matthäus e Brehme (autor do gol do título).

 

A cocaína

 

Em 1991, Maradona teve sua carreira abalada pelo uso de cocaína. O presidente do Napoli (que brigou com o jogador quando este deixou o clube) afirmou que teve que burlar o exame antidoping diversas vezes para livrar o jogador.

A Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994, foi a última do craque argentino. Porém, o desempenho foi abaixo do esperado. Já veterano, Maradona marcou um gol, contra a Grécia (na primeira fase, goleada por 4 a 0), mas acabou suspenso por 15 meses por uso de efedrina, e a Argentina acabou eliminada pela Romênia, de Gheorghe Hagi, por 3 a 2.

Em 1997, após passagem frustrada pelo Boca, o jogador foi novamente flagrado no antidoping com o uso de cocaína e optou por abandonar a carreira. Após longo tempo de reabilitação, o ex-jogador voltou para o futebol. Em um momento conturbado da seleção da Argentina, o ídolo é contratado como treinador em outubro de 2008, substituindo Alfio Basile.

Mesmo com resultados medianos, a seleção se garantiu na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e Maradona xingou jornalistas, já que fora criticado por não dar um padrão para o time e convocar muitos jogadores. No entanto, a trajetória no Mundial foi interrompida pela derrota por 4 a 0 para a Alemanha nas quartas de final.

*Narração: Vinicius Rodrigues. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Um dos mais importantes jogadores da história do futebol da Tchecoslováquia

Oldrich Nejedly. Com este nome de difícil pronúncia em português, nascia no ano de 1909, um dia após o feriado do Natal, em Zebrak, na antiga Áustria-Hungria, um dos mais importantes atacantes da história da Tchecoslováquia.

De boa habilidade nos pés e a percepção para jogar tanto como centroavante quanto como segundo homem de frente, o avante liderou a campanha da Tchecoslováquia no Mundial de 1934, sendo derrotado apenas pela anfitriã Itália na grande final. Na campanha rumo à decisão, Nejedly balançou as redes uma vez contra a Romênia, uma contra a Suíça e três vezes contra a Alemanha.

Com estes números, o atacante foi eleito chuteira de ouro da competição, mas sua glória não foi totalmente alcançada graças ao selecionado anfitrião, que tratou de vencer a grande decisão por 2 a 1 e deixar a Tchecoslováquia com o segundo lugar da Copa de 34.

 

Batalha de Bordeaux

 

No Mundial seguinte, Nejedly novamente estava defendendo a seleção tchecoslovaca e, apesar da eliminação precoce de sua nação, não deixou de imprimir sua marca, anotando dois tentos na competição, um deles contra o Brasil, na chamada "Batalha de Bordeaux" - nome este dado devido à cidade sede do jogo, na França, e à truculência da partida em que o atacante saiu com a perna quebrada no empate por 1 a 1.

No mesmo confronto, o goleiro Frantisek Plánicka também sofreu uma grave fratura e teve de defender a baliza de sua equipe com um braço quebrado. Dois dias depois do resultado, no jogo-desempate, os brasileiros venceriam por 2 a 0, sem ambos os tchecoslovacos em campo.

 

Lesões e fidelidade

 

E não foi apenas na partida contra o Brasil na Copa do Mundo de 1938 que o atacante se machucou com gravidade. Antes disso, Nejedly passou por outras complicadas lesões. A primeira logo no começo de sua carreira, esta dedicada quase que integralmente ao Sparta Praga. Quando ainda vestia a camisa do clube que o formou, o Rakovník, aos 16 anos, em um jogo contra o Pilsen Olympia, Nejedly feriu gravemente seu joelho. Por isso, o jovem atleta passou o inverno inteiro impedido de andar, em uma clínica de Viena. Felizmente, o tratamento e a reabilitação foram realizados com sucesso, e, em seguida, joelheiras e tornozeleiras começaram a fazer parte inseparavelmente de seu uniforme.

Foi comprado do Rakovník Letna pelo Sparta Praga por 20 mil coroas em 1931, e logo em sua chegada à nova equipe já vestiu o manto vermelho como se fosse sua segunda pele, marcando 161 gols em 187 jogos pelo clube hoje da República Tcheca. Apesar do começo tímido no Sparta, Nejedly finalmente desencantou em um amistoso contra os maiores atletas da equipe. O avante teria até apostado com um companheiro que faria cinco gols no jogo, mas foi além e balançou as redes por oito vezes.

Assim, conseguiu seu ingresso de entrada para a seleção da Tchecoslováquia, pela qual estreou em um amistoso contra a Polônia e participou do primeiro dos quatro gols da vitória de sua equipe. No total, foram 43 partidas e 29 gols pelo selecionado nacional. Pelo Sparta, Nejedly conquistou os títulos nacionais de 1931, 1932, 1936 e 1938, conquistando ainda a Sparta Central Cup, maior competição de clubes da Europa, em 1935.

*Narração: Vinicius Rodrigues. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Carrasco do Brasil, envolvido em escândalo e campeão mundial

Um dos maiores carrascos da história da Seleção Brasileira, Paolo Rossi nasceu na cidade de Prato, na Itália, no dia 23 de setembro de 1956. Sua carreira foi marcada por muitos altos e baixos, dando os primeiros passos no futebol no Cattolica Virtus. Depois, atuou por Juventus (com duas passagens), Como, Vicenza, Peruggia e Milan. Encerrou sua carreira no Hellas Verona, formando ataque com o dinamarquês Preben Elkjær Larsen.

Antes de ser promovido como jogador profissional, Rossi sofreu com três contusões no joelho, o que prejudicaria o final de sua carreira. Sua primeira convocação ocorreu após ser artilheiro no Vicenza e, com isto, o jogador ganhou do técnico Enzo Bearzot a camisa 21 da Itália que disputou a Copa do Mundo de 1978 na Argentina, quando a Azzurra ficou com a quarta colocação (após perder para o Brasil na disputa do terceiro lugar).

 

Escândalo no futebol

 

Quando se mostrou pronto para firmar sua carreira, Paolo Rossi se envolveu em um esquema de manipulação de resultados em 1980, em um escândalo que ficou conhecido como Totonero. Clubes como Milan e Lazio foram punidos e 19 jogadores sofreram punições que variavam de três meses a seis anos de afastamento. Rossi pegou três anos de 'gancho'. Entretanto, a pena do artilheiro foi reduzida para apenas duas temporadas e, em 1982, o jogador realizou apenas três jogos, mas superou a concorrência de Roberto Pruzzo (artilheiro da Roma), garantindo a convocação para sua segunda Copa do Mundo, desta vez com a camisa 20.

Paolo Rossi, porém, demorou para engrenar no Mundial que foi disputado na Espanha. O jogador estava guardando seu melhor para o momento decisivo. E isto ocorreu quando a Itália enfrentou o Brasil na segunda fase da competição: 3 a 2 para a Azzurra, com três gols de Rossi. A Seleção Brasileira encantava o mundo com seu futebol, mas caiu diante de um jogador que ficou marcado para sempre como carrasco.

Como se não bastasse, o atacante embalou uma sequência de bons jogos na fase decisiva da Copa de 1982 e, na semifinal, fez os dois gols da sua seleção que enfrentou e derrotou a Polônia, de Zbigniew Boniek.

Faltava, porém, a consagração na grande decisão. E ela ocorreu contra a Alemanha Ocidental, de Karl-Heinz Rummenigge. Vitória por 3 a 1 para os italianos com direito a gol de Rossi aos 12 minutos do segundo tempo. Com isto, o camisa 20 chegou aos seis tentos marcados na Copa do Mundo e se tornou artilheiro isolado. Com o grande desempenho no Mundial, o avante conquistou a Bola de Ouro da revista France Football (maior honraria individual para um jogador até 1991).

Enzo Bearzot voltou a chamar seu pupilo para a Copa do Mundo do México em 1986, mas o jogador sequer entrou em campo. Era a fase final de sua carreira e os gols já não saíam com a mesma naturalidade, uma vez que seu físico começava a sentir as lesões.

Rossi encerrou a carreira aos 31 anos e, depois, publicou uma biografia cujo título remete ao auge de sua carreira: "Ho fatto piangere il Brasile" ("Fiz o Brasil chorar").

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O maior de todos os tempos

Maior jogador de futebol de todos os tempos, rei de todos os estádios, cidadão do mundo e atleta do século. Estas foram algumas das denominações criadas para caracterizar Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. Porém, as hipérboles são insuficientes para explicar tal fenômeno da natureza. Com muita propriedade, ele mesmo definiu: “Pelé é coisa de Deus, é difícil explicar, não vai nascer mais”.

Predestinado, o filho de Dondinho e Dona Celeste deixou a pequena cidade de Três Corações direto para o estrelato. Um gênio dentro das quatro linhas, Pelé rompeu todos os obstáculos apenas com seu talento, sem fazer muito esforço. O primeiro problema superado foi a reticência da própria mãe, que não queria mais um jogador de futebol dentro de casa além do marido, mas acabou cedendo.

Como quase tudo na vida do craque, as coisas aconteceram rápido. Aos 17 anos, o primeiro de seus cinco títulos mundiais. A taça na Suécia marcou o começo da mística da camisa 10, eternizada pelo atleta.

 

Superando marcas

 

São tantos os recordes conquistados pelo jogador que eles até parecem insignificantes. Seja com a camisa do Santos, do Cosmos ou da Seleção Brasileira, Pelé rompeu todas as marcas. Sua rara habilidade com a bola nos pés, aliada a um comportamento cordial fora do gramado, proporcionou diversos prêmios de veículos especializados e honrarias oferecidas por países e cidades.

Representando as cores do Peixe, o Rei faturou seis títulos do Campeonato Brasileiro, dez do Campeonato Paulista, quatro do Torneio Rio-São Paulo, dois da Copa Libertadores da América e dois do Mundial Interclubes. Além dos troféus, o eterno camisa 10 encantou o País com golaços e atuações de gala, como no duelo histórico com o Palmeiras que terminou em vitória santista por 7 a 6, em 6 de março de 1958. Já pelo Cosmos, quando se juntou à lenda alemã Franz Beckenbauer, as conquistas não foram interrompidas, e Pelé se tornou campeão norte-americano em 1977.

"Pelé é coisa de Deus, é difícil explicar, não vai nascer mais"

A mística camisa 10

 

O sonho de quase todo garoto que começa a jogar futebol é vestir a camisa 10 de seu time. O número carrega uma história, uma mística e é sempre uma responsabilidade usá-la. Na maioria das vezes, é o craque do time que recebe essa missão. Mas não foi sempre assim. Antes de Pelé, o número das camisas de futebol era algo usado meramente para identificar os jogadores.

Só que tudo isso mudou quando aquele brasileiro de apenas 17 anos assombrou o mundo na Copa de 1958. O mais curioso é que a escolha de Pelé para vestir a camisa 10 da Seleção aconteceu por acaso. Antes da Copa da Suécia, os dirigentes brasileiros mandaram a relação de jogadores convocados para a competição. Só que eles se esqueceram de dar o número aos atletas.

Para resolver o problema, um dirigente uruguaio que estava na sede da Fifa na ocasião acabou escolhendo os números dos brasileiros. O detalhe era que o uruguaio não conhecia os jogadores. Com isso, o Brasil foi para a Suécia com a numeração mais incomum da história das Copas. O goleiro Gilmar jogou com a 3, Garrincha, ponta-direita, jogou com a 11, e Didi, meia, acabou com a 6. E o destino quis que Pelé ficasse com a 10.

A partida inesquecível

 

Foi o próprio Pelé quem escolheu Brasil 1 x 0 Inglaterra, na Copa de 1970, sua partida inesquecível. A dramática vitória pela contagem mínima foi de vital importância para a Seleção chegar ao tricampeonato no México. Segundo a imprensa da época, o confronto seria uma final antecipada do Mundial, já que estariam em campo os campeões de 58 e 62 e a campeã de 66.

Uma derrota não seria o fim de um sonho, mas a vitória, em termos de composição de tabela, facilitaria a busca pelo título. E foi o que aconteceu. Por ser a primeira colocada no grupo, a Seleção Brasileira permaneceu em Guadalajara, contando com o apoio da torcida. E ainda enfrentou a inexperiente seleção peruana, treinada por Didi. A Inglaterra ficou com a segunda posição e teve de encarar a forte seleção alemã. Resultado: o Brasil passou pelo Peru (4 a 2) e os ingleses foram desclassificados pela Alemanha (3 a 2).

Brasil e Inglaterra jogaram com cautela no primeiro tempo, pois havia muito respeito entre as equipes. A tática brasileira para surpreender o adversário era o contra-ataque. E foi em uma jogada iniciada por Jairzinho que Banks, goleiro inglês, fez a defesa mais perfeita da história dos Mundiais.

Entrando em diagonal pela direita, o "Furacão da Copa" cruzou para a área, onde Pelé estava entre a marca do pênalti e a linha da pequena área. Ele subiu e cabeceou com força para baixo, no canto esquerdo. Banks, que estava no meio do gol, num voo espetacular, espalmou a bola para escanteio.

No segundo tempo, os ingleses ficaram na defesa, dando a impressão de que estavam satisfeitos com o empate. Porém, aos 15 minutos, Tostão fez um lance que destruiu a retranca adversária. Ele passou a bola por entre as pernas de um zagueiro, rodopiou sobre ela, tirando dois adversários da jogada, e, acossado por Bobby Moore, cruzou à meia altura. Pelé dominou a bola com o pé direito e, cercado por três ingleses, rolou mansamente para Jairzinho chutar e fazer o gol da vitória.

Em desvantagem no placar, a Inglaterra trocou a forte marcação pelo jogo ofensivo. Alf Ramsey, o técnico inglês, substituiu o experiente Bobby Charlton por Bell, e Lee, por Astle, dois bons finalizadores. Nos minutos finais, em três oportunidades, os ingleses estiveram próximos do empate. Em uma delas, Astle, sozinho diante de Félix, chutou por cima. Depois da partida, enquanto trocava camisas com Pelé, Bobby Moore disse: "fizemos o que nosso técnico pediu: 'Não deixem o Pelé chutar'. Ele só não pediu para que não o deixássemos dar um passe..."

 

Lances geniais

 

Nenhum outro jogador deixou tantas jogadas espetaculares na memória popular. Dois desses lances, realizados em Copas do Mundo, merecem atenção especial. Foram momentos de grande genialidade, em que Pelé deixou gravada toda sua maestria na arte de jogar futebol.

O primeiro aconteceu em 1970. No jogo de estreia da Seleção Brasileira na Copa do México, contra a Tchecoslováquia, Pelé quase marcou um gol que o mundo inteiro jamais iria esquecer.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, quando a partida estava empatada por 1 a 1, Pelé, do meio de campo, percebeu que o goleiro Viktor se encontrava adiantado e chutou daquela distância, sem que ninguém esperasse. A bola foi caindo e o goleiro, que se encontrava na altura da marca do pênalti, recuou desesperadamente para tentar impedir o gol. Para sua sorte, a bola passou rente ao travessão. Desde então, vários jogadores imitaram o lance inventado por Pelé. Os que acertam, invariavelmente, ouvem que fizeram "o gol que Pelé não fez".

Outra jogada antológica foi contra o Uruguai, nas semifinais do mundial do México. Sem tocar na bola, Pelé driblou o goleiro Mazurkiewicz e chutou meio desequilibrado, num último esforço. O chute saiu cruzado e a bola passou perto da trave direita.

 

Tricampeão mundial

 

Com a camisa da Seleção, Pelé disputou quatro Copas do Mundo. Depois de ter brilhado aos 17 anos na edição de 1958, o Rei não conseguiu ajudar muito na conquista do torneio seguinte, em 1962, pois sofreu uma lesão logo na segunda partida do Brasil e não teve mais condições de jogar, deixando o comando da equipe para Garrincha.

Já em 1966, depois de uma preparação desorganizada do Brasil, Pelé e os demais jogadores não conseguiram repetir as atuações das duas Copas anteriores. Assim, a equipe dirigida por Vicente Feola foi eliminada na primeira fase, acumulando derrotas para Hungria e Portugal, que brilhava com Eusébio. A única vitória foi na estreia, por 2 a 0 sobre a Bulgária, na última partida de Pelé e Garrincha juntos. A Seleção nunca perdeu com ambos em campo.

Para se recuperar em Copas, Pelé foi o craque de uma das melhores equipes de todos os tempos, a Seleção de 1970, formando um sistema ofensivo com Jairzinho, Gérson, Tostão e Rivellino. A vitória por 4 a 1 sobre a Itália na decisão deu ao Brasil o direito de ficar com a Taça Jules Rimet e ainda marcou a melhor despedida possível do Rei em Mundiais.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Ídolo na França sem ter conquistado uma Copa do Mundo 

Assim como Zico e Johan Cruyff, Michel Platini é um dos nomes mais citados no que diz respeito a craques que não conquistaram uma Copa do Mundo. Reconhecidamente um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, o meia francês acumulou uma vasta coleção de troféus ao longo de sua carreira, porém, seu futebol inteligente, elegante e habilidoso não foi suficiente para levar o título máximo do esporte para a França.

Nascido na pequena cidade de Joeuf, no dia 21 de junho de 1955, iniciou sua carreira no clube local e, logo aos 16 anos de idade, chamou a atenção do Metz, porém, por conta de seu físico pouco privilegiado, acabou sendo preterido na equipe. Sorte do Nancy, que viu o talento que crescia no atleta e realizou sua contratação em setembro de 1972. Depois de sofrer com algumas lesões, o meia foi a principal peça de sua equipe na conquista da segunda divisão francesa, anotando 17 gols e mostrando que seria um dos maiores cobradores de faltas do futebol.

Mesmo em um clube de pouca expressão, Platini conquistou seu primeiro título importante em 1978, quando fez o gol da magra vitória do Nancy sobre o Nice, na final da Copa da França. Seu futebol já rendia convocações para a seleção francesa desde 1976, quando estreou com gol diante da forte Tchecoslováquia. Como aquele era ano de Copa do Mundo, o jogador fez sua primeira participação na competição mais importante do futebol.

A campanha no torneio disputado na Argentina foi um fracasso, a França foi eliminada ainda na primeira fase, em um grupo que contava com Itália, Hungria e os donos da casa. Titular, mas ainda vestindo a camisa 15, Platini fez seu primeiro gol em Mundiais contra os anfitriões, na derrota dos Bleus por 2 a 1, no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires.

Já considerado o melhor jogador do seu país, Michel Platini ficou apenas mais um ano no Nancy. Foi pretendido por equipes como Olympique de Marseille, Paris Saint-Germain e até a poderosa Internazionale de Milão, mas seu destino foi o Saint-Etienne, equipe que dominava o futebol francês naquele momento. Pelos alviverdes jogou até 1982, quando se transferiu para a Juventus de Turim, e conquistou um título da Ligue 1.

No mesmo ano em que assinou com a equipe italiana, o meia teve sua segunda oportunidade de disputar uma Copa do Mundo, desta vez com status de estrela e com o número 10 nas costas.

Durante as Eliminatórias, o atleta foi o responsável pelo gol da classificação francesa, em uma linda cobrança de falta contra os holandeses. Diferente da disputa anterior, a França conseguiu avançar até as semifinais, quando acabou sendo eliminada pela Alemanha Ocidental, em partida decidida apenas nas cobranças de pênalti. O jogador balançou as redes duas vezes no torneio.

Dois anos mais tarde, Platini atingia seu auge com a camisa da seleção francesa, liderando a equipe na conquista da Eurocopa, maior título do país até aquele momento. Na competição, que foi disputada em solo francês, o meio-campista anotou nove gols em apenas cinco jogos, inclusive na final contra a Espanha, e alcançou a artilharia.

Ainda em 1984, levantou o troféu do Campeonato Italiano pela Juventus e ganhou o seu segundo prêmio de Melhor Jogador Europeu, feito que seria repetido no ano seguinte. Em 1985, ajudou a Velha Senhora na conquista da Liga dos Campeões da Europa, anotando o único gol da vitória sobre o Liverpool, e levou a sua terceira Bola de Ouro. A partida marcou o desastre do Estádio Heysel, quando 39 pessoas morreram. No final do ano, ainda levantou a taça do Mundial Interclubes, em Tóquio, ao vencer o Argentinos Juniors, nos pênaltis.

Já aos 33 anos de idade, Michel Platini teve a chance de disputar sua terceira Copa do Mundo. Com a competição sendo realizada no México, o jogador já estava em declínio, mas, mesmo assim, comandou os Bleus à nova semifinal, quando novamente foi derrotado pela Alemanha Ocidental. Antes da eliminação, a seleção francesa foi responsável por mandar italianos e brasileiros de volta para suas casas.

Contra a Itália, atual campeã mundial, fez um dos gols da vitória por 2 a 0, enquanto diante do Brasil, nas quartas de final, foi o responsável pelo gol que levou a decisão para as penalidades máximas. Platini desperdiçou sua cobrança, mas Sócrates e Júlio César também não converteram e a França venceu o duelo por 4 a 3.

No dia 29 de abril de 1987, Michel Platini disputou sua última partida com a camisa da seleção francesa, em um amistoso contra Islândia, chegando à marca de 72 jogos, sendo 49 como capitão, com 41 redes balançadas, um recorde de gols que seria batido apenas por Thierry Henry, em 2008. Dois meses após deixar o selecionado nacional, o meia encerrou sua carreira com a camisa do Nancy.

Carreira nos bastidores

 

Michel Platini também se destacou pela sua carreira fora dos gramados. Após sua aposentadoria, o ícone do futebol francês presidiu o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 1998, realizada na França. Posteriormente, chegou à presidência da Uefa em 2007, no entanto, acabou se envolvendo em um grande esquema de corrupção e foi banido de qualquer atividade relacionada ao futebol por seis anos, assim como o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O primeiro jogador da Seleção Brasileira a marcar um gol em uma Copa do Mundo

Dos 14 filhos do escritor e poeta Coelho Neto, um deles virou obra-prima. João Coelho Neto, mais conhecido como Preguinho, nasceu no Rio de Janeiro no dia 8 de fevereiro de 1905 para de fato entrar para a história, mas não com as mãos e letras, e sim com outra habilidade igualmente poética: a bola nos pés.

Preguinho foi o primeiro jogador da história da Seleção Brasileira a colocar uma bola na rede em uma Copa do Mundo. No Mundial de 1930, sediado no Uruguai, o centroavante fez o tento de honra verde e amarelo na derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia, primeira partida do Brasil naquela competição. No jogo seguinte, ante a Bolívia, marcou dois no triunfo por 4 a 0, o que o consagrou como o primeiro artilheiro brasileiro em Copas.

Naquela competição, a Seleção não reunia exatamente os melhores atletas do País, pois uma rusga entre a Confederação Brasileira dos Desportos (CBD) e a Associação Paulista de Desportos Atléticos fez com que apenas atletas cariocas fossem à equipe, adicionando também a presença de Araken Patuska, então jogador do Santos. Outros bons futebolistas da época, como Friendereich, Nestor e Amílcar, rejeitaram a convocação.

Além de goleador máximo brasileiro em 1930, com três tentos (o argentino Guillermo Stábile foi o artilheiro do torneio com oito gols), João Coelho Neto se notabilizou também por ostentar a faixa de capitão do Brasil na competição.

Tricolor, goleador e poliesportivo

 

Além das cores de sua pátria, o coração de João Coelho "Preguinho" Neto também pulsava para outras três: vermelho, branco e verde. Durante toda sua carreira esportiva, o atleta defendeu o Fluminense com todo o empenho por 13 anos, de 1925 a 1938. O centroavante foi tricampeão carioca pelo clube das Laranjeiras, em 1936, 1937 e 1938, e artilheiro do Estadual nas edições de 1928 e 1932. Ao todo, Preguinho balançou as redes a favor do clube em 184 oportunidades.

Mas ele não estava limitado apenas ao futebol. Além do esporte bretão, Preguinho praticou outras oito modalidades pelo clube: basquete, natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, atletismo, vôlei e hóquei sobre patins, faturando total de 387 medalhas e 55 títulos para o Fluminense.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Herói da seleção húngara e vice-campeão mundial

Um dos maiores pecados da história do futebol é não ter dado a Ferenc Puskas e à seleção húngara que ele liderou, o título da Copa do Mundo de 1954. A disciplina militar, a força física e o talento cerebral daquele jogador conhecido como o Major Galopante encantaram o planeta da bola, mas nem mesmo seu certeiro chute de perna esquerda foi suficiente para evitar um tropeço. Fato é que as lendas nem sempre são feitas de sucessos absolutos, e Puskas certamente se encaixa nessa categoria.

A aura húngara na chegada ao Chile para a disputa da competição já estava muito carregada antes mesmo de a bola rolar, especialmente pela impressionante série da forte seleção: havia quatro anos que o time não sofria uma derrota, em sequência iniciada em 1950, com triunfo sobre a Polônia. Com Puskas, a equipe havia ganhado a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, com uma campanha irrepreensível, encerrando a competição com 100% de aproveitamento.

Liderados por Puskas, a Hungria deu a impressão de que vencer o Mundial seria extremamente fácil. O grupo de forte porte físico tinha como tática fazer o aquecimento já dentro de campo. Assim, pegavam um adversário mais frio, vindo dos vestiários, e marcavam dois ou mais gols de cara, abrindo vantagem. A estreia foi massacrante: 9 a 0 sobre a Coreia do Sul, com dois gols de seu principal destaque em campo. Contra os reservas da Alemanha Ocidental, no jogo seguinte, novo atropelo: 8 a 3, com um de Puskas.

Naquela partida, o jogador se lesionou e acabou ficando fora de dois importantes confrontos: contra o Brasil, quando venceram por 4 a 2, e contra o Uruguai, já na semifinal, repetindo o placar das quartas. Puskas, mesmo sem atuar, participou da batalha campal entre brasileiros e húngaros e engrossou a briga generalizada. Voltou à equipe para a grande decisão, mesmo sem reunir as condições físicas ideais - o que foi, inclusive, uma condição geral entre os atletas húngaros.

Como o Uruguai só foi vencido após longa e complicada prorrogação, todos na seleção húngara estavam extenuados quando foram se confrontar novamente com os alemães, que desta vez vieram com a equipe principal. Apesar disso, Puskas abriu o placar logo aos seis minutos de jogo. A Hungria ampliou, mas a Alemanha empatou e passou a se segurar para impedir os avanços rivais. O cansaço da seleção do leste europeu começou a aparecer e, quando a prorrogação parecia certa, Rahn marcou para garantir a vitória da Alemanha Ocidental, por 3 a 2. Uma das maiores injustiças da história das Copas.

 

‘Deserção’

 

Puskas começou a carreira atuando pelo modesto Kispest, aos 16 anos, e já chamava a atenção quando, em 1949, o Exército Húngaro decidiu ter seu próprio time de futebol. A equipe provinciana foi renomeada para Honvéd, e os melhores atletas foram garimpados por Gustáv Sebes, vice-Ministro dos Esportes. A disciplina militar de treinamentos moldou os atletas que, no futuro, seriam liderados por Puskas, formando uma das melhores seleções da história das Copas do Mundo.

Em 1956, já após o fracasso na Copa, Ferenc e seus companheiros estavam na Espanha para disputar amistoso com o Athletic Bilbao quando foram surpreendidos com a notícia da Revolução Húngara - levante para diminuir o controle da URSS sobre o país. A repressão do Pacto de Varsóvia, aliança militar que defendia os interesses soviéticos, chegou forte ao país e, por isso, os atletas do Honvéd decidiram não retornar. Puskas foi um dos que lideraram a decisão e, por isso, foi acusado de deserção posteriormente.

O grupo, considerado o melhor plantel do mundo naquele momento, sobreviveu às próprias custas, realizando amistosos pelo planeta. A Fifa proibiu-os de atuar até que a regularização fosse alcançada. O impasse foi resolvido e parte do elenco retornou ao país natal, enquanto outra parte se espalhou pelo continente. Puskas foi defender o Real Madrid, tornando-se um dos maiores ídolos da história do clube, criando as bases para que pudesse voltar à Copa do Mundo.

Naturalizado espanhol e sem poder retornar à Hungria, ele foi convocado para a defender a Fúria no Mundial de 1962, no Chile. Após uma classificação complicada, Puskas viu a equipe ser eliminada com duas derrotas e apenas uma vitória ainda na primeira fase - o fim da linha para os espanhóis veio com o 2 a 1 sofrido diante do Brasil. O vexame no Mundial, no entanto, não ofuscou o atacante, que ainda conquistou uma Liga dos Campeões e três títulos espanhóis com o Real Madrid.

 

O fim

 

Ferenc Puskas morreu em 17 de novembro de 2006, depois de dois meses internado com pneumonia. Sofria do Mal de Alzheimer, doença degenerativa que causa perda progressiva de memória. Antes disso, foi treinador, chegando ao auge da profissão em 1971, quando levou o Panathinaikos, da Grécia, à conquista do vice-campeonato da Liga dos Campeões. Treinou também a seleção húngara, sem conseguir grandes feitos.

Voltou ao seu país em 1981, recebido como herói pelo povo local. Em 1995, ganhou a patente de Coronel e, quando completou 70 anos, em 1997, recebeu a ordem de honra do Comitê Olímpico Internacional (COI), maior condecoração por este distribuída. O Major Galopante deixou o mundo sem conseguir o tão sonhado título mundial, mas ficou marcado pelo exuberante futebol apresentado em 1954.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Resenbrink: Um dos símbolos do "futebol total" holandês

Pieter Robert Rensenbrink nasceu no dia 3 de julho de 1947, em Amsterdã, na Holanda. Começou a sua carreia no extinto DWS, da sua cidade natal. Em 1969, o jogador saiu do país para atuar na Bélgica, por onde ficou 11 temporadas, sendo as duas primeiras defendendo o Club Bruge e as demais no Anderlecht. Em 1980, jogou nos Estados Unidos, em Portland Timbers, e na temporada 1981/1982 voltou para a Europa, para atuar no Toulouse, da França. Nunca chegou a jogar por um gigante europeu, mas escreveu seu nome na história vestindo a camisa laranja da Holanda nas Copas de 1978 e 1974.

Meia-atacante que atuava pelo lado esquerdo do campo, o jogador vestia a camisa 15 da Holanda na Copa do Mundo da Alemanha em 1974 - a equipe era numerada segundo a ordem alfabética (apenas Johan Cruyff escolheu a camisa 14 e o goleiro titular, Jan Jongbloed, era o número 8, por exemplo). Titular, Rensenbrink participou de seis jogos da sua equipe em terras germânicas e, comandado pelo técnico Rinus Michels, fez parte da implementação do "futebol total".

Neste tipo de equipe, todos os jogadores eram defensores quando não tinham a bola e atacantes quando estavam de posse da mesma. Não havia posições rigidamente fixas, os jogadores tinham liberdade para rodar, confundir a marcação adversária e ser mais eficientes. Além disso, foi um dos primeiros times a usar conscientemente a 'linha de impedimento'.

Com estas inovações, o time holandês de 74 venceu o Brasil no grupo A da segunda fase da Copa do Mundo e avançou para a final. Rensenbrink foi substituído aos 22 minutos do segundo tempo (por Theo De Jong) da partida em que seu país venceu por 2 a 0. Na decisão, porém, contra a anfitriã Alemanha, de Gerd Muller, a Holanda não conseguiu repetir o seu bom desempenho e acabou perdendo por 2 a 1, e o camisa 15 foi substituído no intervalo por Rene Van De Kerkhof.

Em 1976, disputou a Eurocopa, que foi realizada na Iugoslávia, e a Holanda ficou com a terceira colocação. Com uma numeração adequada aos jogadores titulares, Rensenbrink foi o camisa 11. A competição contava com apenas quatro equipes, mas o jogador não marcou gols nem na semifinal contra a Tchecoslováquia (campeã), nem na disputa pelo terceiro lugar com a Iugoslávia (a Alemanha Ocidental foi o outro país participante).

Na Copa do Mundo de 1978, novamente a Holanda ficou com o vice-campeonato. Sem Cruyff, a Laranja do técnico austríaco Ernst Happel novamente fracassou para um time anfitrião: 3 a 1 para a Argentina, na prorrogação.

Ao todo, Rob Rensenbrink participou de 13 jogos em Copas do Mundo e marcou seis gols, sendo um deles (na vitória por 3 a 2 sobre a Escócia, em 78) o de número 1000 em Mundiais. Ganhou oito partidas, empatou duas e perdeu três (sendo duas delas finais de campeonato). O jogador foi um dos símbolos de uma das melhores gerações do futebol holandês de todos os tempos.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Ricardo Zamora, O Divino

"El Divino". Assim era chamado Ricardo Zamora, um dos maiores goleiros da história do futebol mundial. Criado em Barcelona, mas com trajetória brilhante também pelo arquirrival do clube catalão, o Real Madrid, o arqueiro tinha status de divindade por conta dos milagres que realizava debaixo das traves e era caracterizado por usar uma camisa de lã com gola olímpica e uma boina de flanela.

Nascido em 21 de janeiro de 1901, na capital da Catalunha, Zamora era filho de médicos, que queriam que seu herdeiro seguisse na mesma profissão. Porém, o sonho do jovem era outro e com apenas 15 anos deixou o modesto Universitario e entrou para as categorias de base do Espanyol. Porém, uma desavença com o clube em 1919 logo o levaria para o local onde se destacaria pela primeira vez, o Barcelona.

No Barça, ficou por apenas três temporadas, faturando as Copas do Rei de 1920 e 1922, antes de voltar ao Espanyol. Sua segunda passagem pela equipe durou oito anos, porém, conquistou apenas um título neste período, novamente a Copa do Rei, de 1929. Foi então que o arqueiro da boina de flanela atraiu a atenção do Real Madrid, aquele que viria a ser o clube em que mais se destacaria.

Primeiro Galáctico

 

Ao que parece, a política merengue de contratar sempre os atletas mais caros e badalados de outras equipes não é novidade, pelo contrário. O Real teve que desembolsar mais de 150 mil pesetas (cerca de 900 euros) para "comprar" o goleiro, então com 29 anos do Espanyol. Além disso, o próprio Zamora recebeu 25 mil pesetas (150 euros) para trocar de endereço, e passou a ter vencimentos de 5 mil pesetas (30 euros) mensais. Embora hoje tal cifra não represente muito, em 1930 a quantia seria suficiente para comprar equipes inteiras de futebol, e foi uma das transações mais caras do mundo na época.

Apesar do altíssimo custo da transferência, esta foi justificada em prêmios, e o time da capital espanhola teve benefício igualmente grandioso. Com Zamora defendendo a meta merengue, o Real Madrid se sagrou campeão espanhol pela primeira vez em sua história em 1932 e conseguiu o bicampeonato em seguida, em 1933. Ainda pela equipe de Madri, "El Divino" também venceu a Copa da Espanha em 1934 e 1936, ano em que se transferiu para o Nice, para encerrar a carreira dois anos depois.

Auge em 1934

 

Em 1934, Ricardo Zamora viveu seu ápice como futebolista, defendendo a meta de sua seleção na Copa do Mundo da Itália. Por mais que fosse regularmente convocado desde o vice-campeonato das Olimpíadas de 1920, o goleiro se machucou gravemente em um clássico contra o Atlético de Madri em 1930, e não foi ao Uruguai disputar a primeira Copa do Mundo.

No entanto, Zamora foi um dos destaques da Copa de 1934. Seu primeiro desafio era contra o Brasil, e o arqueiro já começou o torneio fechando o gol contra Leônidas e companhia, inclusive defendendo um pênalti de Waldemar de Britto na vitória espanhola por 3 a 1.

Classificada para a próxima fase, a Espanha enfrentou a anfitriã Itália nas quartas de final. Após o empate por 1 a 1 na prorrogação, com boa atuação de Zamora, foi marcada uma nova partida no dia seguinte. Porém, vítimas da violência italiana no regime de Mussolini, o arqueiro e outros cinco atletas titulares espanhóis não puderam atuar no jogo decisivo, vencido pelos donos da casa (que acabaram por se sagrar campeões) por 1 a 0.

Em toda sua carreira na seleção, Zamora disputou 47 jogos, perdendo apenas sete deles e saindo com as redes intactas, sem sofrer gols, em nada menos que 21 partidas.

Em homenagem a um dos maiores goleiros espanhóis de todos os tempos, a organização do Campeonato Espanhol criou o Troféu Zamora, prêmio que é dado em todas as temporadas para o goleiro menos vazado do torneio.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Fundamental para o penta

Um dos pilares da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 2002, Rivaldo não tem uma carreira de destaque apenas pelo que fez com a camisa verde e amarela, mas também por sua trajetória em clubes do País e do exterior. Apontado por Luis Felipe Scolari como o jogador de maior relevância na parte tática da equipe pentacampeã, o meia provou sua competência na decisão daquela edição do torneio e até hoje disfruta do grande prestígio resultante de seus feitos dentro das quatro linhas.

Os torcedores brasileiros se lembram muito bem do dia 30 de junho de 2002, quando Rivaldo Vítor Borba Ferreira contribuiu diretamente para Ronaldo fazer os dois gols do Brasil na vitória sobre a Alemanha, na final da Copa do Mundo. Um chute de fora da área foi suficiente para obrigar Oliver Kahn a dar o rebote nos pés do Fenômeno e um corta-luz genial no lance do segundo gol também colaborou para a Seleção conquistar o pentacampeonato mundial.

Antes de conhecer a Coreia do Sul e o Japão, o meio-campista se consolidou no Brasil. Nascido na cidade pernambucana de Paulista, a 17 quilômetros de Recife, o atleta começou a carreira no modesto Paulistano. Posteriormente, o jogador chamou a atenção do Santa Cruz, um dos times mais tradicionais de Pernambuco.

Após ser campeão estadual – jogou poucas vezes –, ele foi transferido para o Mogi Mirim, sendo um dos destaques da equipe que ficou conhecida como o 'Carrossel Caipira'. O Corinthians se interessou pelos jogadores do time e acertou o empréstimo de Rivaldo, além de Válber, Leto e Admilson. Entre altos e baixos, chegou a ser convocado para a Seleção e até marcou gol contra o México, mas o Timão não o adquiriu de forma definitiva, abrindo caminho para o Palmeiras.

No Palestra Itália, conquistou o País em 1994, depois de anotar três gols pelo Alviverde na decisão contra o ex-time (dois no primeiro jogo e um no segundo). Além disso, fez parte de um time quase imbatível na conquista do Paulistão de 1996.

Inevitavelmente a cobiça europeia chegou, e Rivaldo se transferiu para o Deportivo La Coruña. Medalha de bronze nas Olimpíadas de 1996, teve ótima temporada pela equipe espanhola, rumando em seguida ao Barcelona, clube em que atingiu o auge.

O vice-campeonato na Copa de 1998, na França, não foi suficiente para impedir o pernambucano de ser eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa na temporada seguinte, até por conta de suas grandes atuações pelo Barça, além do desempenho decisivo na conquista da Copa América de 1999 pelo Brasil.

Porém, mesmo presente nas convocações nos anos seguintes, Rivaldo só se consagrou na Coreia do Sul e Japão. Com a camisa 10 e a confiança de Felipão, o meia foi um dos líderes técnicos do time canarinho, ao lado de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, e também marcou gols importantíssimos no mata-mata.

Em seguida, partiu do Barcelona para o Milan, mas, apesar dos títulos, não conseguiu o espaço que imaginava com o técnico Carlo Ancelotti e retornou ao Brasil em 2004, para uma passagem sem brilho pelo Cruzeiro. Após deixar o clube mineiro, aventurou-se pelo futebol grego, conquistando taças pelo Olympiakos, além de ter passado também por AEK.

Depois, acertou a transferência para o desconhecido Bunyodkor, do Uzbequistão, onde voltou a ser comandado por Felipão, ao mesmo tempo em que presidia o Mogi Mirim. Ganhou ainda mais uma chance no Brasil, desta vez no São Paulo, mas teve problemas com o técnico Paulo César Carpegiani e, apesar da expectativa inicial da torcida, saiu do clube sem conseguir muito destaque.

Mais uma vez, optou por um centro desconhecido do futebol, o Kabuscorp, da Angola. Em seguida, Rivaldo voltou ao País, para defender o São Caetano. Rebaixado ao Campeonato Paulista da Série A2 com o Azulão, o meia também não teve destaque pela Série B do Brasileiro pelo clube.

Assim, deixou o time do ABC e retornou ao Mogi Mirim em 2014, para seguir seu trabalho na presidência do clube, realizar o sonho de trabalhar ao lado do filho Rivaldinho (integrante do elenco) e preparar sua despedida dos gramados. Ao mesmo tempo, manteve sua opinião contundente sobre a Copa do Mundo, afirmando que o “Brasil passará vergonha” com a realização do evento. Anos mais tarde, se desfez do clube do interior paulista em 2015, quando ainda disputava a Série C do Brasileirão.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Inventor do "elástico" e fundamental em 1970

A carreira de Rivellino marcou o futebol em diversos níveis. Considerado um dos maiores jogadores da história do Corinthians, o meio-campista foi um dos melhores atletas na conquista da Copa do Mundo de 1970, destacou-se pelo Fluminense e ainda consagrou no futebol o drible chamado “elástico”.

Nascido no dia 1º de janeiro de 1946, em São Paulo, Roberto Rivellino saiu do futsal para integrar as categorias de base do Corinthians e começou a chamar atenção em 1964. Aos 18 anos, o meia surgia como grande promessa no clube com suas atuações pelo time de aspirantes, em partidas que eram realizadas logo antes dos compromissos da equipe profissional.

O jogador, então, conquistou o título do Campeonato Paulista de Aspirantes de 1964, o que o credenciou a conseguir oportunidades no time profissional no ano seguinte. Promovido pelo técnico Oswaldo Brandão, a promessa não demorou a assumir a vaga de titular na armação corintiana.

O bom futebol apresentado pelo Alvinegro fez com que o jogador conseguisse rapidamente uma convocação para a Seleção Brasileira. No mesmo ano em que foi introduzido aos profissionais corintianos, o meia atuou duas vezes com a camisa canarinho. A primeira foi com o próprio elenco do Corinthians, que representava a Seleção em amistoso não oficial. Atuando em Londres, a equipe foi derrotada por 2 a 0 pelo Arsenal, com Rivellino como titular.

O segundo jogo, porém, é o que pode ser considerado a verdadeira estreia pelo Brasil. Rivellino substituiu o também meia Nair, da Portuguesa, na vitória por 5 a 3 sobre a Hungria. O destaque com a Seleção veio a partir de 1968. Em amistoso contra a Polônia, o atleta fazia sua segunda partida como titular e assegurou seu lugar na equipe, marcando dois gols na vitória por 6 a 3.

O drible elástico

 

Pelo Corinthians, seguia como principal ídolo do clube e um dos melhores armadores em atuação no País. O jogador se destacava tanto pela sua grande perna esquerda, capaz de belos gols em chutes de longa distância, quanto pelos dribles. O principal deles, o elástico, se tornou a sua marca registrada.

Rivellino aprimorou a jogada, em que simulava ajeitar a bola em uma direção, mas a levava para o lado oposto em um movimento rápido, quando ainda atuava no futsal, modalidade em que o movimento era útil por conta do menor espaço das quadras. Apesar de ter a sua criação atribuída ao ídolo corintiano, o elástico, de acordo com o próprio jogador, foi criado pelo nipo-brasileiro Sérgio Echigo, companheiro do atleta nas categorias de base do Timão.

Enquanto avançava na Seleção Brasileira, o Reizinho do Parque acumulava, ao mesmo tempo, boas partidas e frustrações pelo Corinthians. Entre 1966 e 1970, o meia liderou a equipe em campanhas entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Paulista, mas nenhuma como campeão: foram dois vices, um terceiro lugar e um quarto. Em 1966, o clube chegou a conquistar o Torneio Rio-São Paulo, mas sem chegar à final: o título foi dividido entre quatro semifinalistas por problemas de calendário.

Mesmo assim, Rivellino chegou à Copa do Mundo de 1970 com status de titular e embalado por mais sete gols com a Seleção Brasileira.

Ao lado de nomes como Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, o meia foi parte da equipe que é considerada a maior Seleção Brasileira até hoje.

No México, ele marcou três gols, incluindo um na vitória por 3 a 1 sobre o Uruguai na semifinal. Na decisão contra a Itália, o Brasil levou a melhor e, com uma assistência do jogador para Pelé marcar na goleada por 4 a 1, sagrou-se o primeiro tricampeão mundial e conquistou a Taça Jules Rimet.

No Corinthians, porém, a seca de títulos continuava. Após mais quatro campanhas apagadas no Campeonato Paulista, Rivellino, que defendeu a Portuguesa em amistoso contra o Zeljeznicar, da Iugoslávia em 1972, chegou à Copa do Mundo de 1974 com a responsabilidade de suceder Pelé como camisa 10 da Seleção. O meia não decepcionou e marcou três dos seis gols da equipe, mas o Brasil não fez boa campanha e acabou eliminado com uma derrota para a Holanda.

No mesmo ano, o ídolo do Alvinegro teve a oportunidade de conquistar seu primeiro título de fato pela equipe. O time chegou à final do Campeonato Paulista com chances de encerrar jejum de 20 anos sem conquistas, mas acabou caindo para o Palmeiras com um empate por 1 a 1 e uma derrota por 1 a 0.

Com a eliminação, Rivellino acabou negociado com o Fluminense. Na estreia, marcou três gols justamente contra seu ex-time em vitória por 4 a 1 dos cariocas. Em seu novo clube, não demorou a conquistar os títulos que faltaram no Timão, sagrando-se campeão do Campeonato Carioca em 1975 e 1976.

O jogador manteve a camisa 10 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1978, mas não marcou nenhum gol na campanha da equipe, que terminou na terceira colocação após vencer a Itália. O torneio marcou o fim da passagem de Rivellino pelo selecionado nacional. O ano de 1978 também marcou a transferência do atleta para o Al-Ihal, na Arábia Saudita, onde seguiu atuando por três anos antes de anunciar o fim de sua carreira.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O interminável artilheiro camaronês

No dia 20 de maio de 1952, nascia um dos jogadores mais famosos que a África já produziu, e com certeza o que mais se destacou em Copas do Mundo vindo daquele continente.

O atacante Roger Milla aliava habilidade, faro de gol, carisma e vitalidade, que o levaram a ganhar espaço no cenário internacional, principalmente com a camisa de Camarões.

Antes de ganhar fama, o camaronês já mostrava que teria um futuro promissor por conta do apelido que ganhou em seus primeiros anos de futebol. Nada mais, nada menos que Pelé. Aos 18 anos de idade, quando já tinha cinco anos de experiência no futebol profissional, chegou ao Léopard de Douala, um dos principais clubes africanos naquele momento e, antes de transferir-se ao futebol europeu, fez história com a camisa do Tonnerre Yaoundé. Em ambas as equipes, chegou a uma média de quase um gol por partida.

Como boa parte dos talentos de Camarões, a França foi o destino de Roger Milla, que saiu de sua terra com o título de melhor jogador do continente e chegou ao Valenciennes em 1977. Um ano depois, começaria sua trajetória com a camisa de sua seleção nacional.

O atacante não teve sucesso em seus primeiros anos no país europeu, conseguindo se destacar apenas quando defendeu as cores do modesto Bastia. Pelo time da ilha de Córsega, Milla anotou o gol do título da Copa da França de 1981 sobre o Saint-Etienne, que naquele ano contava com o futebol de outra estrela do futebol mundial, Michel Platini.

Em 1982, já aos 30 anos de idade, o atleta teve sua primeira chance de disputar uma Copa do Mundo, porém, os Leões Indomáveis não avançaram nem da primeira fase e o atacante passou em branco na competição. Seriam necessários mais oito anos para que seu nome ganhasse fama mundialmente. Neste período, o atacante defendeu as cores do Saint-Etienne e do Montpellier.

Foi na Itália, em 1990, que a história de Roger Milla ganhou respeito. Com 38 anos, idade que impossibilita a maior parte dos jogadores de continuar jogando futebol em alto nível, o camaronês foi um dos grandes nomes da Copa do Mundo. E sua presença no torneio foi uma surpresa, pois parecia que sua carreira estava chegando ao final. Atuando no pífio futebol da ilha de Reunião, o atleta foi "convocado" por Paul Biya, amigo e presidente de Camarões.

Depois de chegar ao torneio sem grandes expectativas, Camarões mostrou seu cartão de visitas contra a poderosa Argentina, que era a atual campeã mundial. Na abertura da competição, os africanos venceram por 1 a 0, em uma das maiores zebras da história das Copas do Mundo. Com a ajuda de Milla e seus quatro gols no torneio, o mais famoso deles contra a Colômbia, roubando a bola do excêntrico goleiro René Higuita, e comemorados com sua típica dança diante da bandeira de escanteio, a equipe chegou às quartas de final, um feito inédito para um país do Continente Africano até aquele momento.

Após o Mundial, Roger foi eleito pela segunda vez em sua carreira o Melhor Jogador Africano. Mas se os feitos do atacante já eram suficientes para que seu nome fosse lembrado para sempre na história do futebol, em 1994, nos Estados Unidos, a situação se concretizou. Com incríveis 42 anos de idade, o camaronês disputou sua terceira Copa do Mundo, e mais uma vez com destaque.

Não satisfeito com a marca de ser o jogador mais velho a entrar em campo pela competição de futebol mais importante do planeta, Milla ainda balançou as redes na goleada de 6 a 1 sofrida por Camarões pela Rússia. Nesta mesma partida, outro recorde foi estabelecido. O russo Oleg Salenko anotou cinco gols, algo inédito no torneio. Os Leões Indomáveis não avançaram da fase de grupos, que também contava com Brasil e Suécia, mas a história já estava escrita.

Depois da Copa do Mundo dos Estados Unidos, Roger Milla transferiu-se ao fraco futebol da Indonésia, onde defendeu a camisa do Pelita Jaya por dois anos, encerrando sua longa carreira nos gramados em 1996, com 44 anos de idade. Em 2007, foi eleito o Melhor Jogador Africano dos últimos 50 anos.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O nome do tetra em 1994

“Quando eu nasci, Papai do céu apontou o dedo e disse: "esse é o cara’”. Foi desse modo nada modesto que, quando vestia a camisa do Fluminense, Romário se definiu. Um jogador provocador, que não fugia de polêmicas e gostava de ser desafiado. Grande condutor do Brasil no tetracampeonato, em 1994, o Baixinho se tornou um dos maiores atacantes da história da Seleção, com participações em duas Copas do Mundo (também jogou em 1990), dois títulos da Copa América e um da Copa das Confederações. Apesar de conhecido como Baixinho, mostrou-se um gigante com a bola nos pés.

Nascido no dia 29 de janeiro de 1966, no Rio de Janeiro, Romário já se destacava nas peladas organizadas pelo seu pai, Seu Edevair. Sua superioridade sobre os demais, inclusive os mais velhos, o levou ao Olaria com apenas 13 anos de idade. Mas seu futebol não ficaria por muito tempo restrito à Rua Bariri e, em 1981, transferiu-se ao Vasco da Gama, clube no qual estrearia profissionalmente quatro anos mais tarde.

Aos 20 anos, o jovem atacante já tinha uma grande inspiração ao seu lado no campo: Roberto Dinamite, o maior artilheiro da história do Cruz-maltino. Mesmo com o consagrado jogador como parceiro, foi Romário quem terminou o Campeonato Carioca de 1986 como artilheiro. Seu sucesso meteórico rendeu, no ano seguinte, a primeira convocação para a Seleção Brasileira, no dia 23 de maio, na cidade de Dublin, em um amistoso contra a Irlanda.

Convocado pelo técnico Carlos Alberto Silva, o atacante começou no banco de reservas e entrou em campo no lugar de Mirandinha, ex-Palmeiras. Naquela ocasião, Romário passou em branco, e o Brasil acabou derrotado por 1 a 0. Ainda em 1987, fez seu primeiro gol representando o País, em uma vitória por 3 a 2 sobre a Finlândia. Outros 70 ainda estavam por vir.

Antes de disputar sua primeira Copa do Mundo, Romário teve pela frente as Olímpiadas de Seul, competição na qual anotou seis gols, conquistou a medalha de prata e impulsionou sua transferência para o futebol europeu. Com a camisa do PSV Eindhoven, clube holandês que detinha o título de campeão do continente na época, o atacante alcançou uma média de gols superior a um por partida. A maioria deles de dentro da grande área ou em arrancadas impressionantes do meio de campo.

Diferente de algumas estrelas do futebol mundial, seu futebol não se escondia com a camisa da Seleção e, em 1989, ajudou o Brasil a conquistar a Copa América, troféu que não era levantado havia 40 anos. Naquela competição, o Baixinho foi o responsável pelo gol do título, na final contra o Uruguai, e também por uma "caneta" desconcertante em ninguém menos que Diego Armando Maradona, no clássico contra a Argentina.

Após ser peça fundamental nas Eliminatórias para a Copa de 1990, Romário não conseguiu mostrar o seu futebol na competição disputada na Itália. Ainda sem ter se recuperado plenamente de uma fratura no pé, o atleta jogou apenas a partida contra a Escócia, passando em branco, e depois assistiu do banco de reservas à eliminação contra os argentinos, nas oitavas de final.

O fracasso no Mundial não abalou Romário, que seguiu balançando as redes pelo continente europeu e conseguiu transferência para o Barcelona. A adaptação do jogador em terras catalãs não foi fácil, mas, como de costume, terminou a temporada como artilheiro de seu time e com mais um troféu nas mãos, desta vez do Campeonato Espanhol da temporada 1993/1994.

No mesmo ano, foi convocado para a Seleção com a intenção de salvar a equipe, que ia mal nas Eliminatórias para a Copa de 1994. Não decepcionou, e marcou duas vezes na partida decisiva contra o Uruguai. O palco não poderia ser melhor: um Maracanã lotado, que viu aquele camisa 11 garantir a presença de seu País no torneio que futuramente teria os Estados Unidos como sede e o Brasil como campeão.

Tetracampeão mundial

Em 20 de junho de 1994, Romário começa a escrever uma das mais brilhantes participações de um jogador em uma Copa do Mundo. Na cidade de São Francisco, o Baixinho abre a trajetória vitoriosa do Brasil, em um 2 a 0 sobre a Rússia. Ao lado de Bebeto, ele formou uma das maiores duplas de ataque que já vestiram a camisa amarelinha, anotou cinco tentos durante a competição, sendo também o responsável pela histórica esquivada na cobrança de falta de Branco contra a Holanda, que terminou nas redes do goleiro De Goey na semifinal, com um gol aos 35 minutos do segundo tempo.

Na decisão contra a Itália, porém, o atacante não balançou as redes, pelo menos não enquanto a bola rolava. Após os 90 minutos e a prorrogação, quando o placar se manteve zerado, o atacante foi um dos brasileiros que converteram sua cobrança na disputa de penalidades máximas. Ao fim do duelo no Estádio Rose Bowl, em Los Angeles, o Brasil sagrava-se tetracampeão mundial, feito inédito para uma seleção nacional até aquele momento.

Romário saía do torneio como o grande herói, com um troféu que não era erguido há 24 anos, e com a certeza de ser o Melhor Jogador do Mundo, título concedido pela Fifa pela primeira vez a um brasileiro naquela temporada.

Mesmo no auge de sua carreira, Romário permaneceu no Barcelona apenas até 1995, quando foi surpreendentemente contratado pelo Flamengo, maior rival do Vasco da Gama. Após uma passagem sem o sucesso esperado pela Gávea, o jogador retornou à

Espanha, desta vez para defender a camisa do Valência. Em 1997, conquistou mais uma Copa América. No mesmo ano, a Copa das Confederações também entrou no currículo do atleta, em uma parceria com Ronaldo, cunhada de Rô-Rô.

No ano seguinte, de Copa do Mundo, o Baixinho retornou para sua terra natal, novamente para defender o Rubro-negro, porém, uma lesão fez com que Zagallo, treinador da Seleção, cortasse o artilheiro do torneio da França. Substituído pelo volante Emerson, Romário voltou aos gramados enquanto o Mundial era disputado, e, como sempre, eternizou seu nome nos placares pelo País.

Depois do Flamengo, o atacante retornou ao Vasco e, depois, atuou com a camisa de outro grande do Rio de Janeiro, o Fluminense. Apesar dos 36 anos da idade, o seu nome ainda era associado à Seleção e, antes da disputa da Copa do Mundo de 2002, uma pressão nacional foi feita por sua convocação. Porém, o técnico Luiz Felipe Scolari não cedeu e o pentacampeonato foi conquistado sem a presença do Baixinho. O atleta até tinha sido capitão do Brasil no primeiro jogo de Felipão, mas perdeu a confiança do técnico com um pedido de dispensa de Copa América.

Milésimo gol e fim de carreira

Depois de mais uma ausência na competição máxima do futebol, o carioca voltou novamente ao Vasco da Gama e, entre 2005 e 2007, anotou 65 gols em 80 partidas disputadas pela equipe. No dia 20 de maio de 2007, em São Januário, diante do Sport, Romário chegou ao seu milésimo gol na carreira, em uma cobrança de pênalti contra o goleiro Magrão. Apesar de expressivo, o número é contestado por muitos por conta dos critérios - que inclui estatísticas anteriores à sua profissionalização - que o jogador adotou. Antes de atingir a marca, o atleta já havia se aventurado no futebol do Qatar, Estados Unidos e Austrália.

Aos 43 anos de idade, Romário entrou em campo por uma partida oficial pela última vez, com a camisa do América do Rio de Janeiro, como forma de homenagear seu falecido pai, torcedor da equipe rubra.

Sua despedida da Seleção havia acontecido em 2005, quando foi realizado um amistoso no Estádio do Pacaembu, contra a Guatemala. A partida terminou com vitória por 3 a 0 para o Brasil, com o Baixinho deixando sua marca. A homenagem da CBF até hoje é contestada por ter sido realizada em São Paulo, e não no Rio de Janeiro, cidade que sempre foi a verdadeira 'praia' do lendário atacante.

Fora dos gramados, Romário foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2010 e se tornou um dos maiores críticos da organização da Copa do Mundo no Brasil, além de fazer também diversos protestos contra a direção da Confederação Brasileira de Futebol. Atualmente Senador da República, o Baixinho também se destacou por presidir a CPI do Futebol, que investigou escândalos de corrupção envolvendo a CBF e o Comitê Organizador da Copa do Mundo no Brasil.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Um bruxo com a bola nos pés

Com uma infância marcada por horas jogando futebol seja sozinho ou com os amigos de Porto Alegre, Ronaldo de Assis Moreira tinha no futebol a sua maior paixão. Além de dar forças depois da perda do pais quando ainda tinha oito anos, o futebol foi quem fez com que o menino se tornasse Ronaldinho Gaúcho e um dos maiores jogadores da história do futebol.

COMEÇO DA CARREIRA

 

O primeiro time que Ronaldinho atuou profissionalmente foi o Grêmio, onde começou a chamar a atenção dos principais clubes do futebol europeu do início do século XXI.

Os quase 150 jogos disputados com a camisa do tricolor gaúcho e os 75 gols marcados já eram um excelente desempenho para um garoto com menos de 20 anos, mas foram os dribles desconcertantes e o jeito diferente de jogar que fizeram com que o brasileiro fosse para o Paris Saint-Germain e começar sua trajetória fora do seu país de origem.

ERA BARCELONA

 

Logo após duas temporadas em alto nível pelo clube parisiense, o meia foi para o clube que o faria ser um dos melhores jogadores de todos os tempos. No Barcelona, Ronaldinho Gaúcho encantou o mundo com um excelente nível técnico e decidindo nas partidas mais importantes da temporada, sendo muitos dos gols ou assistência com um estilo próprio que ficou reconhecido pelo mundo.

COPA DO MUNDO 2002

 

O primeiro mundial de Ronaldinho Gaúcho não poderia ser melhor. Com um grupo formado por grandes nomes da Seleção Brasileira, como Ronaldo “Fenômeno”, Rivaldo e Kaká, o meia foi ganhando força ao longo da competição e foi uma das peças mais importantes para o quinto título mundial do Brasil.

O grande momento do jogador no Mundial disputado na Coréia do Sul e no Japão foi na partida de quartas de final. Contra uma forte seleção inglesa, o meia fez um dos gols mais marcantes da Copa do Mundo, quando cobrou falta quase no meio campo e garantiu a virada do Brasil e a vaga para a semifinal na principal competição de países.

TEMPORADAS DE OURO

 

A trajetória de Ronaldinho Gaúcho foi “coroada” durante os anos de 2004 e 2005. Com um estilo único marcado por dribles e lances espetaculares, Ronaldinho se destacava a cada partida que jogava pelo Barcelona e mesmo sem vencer a Liga dos Campeões, consolidou de forma quase unânime o prêmio de melhor jogador do mundo, honraria oferecida pela Fifa desde o ano de 1991.

Nas duas ocasiões, o meia brasileiro ficou na frente de outros grandes jogadores que também tiveram desempenhos acima da média, caso do francês Thierry Henry, do inglês Frank Lampard e do seu companheiro de equipe, o camaronês Samuel Eto’o.

COPA DO MUNDO 2006

 

Depois do título em 2002 e das excelentes temporadas que fez pelo Barcelona entre 2004 e 2005, Ronaldinho Gaúcho era um dos principais candidatos para ser o melhor jogador do mundial. No entanto, a alta expectativa se tornou frustração logo no início da competição.

Pela fase de grupos, a Seleção Brasileira não teve muitas dificuldades para em primeiro lugar no Grupo F, com 100 % de aproveitamento e apenas um gol tomado em três partidas. Nem neste curto período positivo do Brasil Ronaldinho conseguiu ter um bom desempenho e apresentar lampejos do futebol apresentado com a camisa do Barcelona.

Na fase eliminatória, diante de Gana e França (seleção que eliminou o Brasil), o meia continuou muito abaixo do esperado e terminou a competição sem ao menos um único gol. O meia foi duramente criticado e encerrou sua participação em mundiais diante da derrota de 1 a 0 para os franceses.

VOLTA AO BRASIL E SUCESSO NO GALO

 

Depois do mau desempenho na Copa do Mundo de 2006, Ronaldinho não conseguiu mais manter os ótimos números que tinha desde sua chegada na Europa e viu seu ciclo no Barcelona cada vez mais perto do fim.

Depois de uma passagem curta e sem brilho no Milan, o craque decidiu retornar ao Brasil, criando um alvoroço nos principais clubes nacionais, como Grêmio e Palmeiras. O jogador, no entanto, decidiu ir para o Flamengo, onde teve apoio tanto da diretoria como dos torcedores e apesar de alguns momentos impactantes, estava longe do seu melhor nível.

Logo depois de sair do Flamengo, o atleta anunciou que iria atuar pelo Atlético Mineiro, uma das melhores decisões feitas na carreira do jogador. No clube mineiro, Ronaldinho fez uma ótima temporada de 2012 e terminou o Campeonato Brasileiro daquela temporada na segunda posição. No ano seguinte, o meia fez uma excelente parceria com o centroavante Jô e conquistou pela primeira vez a Libertadores da América, o principal título da história do clube.

*Narração: Michelle Giannella. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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O Fenômeno

Um dos jogadores com passagem mais marcante pela Seleção Brasileira, Ronaldo Luís Nazário de Lima teve uma trajetória de títulos, drama e superação com a camisa verde e amarela.

Detentor de dois títulos mundiais pelo Brasil, o Fenômeno alcançou recordes e foi o dono da camisa 9 por mais de uma década.

Depois de convocações para as equipes de base, o então destaque do Cruzeiro recebeu sua primeira oportunidade no grupo principal em 1994, pouco antes da Copa do Mundo nos Estados Unidos. O técnico Carlos Alberto Parreira deu uma chance ao garoto no decorrer do amistoso contra a Argentina, no dia 23 de março daquele ano, entrando no lugar de Bebeto, autor dos dois gols da vitória brasileira por 2 a 0.

Em seguida, o atacante foi titular no confronto com a Islândia e até marcou um gol, além de ter entrado contra Honduras. Assim, aos 17 anos, foi confirmado na lista de convocados de Parreira para a Copa do Mundo de 1994, mas não teve a chance de entrar em campo na conquista do tetracampeonato. Formado pelo São Cristóvão e com ascensão rápida pelo Cruzeiro, o jogador chamou a atenção no exterior.

Depois do torneio pelo Brasil nos Estados Unidos, o atleta se transferiu do clube mineiro para o PSV, da Holanda, e teve um crescimento rápido na Seleção, tendo várias chances como titular do técnico Mário Jorge Logo Zagallo em 1995.

Ao mesmo tempo em que brilhava na Europa, saindo da equipe holandesa para defender o Barcelona, Ronaldo também evoluía na Seleção e atraía cada vez mais as atenções. Sempre lembrado pelo treinador canarinho, o atacante assombrou a todos com suas atuações pelo Barça e levou pela primeira vez o prêmio de melhor do mundo em 1996.

Protagonista

 

Titular absoluto do Brasil ao lado de Romário no ano seguinte, o atacante assumiu seu papel de protagonista e conquistou a Copa América e a Copa das Confederações, além de ter obtido novamente o prêmio da Fifa de principal jogador do planeta, já depois de ter se transferido do Barça para a Internazionale de Milão.

Os dois anos anteriores fizeram Ronaldo chegar à Copa do Mundo de 1998 como maior jogador da Seleção, até por conta da ausência de Romário, cortado devido a uma lesão.

O jogador foi titular na campanha do Brasil e tudo levava a crer que confirmaria seu papel de destaque com gols, mas um problema no dia da final marcou negativamente aquele torneio. Ronaldo teria sofrido uma convulsão horas antes da decisão, mas, mesmo assim, participou da derrota por 3 a 0 para a França, com uma atuação apática, assim como a de todo time.

O drama

 

Substituto de Zagallo depois da Copa, Vanderlei Luxemburgo continuou apostando no atacante, inclusive sendo campeão da Copa América de 1999, mas logo começaram as lesões. Com uma operação no joelho direito em novembro daquele ano, Ronaldo só voltou aos gramados cinco meses depois, mas, logo nos primeiros minutos em que esteve em campo, o jogador sofreu uma grave lesão no mesmo joelho e caiu, chorando. As câmeras de TV exibiram em detalhes o drama do Fenômeno para o mundo todo. Ficou mais um ano afastado.

Apesar de todos os problemas, Ronaldo ganhou a confiança de Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2002. A recuperação só terminou pouco antes do torneio, mas a decisão do treinador se mostrou acertada.

O Fenômeno foi o grande destaque do torneio no Japão e na Coreia do Sul, marcando, inclusive, dois gols na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha na final. Acabou coroado como campeão e artilheiro (oito gols).

Mesmo sem o prêmio de melhor da Copa (honraria destinada ao goleiro alemão Oliver Kahn, que falhou na decisão), Ronaldo se consagrou novamente no fim do ano, quando recebeu seu terceiro prêmio de melhor do mundo, já depois da transferência para o Real Madrid.

Na equipe espanhola, o brasileiro fez parte de um elenco intitulado de ‘galáctico’, por conta do grande número de estrelas reunidas. Apesar de toda a expectativa, o clube merengue não conseguiu os almejados troféus europeus neste período e teve de se contentar com conquistas locais. Já Ronaldo continuou na Seleção, ficando fora da Copa das Confederações de 2005.

Para o Mundial da Alemanha, Carlos Alberto Parreira apostou em um sistema ofensivo que ficou conhecido como quadrado mágico: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Porém, com os dois atacantes sendo criticados pela má forma física, o Brasil voltou a cair diante da França, desta vez nas quartas de final. O que serviu de alento foi o Fenômeno ter se tornado o maior artilheiro da história das Copas, chegando a 15 bolas nas redes e superando a marca do alemão Gerd Muller, que contabiliza 14.

Depois do torneio, o atacante seguiu do Real Madrid para o Milan, sem repetir pelo time italiano as atuações das temporadas anteriores. No fim de 2008, uma reviravolta na carreira: o retorno ao futebol brasileiro. Mesmo tendo feito um período de treinos no Flamengo, seu time de preferência na infância, o atleta foi anunciado como reforço do Corinthians, sendo o astro do Alvinegro nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil de 2009.

Com a missão de ser ‘mais um louco do bando’, Ronaldo não conseguiu a tão sonhada Libertadores, mas abriu caminho para contratos milionários do clube na área de marketing. Neste período, o jogador já convivia com as críticas em relação ao seu excesso de peso, mas atraía as atenções por onde passava defendendo o clube.

Além disso, o atacante foi determinante em dois títulos pelo time então dirigido por Mano Menezes: Campeonato Paulista e Copa do Brasil, em 2009. Na decisão do Estadual, marcou um golaço por cobertura sobre o goleiro santista Fábio Costa, na Vila Belmiro. O troféu, então, foi obtido de maneira invicta.

Porém, no dia 14 de fevereiro de 2011, chateado pela vexatória eliminação diante do Tolima na fase preliminar da Copa Libertadores e abatido com os protestos da torcida, o atacante se emocionou ao anunciar sua aposentadoria, colocando um fim em uma das mais brilhantes carreiras do futebol.

Em 7 de junho do mesmo ano, a despedida oficial pela Seleção foi feita em amistoso contra a Romênia, no estádio do Pacaembu. Último amistoso antes da Copa América da Argentina, a festa terminou com vitória por 1 a 0 para o Brasil, que teve Ronaldo em campo por apenas 15 minutos, em uma equipe que tinha Fred, Neymar e Robinho, entre outros.

Com seu status no futebol, o aposentado Ronaldo assumiu outra função para participar da Copa do Mundo de 2014, a de dirigente. O Fenômeno, que também é dono de uma agência de marketing esportivo responsável, inclusive, pela carreira de Gabriel Jesus, foi nomeado em 2011 integrante do Comitê Organizador da Copa do Mundo no Brasil.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Um raio na Copa do Mundo de 1990

Alguns jogadores podem não ser craques e nunca ter levantado um troféu de Copa do Mundo. Porém, mesmo assim, conseguem colocar seus nomes na história do futebol mundial. Este é o caso do italiano Salvatore Schillaci, popularmente conhecido apenas como Totó.

O atacante nunca esteve no topo do mundo, mas sua atuação na competição máxima do futebol de 1990 foi digna de um dos maiores nomes do esporte.

Nascido no dia 1º de dezembro de 1964, em uma família pobre da cidade de Palermo, Totó iniciou sua carreira profissional com a camisa do Messina, aos 18 anos de idade. Pelo clube da Sicília, já mostrava grande poder de finalização, tornando-se artilheiro da equipe na temporada de 1988/1989. Seus 23 gols em 35 partidas disputadas pela Série B nacional chamaram a atenção da poderosa Juventus, que conseguiu sua contratação.

Em sua primeira experiência nos grandes palcos do futebol mundial, Schillaci formou um belo ataque com Pierluigi Casiraghi e, comandado pelo técnico Dino Zoff, ex-goleiro da seleção italiana, a Vecchia Signora terminou a temporada com os troféus da Copa da Itália e da Copa da Uefa.

Seu desempenho com a camisa alvinegra rendeu sua primeira convocação para defender a Azzurra. Último nome a ser chamado pelo técnico Azeglio Vicini, o atacante faria sua estreia pelo selecionado nacional em 1990, justamente em uma Copa do Mundo. Além de iniciar sua trajetória pelo esquadrão logo na competição mais importante do futebol, o atleta ainda jogava em casa, uma vez que o torneio foi disputado na Itália.

Em um grupo que contava com Tchecoslováquia, Áustria e Estados Unidos, os italianos iniciaram a disputa contra os austríacos e com Schillaci no banco de reservas. A partida mostrou-se dura, o segundo tempo corria e o placar seguia zerado, até que, aos 36 minutos, Vicini decidiu dar chance ao atacante, que naquele momento estava com 25 anos de idade e substituía o experiente Andrea Carnevale. Com apenas dois minutos no gramado, Totó mostrou que seria a peça diferencial da equipe naquela Copa. Após cruzamento de Gianluca Vialli, Schillaci subiu mais que a defesa adversária e mandou de cabeça para o fundo das redes, garantindo os primeiros três pontos da equipe.

O tento da vitória não garantiu o atleta entre os titulares do time na partida contra os Estados Unidos, porém, sua entrada aconteceu novamente na segunda etapa. Apesar de ter passado em branco contra os norte-americanos, sua boa fase foi recompensada

na terceira partida válida pelo grupo A. Contra a forte Tchecoslováquia, Schillaci iniciou entre os 11 principais, formando dupla de ataque com Roberto Baggio. Em menos de dez minutos de jogo, o atacante abriria o placar, que seria fechado por seu companheiro apenas na segunda etapa.

Líder de sua chave, a Itália avançou às oitavas de final para enfrentar o Uruguai, e novamente Totó foi o responsável por iniciar a vitória italiana, que terminou em 2 a 0. Na fase seguinte, a Irlanda foi a vítima do atleta da Juventus, sendo derrotada por 1 a 0, com um gol aos 38 minutos da primeira etapa.

Consolidado como principal atacante da seleção, Schillaci encontrou a Argentina, atual campeã mundial naquele momento, nas semifinais da competição. Jogando no Estádio San Paolo, em Napoli, Totó chegou ao seu quinto gol, porém, Cláudio Caniggia, carrasco do Brasil nas oitavas de final, igualou o marcador e levou o duelo para as cobranças de penalidades máximas. Ao final da disputa, os sul-americanos saíram vencedores e com uma vaga na grande final.

Apesar de decepcionada, a torcida italiana compareceu ao Estádio San Nicola, em Bari, para ver sua seleção conquistar o terceiro lugar da Copa do Mundo, com uma vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra. Como de costume, Schillaci foi às redes, em uma cobrança de pênalti já no final da partida, que garantiu o triunfo dos donos da casa. Com o novo tento, o atacante chegou aos seis gols durante o torneio, alcançando a artilharia isolada.

Após o Mundial, o atleta disputou mais uma temporada com a camisa da Juventus e acabou sendo comprado pela Internazionale de Milão, em 1992. Pela equipe nerazzurri, Salvatore não conseguiu mostrar o bom desempenho de outros momentos de sua carreira, principalmente por uma sequência de problemas físicos sofridos.

Sem chances de disputar a Copa do Mundo dos Estados Unidos, Schillaci aventurou-se no futebol do Japão. Em 1994, assinou com o Jubilo Iwata, clube no qual recuperou seu bom futebol e alcançou uma média de 0,71 gol por partida. Pela equipe japonesa, chegou a atuar ao lado de Dunga e Adílson Batista, além de ser comandado por Luiz Felipe Scolari. Conhecido como "Toto-San" no país, encerrou sua carreira em 1998.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos

ÍDOLOS DA COPA

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Uma carreira interrompida pela guerra

Poucos jogadores italianos mostraram tanto faro de gol quanto Silvio Piola, grande ídolo nas décadas de 1930 e 1940.

O atacante balançou as redes mais de 400 vezes em uma carreira que foi interrompida por causa da Segunda Guerra Mundial, com a paralisação do Campeonato Italiano e da Copa do Mundo. Está eternizado na galeria de notáveis do país europeu por liderar a conquista do Mundial de 1938.

Piola começou a carreira atuando pelo tradicional Pro Verselli, time com o qual conquistou a Série B do Campeonato Italiano. Em 1934, transferiu-se para a Lazio, equipe de coração do ditador fascista Benito Mussolini, e lá permaneceu até que a Guerra paralisasse o Calcio. Levou a equipe a seu melhor resultado no período pré-conflito mundial: o vice-campeonato da temporada 1936/1937, quando se sagrou, pela primeira vez, artilheiro da competição.

Antes de deixar o clube romano, foi novamente vice-campeão e artilheiro, em 1943. O fato de nunca ter sido campeão nacional foi a grande mágoa de Silvio Piola nos gramados. Suas vistosas atuações não foram suficientes para garantir um Scudetto. No ano seguinte, defendeu o Torino, mantendo o bom momento e os muitos gols - no entanto, com a paralisação do Campeonato Italiano, sequer teve a chance de disputar o título.

Nas duas temporadas seguintes, defendeu o arquirrival do Torino: a Juventus. Piola não escapou de mais frustrações: foi vice-campeão nacional mais duas vezes, ficando atrás justamente da outra equipe de Turim. Encerrou a carreira em 1954, defendendo o Novara, que estava na Série B. Na despedida, foi aplaudido por 90 mil pessoas, em uma partida em Florença. Pendurou as chuteiras como o maior artilheiro da Série A, com 274 gols.

Redenção

 

Se não foi ao topo com a camisa de clubes italianos, Silvio Piola brilhou muito vestindo o uniforme da sua seleção. Foi o grande destaque na conquista da Copa do Mundo de 1938, disputada na França. Marcou cinco gols, incluindo o que definiu o título, mas sua atuação não foi decisiva somente neste derradeiro duelo. Logo na estreia, garantiu a classificação ao balançar as redes na prorrogação, na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega.

Nas quartas, desempatou a partida com os franceses quando o placar estava 1 a 1, avançando com a Azzurra com mais dois gols. Na semifinal contra o Brasil, quando os italianos venceram por 2 a 1, sofreu o pênalti do segundo tento, o que serviu como um 'balde de água fria' nas pretensões dos sul-americanos. Fez história ao lado de nomes como Giuseppe Meazza, outra lenda do futebol italiano.

Provocação e polêmica

 

O rótulo de 'grande atacante' não chegou a Silvio Piola somente por suas atuações com a bola nos pés. Sua grande inteligência lhe servia para enganar adversários e ajudar companheiros de equipe. Foi assim que garantiu a classificação da seleção italiana para a semifinal da Copa do Mundo de 1938, na vitória por 2 a 1 sobre o Brasil. Desfalcada de Leônidas da Silva, a Seleção Brasileira tentava o empate no segundo tempo quando um pênalti praticamente selou a vitória dos europeus.

O lance entrou para a lista de polêmicas protagonizadas em Mundiais. Aos 11 minutos do segundo tempo, o árbitro suíço M. Wutrich marcou penalidade de Domingos da Guia em Silvio Piola por agressão. O ato se deu dentro da área, enquanto a bola já havia saído pela linha de fundo - não havia perigo de gol. A imprensa internacional, na época, contestou a marcação e a motivação do exímio defensor brasileiro para cometer tamanha falha em uma partida decisiva.

Em depoimento ao livro O Divino Mestre, do jornalista inglês Aidan Hamilton, Domingos da Guia comentou a polêmica. Era ele o responsável por marcar Piola e, aos poucos, começou a se estranhar com o jogador, trocando ofensas bilingues. As provocações foram aumentando e, no lance em questão, Piola teria agredido o zagueiro. Apenas o revide, motivado por um momento de ódio, foi visto pelo árbitro. Os brasileiros se revoltaram e Piola, sem encostar na bola, garantiu a classificação da Azzurra.

Na grande decisão do Mundial, a festa italiana estava em jogo na França e, para a felicidade geral da nação, Piola não decepcionou. A sina do vice-campeonato que o perseguiu por toda a carreira não pesou. Em Paris, o jogador balançou as redes duas vezes na vitória por 4 a 2 sobre a Hungria. No primeiro deles, desempatou a partida quando o placar marcava 1 a 1, aos 16 minutos da primeira etapa. Aos 37, quando os italianos já venciam por 3 a 2, decretou de vez o título, marcando novamente para colocar a Itália na galeria dos grandes campeões mundiais.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.

 

 

 

 

ÍDOLOS DA COPA

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O jogador mais politizado da história do futebol brasileiro

Sócrates, Doutor, Magrão. Não importa se chamado pelo nome ou pela alcunha. Trata-se do jogador mais politizado da história do futebol brasileiro. Foi o líder do maior movimento criado pela sua classe no País, a Democracia Corinthiana, em que os funcionários do Corinthians determinavam os rumos do clube por meio do voto – em plena Ditadura Militar.

Sócrates, no entanto, foi muito mais do que um cidadão engajado ou um médico, sua profissão de formação, de meiões e chuteiras. O Doutor também ganhou notoriedade pelo futebol elegante, de extrema habilidade, bem caracterizada pelo tipo de jogada que mais o marcou: o toque de calcanhar.

 

Frustrações em verde e amarelo

 

Sócrates disputou 63 partidas pela Seleção Brasileira, com 25 gols marcados. A estreia foi em grande estilo, em 17 de maio de 1979, com uma goleada por 6 a 0 sobre o Paraguai. Das Copas do Mundo de que participou, em 1982 e 1986, porém, ficaram as frustrações.

Sócrates compôs o fantástico meio-campo da Seleção Brasileira de Telê Santana no Mundial da Espanha, junto com Toninho Cerezo, Falcão e Zico. Após encantar o mundo com um futebol vistoso, o Brasil caiu naquele torneio diante da Itália, na semifinal. Poderia avançar até com um empate, mas acabou derrotado pelo time do carrasco Paolo Rossi por 3 a 2.

Quatro anos mais tarde, no México, a Seleção Brasileira empatava por 1 a 1 com a França nas quartas de final quando o goleiro Bats cometeu pênalti sobre Branco. Sócrates era o cobrador oficial do Brasil, mas permitiu que Zico, pouco depois de entrar em campo, batesse a penalidade máxima. O ídolo do Flamengo desperdiçou, e o jogo foi para a prorrogação e posteriormente para a decisão da marca da cal. Júlio César carimbou a trave, e Sócrates parou no goleiro francês, decisivo para o triunfo por 5 a 4 sobre a talentosa geração brasileira.

O surgimento no Botafogo-SP

 

O paraense Sócrates iniciou a sua carreira como atacante nas categorias de base do Botafogo de Ribeirão Preto, cidade para onde a sua família se deslocou no início da década de 1960. Não demorou a ser notado por quem estava a cargo do time profissional, chamando atenção pela qualidade técnica e pelo porte físico incomum, que lhe dava um aspecto desengonçado.

Paralelamente à dedicação ao Botafogo-SP, Sócrates iniciou a sua graduação em Medicina e, durante quatro anos, conciliou a formação acadêmica com o futebol. Por isso, foi chamado de “Craque-médico” e, depois, simplesmente de “Doutor”.

A profissionalização no futebol veio somente em 1974. Dois anos depois, Sócrates se tornou o artilheiro do Campeonato Paulista, com 15 gols. Era o que faltava para despertar o interesse dos clubes da capital. Em 1978, o folclórico presidente Vicente Matheus venceu a concorrência do São Paulo (clube que teria Raí, irmão de Sócrates, como ídolo) e contratou o Magrão como o novo dono da camisa 8 do Corinthians.

Doutor, eu não me engano, a democracia é corintiana

 

Sócrates vestiu a camisa corintiana em 298 partidas e marcou 172 gols, entre 1978 e 1984. Conquistou os títulos paulistas de 1979, 1982 e 1983 como protagonista. Logo em sua estreia, contra o Santos, antigo clube do coração, o Doutor já deu sinais de liderança dentro do gramado. O Peixe saiu à frente no placar, e, com calma, Sócrates foi ao fundo do gol, pegou a bola e a conduziu até o círculo central enquanto conversava com cada um dos seus companheiros. O Corinthians reagiu, e o jogo terminou empatado por 1 a 1.

A mesma personalidade foi mostrada também fora dos campos. Durante a sua passagem pelo Corinthians, Sócrates foi o mentor da Democracia Corinthiana, movimento criado pelos próprios jogadores que estabeleceu, entre outras ideias, o livre-arbítrio em relação à necessidade de concentração antes de cada partida e a oportunidade de participação nas decisões do departamento futebol do clube.

Inicialmente, a revolucionária iniciativa de Sócrates e outros jogadores, como os amigos Casagrande e Wladimir, não foi bem compreendida e levantou uma série de questionamentos. Ganhou até um ferrenho opositor dentro do próprio elenco do Corinthians, o goleiro Emerson Leão, ídolo do rival Palmeiras.

Os resultados obtidos nos tempos de Democracia, entretanto, são irrefutáveis. Antes de o movimento surgir, Sócrates já havia se estabelecido no clube com o título estadual de 1979 sobre a mesma Ponte Preta derrotada em 1977, ano do fim de jejum de conquistas expressivas do Corinthians. Em 1982, já com a nova ordem em vigor, o Doutor levantou outro troféu de Campeonato Paulista, desta vez sobre o rival São Paulo, que poderia se sagrar tricampeão naquele ano. Em 1983, a final e o vencedor se repetiram, consagrando o elenco de craques de bola e ideias.

A passagem pela Itália

 

No Vale do Anhangabaú lotado, Sócrates prometeu resistir às propostas para jogar no exterior e permanecer no Brasil caso a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que propunha a volta das eleições gerais e diretas no País, fosse aprovada no Congresso Nacional. A derrota política da democracia colaborou com a saída do Doutor para a Fiorentina, da Itália, em 1984.

A passagem por Florença não foi das melhores. Sem se adaptar ao clima, aos costumes e ao idioma locais, Sócrates sentia muita falta do Brasil e não rendeu tanto quanto no Corinthians. A aversão aos pesados treinamentos na Itália e o condicionamento físico atípico para um atleta pesaram para que ele encurtasse a trajetória no futebol europeu.

Retorno ao Brasil

 

Terminada a temporada europeia, Sócrates começou a receber convites para retornar ao Brasil. A Ponte Preta chegou a encaminhar a contratação do ídolo corintiano, que desistiu do negócio ao encontrar outros termos em Campinas. De volta à Itália, não atuou novamente pela Fiorentina. Acabou no Flamengo, ao lado do amigo Zico, com quem dividiu o gramado do Maracanã apenas em uma ocasião, em função dos problemas físicos de ambos.

Ao final do ano, Sócrates resolveu sair do Rio de Janeiro. Rodou pelos campos de várzea do interior paulista até meados de 1988, quando parou no Santos. As atuações pelo time da Vila Belmiro, contudo, foram discretas e tiveram fim em 1989, após desentendimentos com a diretoria.

O clube em que Sócrates encerrou a carreira foi o mesmo em que iniciou, o Botafogo-SP. Já com 35 anos, passou a sua experiência aos mais jovens antes de, enfim, dedicar-se também à Medicina.

Morte

 

Sócrates sofreu uma hemorragia digestiva em 2011, época em que reconheceu publicamente o seu problema de alcoolismo. Morreu aos 57 anos, em 4 de dezembro, no mesmo domingo em que o Corinthians conquistou o seu quinto título de Campeonato Brasileiro. Naquela tarde, antes do empate por 0 a 0 com o Palmeiras, jogadores e torcedores presentes no Pacaembu homenagearam o Doutor erguendo os punhos cerrados para o alto, como ele comemorava os seus gols.

*Narração: Michelle Giannella. Edição de áudio: Bruna Matos.

ÍDOLOS DA COPA

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Vai que é sua, Taffarel

Um dos principais goleiros da história do futebol brasileiro, Cláudio André Mergen Taffarel disputou 108 partidas oficiais com a camisa da Seleção Brasileira.

O ex-jogador carrega um currículo diferenciado: além de ter apenas 13 derrotas jogando pelo Brasil, é o único goleiro campeão na história a defender um pênalti em uma final de Copa do Mundo.

Nascido no dia 8 de maio de 1966, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, Taffarel iniciou sua carreira ainda jovem, aos 17 anos, no time do interior gaúcho Tupi de Crissiumal. No mesmo ano, fez testes no Grêmio, mas foi reprovado. Em 1985, depois de três tentativas, conquistou seu lugar no futebol profissional no Internacional.

Seis meses depois de ter passado pela peneira do clube de Porto Alegre, ainda em 1985, Taffarel, conhecido apenas como Cláudio na época, foi campeão mundial de juniores pela Seleção Brasileira, em Moscou.

Em setembro do mesmo ano, foi promovido a titular do Internacional. A partir daí, tornou-se ídolo de uma torcida que estava acostumada com grandes goleiros, como Manga e Benítez. Vice-campeão nacional em 1987 e 1988, Taffarel foi um dos destaques do Inter e, pela Seleção Brasileira, em 1988, conseguiu a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, com uma atuação de destaque por ter defendido três pênaltis nas semifinais contra a Alemanha Ocidental.

Ao sair do Inter em 1990, o goleiro se transferiu ao Parma, ficando até 1993. Além deste, Taffarel vestiu as camisas do time italiano Reggiana de 1993 a 1994, do Atlético-MG de 1995 a 1998, e do Galatasaray, da Turquia, de 1998 a 2001. Mas foi na Seleção Brasileira que o goleiro se consagrou e ficou caracterizado por ser um especialista em defender pênaltis.

Apesar disso, a condição de titular absoluto do Brasil chegou a ser questionada em 1993, quando Taffarel não vivia uma boa fase. As falhas no jogo contra a Bolívia, em La Paz, aumentaram ainda mais a pressão. Esquivando-se das críticas, o arqueiro brasileiro acabou sendo peça central na conquista do tetracampeonato mundial em 1994, nos Estados Unidos. Na final, contra a seleção da Itália, ele segurou a cobrança de Massaro e viu Roberto Baggio isolar a bola por sobre o travessão.

Mesmo assim, ele ainda era um goleiro muito criticado, capaz de cometer falhas, o que para muitos era sinal de que ele deveria passar a camisa verde e amarela para outro. Contudo, o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo confiava na sua experiência e nas boas

atuações em duas Copas do Mundo: 1990 e 1994. Por isso, decidiu mantê-lo na posição para o Mundial da França, em 1998.

Contra a Holanda, nas semifinais, Taffarel defendeu as penalidades de Cocu e Ronald De Boer e colocou o Brasil na final. Depois do título perdido para a França na decisão, o atleta enfim abandonou o posto de dono da meta da Seleção, mas sua carreira de sucesso não terminou neste evento.

Taffarel foi jogar na Turquia, pelo Galatasaray, conquistando a Copa da Uefa de 2000, título inédito para uma equipe turca. As defesas do brasileiro, além da sua sorte na cobrança decisiva de pênaltis contra o Arsenal da Inglaterra, foram fundamentais. Em 2002, deixou a equipe turca para atuar no Parma da Itália, mas por um período breve. O atleta tetracampeão mundial deixou o futebol no mesmo ano.

Membro da comissão técnica de Dunga em 2010 e, mais recentemente, na última passagem do treinador pela Seleção Brasileira, Taffarel foi o único membro da antiga equipe a ser mantido por Tite. Atualmente, o campeão mundial em 1994 se divide na função de preparador de goleiros do Galatasaray e do time canarinho.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.

ÍDOLOS DA COPA

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Vavá, o "Peito de Aço"

Embora não nascesse com o dom e a habilidade de craques de sua geração, como Pelé e Garrincha, Edvaldo Izídiodo Santos, mais conhecido como Vavá, ostenta seu nome na galeria dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro. Sem intimidar-se com os zagueiros adversários, o campeão do mundo em 1958 e 1962 começou sua carreira profissional no Sport.

O oportunismo à frente dos goleiros, aliado a gana de disputar a bola a qualquer custo dentro das quatro linhas, rendeu o apelido de Peito de Aço ao jogador. Meio-campista responsável pela armação ofensiva no Leão da Ilha do Retiro, Vavá acabou transferido para o Vasco da Gama no ano de 1952, depois de destacar-se nas Olimpíadas de Helsinque com a camisa do Brasil. Sob o comando de Flávio Costa no Gigante da Colina, este pernambucano deixou o setor criativo e passou a atuar como atacante, posição em que se consagraria pelos profissionais da Seleção nacional.

Ainda um garoto de 17 anos de idade, Vavá enfrentou seu primeiro grande desafio com a camisa cruz-maltina logo em seu ano de estreia pelo clube. A missão daquele jovem atleta era substituir o craque vascaíno Ademir de Menezes na decisão do Campeonato Carioca contra o Bangu. A responsabilidade não assustou a revelação, que assinalou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o alvirrubro, que garantiu o título estadual daquele ano ao time da Colina. Ainda no Vasco, o atacante venceu mais duas taças fluminenses, em 1956 e 1958 - último ano de sua passagem pelo clube de São Januário.

Talismã nacional

 

As boas atuações pelo Vasco renderam ao jogador a convocação à Copa de 1958. No entanto, o nome de Vavá soava em segundo plano em uma equipe com craques do nível de Didi, Mazola, Zagallo e Zito. Depois de estrear com vitória por 3 a 0 sobre a forte seleção austríaca, o Brasil tropeçou pela primeira vez no Mundial contra a Inglaterra. O empate sem gols e a atuação abaixo do esperado fizeram o técnico Vicente Feola mudar parte da equipe titular às vésperas do encontro decisivo contra a União Soviética. O triunfo era fundamental para garantir o grupo verde-amarelo na próxima etapa do Mundial da Suécia.

Entre as substituições feitas por Feola estavam as entradas de Pelé, de apenas 17 anos, e Garrincha. Com a dupla, Vavá passou a se destacar e, depois de uma atuação apagada diante dos ingleses, o Peito de Aço marcou duas vezes e garantiu a vitória brasileira. Classificação e um futebol inspirado que passou a impressionar a Europa.

A convincente exibição ante os soviéticos manteve a estrutura da equipe para os confrontos eliminatórios. Depois de uma vitória simples contra o País de Gales nas quartas de final, com gol de Pelé, o Brasil tinha pela frente nas semifinais um dos times mais fortes do torneio: a França. Contudo, os Bleus se renderam aos talentos do jovem menino, de Garrincha e de Vavá. Triunfo por 5 a 2, com um gol do atacante vascaíno logo no início do duelo, e vaga na decisão.

Inspirado na Copa do Mundo e confiante, o Peito de Aço novamente usou seu oportunismo para benefício brasileiro. Atrás no marcador diante dos suecos na final, o Brasil viu o artilheiro marcar dois gols e iniciar a virada que culminou na vitória por 5 a 2. Resultado: primeiro título mundial para o time verde-amarelo e reconhecimento a Vavá.

Imigração e assinatura na história das Copas

 

As exibições na Suécia despertaram o interesse do Atlético de Madri. O poderoso clube espanhol, rival do Real Madrid de Di Stéfano e Puskas, comprou Vavá depois do título mundial. Embora tenha ficado quatro temporadas no país ibérico, o ex-atacante vascaíno não comemorou títulos, que ficariam guardados para o ano de 1962.

Sempre decisivo com a camisa amarela, Vavá ganhou uma grande responsabilidade no Mundial do Chile. Com a lesão de Pelé, o atacante assumiu a liderança da equipe ao lado de Garrincha e novamente não decepcionou. Depois de passar a primeira fase em branco, o Peito de Aço afiou seu oportunismo no mata-mata e cravou seu nome na história do futebol.

Autor de três gols no torneio, nas vitórias por 3 a 1 contra a Inglaterra nas quartas de final, e por 4 a 2 sobre o Chile nas semifinais, em que balançou as redes em duas oportunidades, Vavá tornou-se o primeiro jogador a marcar em duas finais de Copa do Mundo. Ante a Tchecoslováquia, o atacante fechou o triunfo por 3 a 1 e sacramentou o bicampeonato para o Brasil.

Brilho na Academia

 

Duas vezes campeão mundial, Vavá retornou ao Brasil para desbancar o praticamente imbatível Santos de Pelé. Ao lado de Ademir Da Guia, Julinho Botelho e Djalma Santos, o Peito de Aço comandou o Palmeiras no Campeonato Paulista de 1963. As atuações alviverdes desbancaram o Peixe do Rei do Futebol no Estadual daquele ano. Mais um título para o eterno camisa 20 da Seleção Brasileira.

Final de carreira

Depois de brilhar pelo Palmeiras em 1963, Vavá aventurou-se pelo México, onde atuou pelo América e pelo TorosNaza. No país, o atacante ganhou o apelido de El Toro. Após rápida passagem pelo San Diego Toros, o jogador retornou ao Brasil e encerrou sua carreira na Portuguesa-RJ, em 1969.

Técnico após sua aposentadoria, Vavá estufou o peito pela última vez em 2002. Dois anos depois de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e passar a viver sobre uma cadeira de rodas, o bicampeão mundial enfrentou problemas cardíacos e morreu no dia 19 de janeiro, no Rio de Janeiro, cidade que desbravou ao deixar Pernambuco para tornar-se um dos grandes jogadores brasileiros de toda a história das Copas do Mundo.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.

 

 

 

 

ÍDOLOS DA COPA

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Jogador, treinador ou coordenador técnico

Ao longo de sua trajetória na Seleção Brasileira, pouco importou a função exercida por Mário Jorge Lobo Zagallo: em todas, o detentor da “mística do 13” foi vencedor. No início da carreira, ainda no América-RJ, em 1948, o jovem atleta mal sabia que entraria para a história do País do futebol, tornando-se um ícone da Seleção mais vencedora de todos os tempos.

Nascido no dia 9 de agosto de 1931, o jogador alagoano defendeu apenas clubes cariocas. Depois de iniciar a carreira no América-RJ, Zagallo jogou pelo Flamengo entre 1950 e 1958 e viveu seu auge defendendo as cores do Botafogo. Desde o primeiro título mundial da Seleção Brasileira até o final de sua carreira, em 1964, o Velho Lobo fez história em General Severiano.

Destaque no futebol do Rio de Janeiro, Zagallo não teve dificuldades para se acostumar com o fato de defender a Seleção Brasileira no Estádio do Maracanã. Logo na estreia, em uma goleada por 5 a 1 sobre o Paraguai, pela Taça Oswaldo Cruz, em 1958, o atacante balançou as redes em duas ocasiões. Começava uma história de amor e ódio que marcaria o restante de sua carreira como jogador ou técnico da equipe canarinho.

E a camisa amarela caiu bem. Em seu quinto jogo pela Seleção, o Velho Lobo já estreava com o pé direito em uma Copa do Mundo, na vitória sobre a Áustria, por 3 a 0. Zagallo foi titular nos seis jogos da competição, marcando um gol, justamente na final, quando o Brasil goleou os anfitriões suecos: 5 a 2.

O Brasil, enfim, conquistava o mundo e logo aprendeu a fórmula para chegar ao triunfo novamente. Em 1962, desta vez no Chile, a Seleção Brasileira chegou ao bicampeonato, vencendo a Tchecoslováquia, por 3 a 1, na final. Titular nos seis jogos da equipe, Zagallo marcou logo na estreia, na vitória sobre o México, por 2 a 0. Era a última vez que o atacante balançava as redes defendendo o seu País.

Dois anos mais tarde, Zagallo se despedia da Seleção Brasileira, já como reserva, diante de Portugal, pela Taça as Nações, mas o jogador voltaria à equipe verde e amarela em uma nova função. Às vésperas da Copa de 1970, o Velho Lobo foi chamado para assumir o cargo de treinador, deixado vago com a saída de João Saldanha. O convite logo deu resultado: no mesmo ano, Zagallo chegava a seu terceiro título mundial.

No México, a Seleção Brasileira encantou o mundo e sobrou na Copa. Desta forma, Pelé, Rivellino, Carlos Alberto, Jairzinho, Tostão, Gérson, entre outros, conquistaram o tricampeonato para o Brasil. Após a goleada sobre a Itália na decisão, no entanto, Zagallo viveu uma fase complicada como treinador e, após a disputa da Copa de 1974, renunciou ao cargo no dia 28 de novembro do mesmo ano, alegando ser solidário à saída de João Havelange da CBF.

Acostumada com o fato de figurar entre os primeiros colocados na Copa do Mundo, a Seleção viveu uma fase turbulenta e recorreu a Zagallo para tentar encerrar uma fila de 24 anos sem título.

Contestado, o Velho Lobo foi coordenador técnico em 1994 de Carlos Alberto Parreira, que montou um Brasil eficiente, conquistando o tetra nos Estados Unidos, novamente com uma vitória sobre a Itália na decisão.

Presente em todas as conquistas mundiais, o Velho Lobo voltou a ser a aposta para a Copa de 1998, realizada na França. Antes da competição, no entanto, o Brasil não passava confiança, mas, após o título da Copa América em 1997, o então treinador da Seleção Brasileira disparou uma de suas frases mais famosas: “Vocês vão ter que me engolir”. No Mundial, no entanto, Zagallo não teve sucesso e deixou o cargo depois de ser derrotado, por 3 a 0, pela equipe da casa, na final.

O fracasso não impediu a CBF de voltar a apostar em Zagallo, que reeditaria a dupla com Parreira na Copa de 2006, disputada na Alemanha. Depois de conquistar o penta em 2002, o Brasil chegava como favorito, mas decepcionou nas quartas de final. O algoz foi um antigo conhecido do Velho Lobo: a França de Zinedine Zidane. Enfim, depois de glórias e decepções, Mário Jorge Lobo Zagallo se afastava da equipe canarinho.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.

ÍDOLOS DA COPA

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O camisa 10 da Gávea

Data até hoje imortalizada por torcedores brasileiros e, principalmente, flamenguistas, 3 de março de 1953 marcou o nascimento daquele que seria o grande ídolo da maior torcida do Brasil. Dono de uma precisão milimétrica com seus pés, Arthur Antunes Coimbra ficou famoso para o mundo com outro nome. Meia-atacante e maestro do maior esquadrão já montado pelo Flamengo, Zico fez de sua carreira uma obra de arte.

Inteligente, habilidoso e quase perfeito nos chutes e cobranças de falta, o jogador marcou época no Brasil nas décadas de 1970 e 1980.

Fora do País, desbravou o Japão e é considerado o grande responsável pela popularização do futebol local. Foi, ainda, ídolo da Udinese, em época na qual foi a então mais cara contratação do mundo futebolístico.

 

Início no futebol de salão

 

Do bairro Quintino de Bocaiuva, zona norte do Rio de Janeiro, saiu para o mundo com a enorme classe de seu futebol. O começo, como de muitos garotos, aconteceu no futebol de salão. Iniciou sua trajetória no Juventude de Quintino, mas ganhou notoriedade no River, outro time do futsal carioca. E foi nesta fase de sua vida que Zico ganhou sua primeira chance em um clube grande do Brasil. Observado pelo radialista Celso Garcia, foi levado à escolinha de futebol do Flamengo e por lá ficou até 1971, quando fez sua estreia na equipe profissional do Rubro-negro. O adversário era simplesmente o Vasco da Gama, maior rival do time, e o garoto, então com 18 anos, foi responsável pelo passe para o gol que decretou a vitória flamenguista, anotado pelo atacante Fio Maravilha.

Seu físico franzino, no entanto, além de render a Zico o apelido de Galinho de Quintino, gerava desconfianças quanto ao seu rendimento no futuro. Mesmo participando da campanha do título carioca de 1972, oscilava entre os profissionais e os juvenis para que pudesse aprimorar sua forma física. Foi apenas em 1974, aos 21 anos, que Zico recebeu suas primeiras chances como titular do Flamengo. E o Galinho não decepcionou.

Com o número 10 nas costas, impressionava por sua facilidade em lidar com a bola, passando sem dificuldades pelos adversários, sempre com jogadas em direção ao gol.

As cobranças de faltas também eram vistas pelos torcedores como uma das principais armas de ataque do time. Recebeu, em seu primeiro ano, o prêmio de melhor jogador do Brasileirão, vencido, no entanto, pelo Vasco.

 

Seguiu, então, sem ser campeão pelo Flamengo por mais quatro anos, até 1978. E foi um ano antes, em 1977, que viu acontecer o pior momento de sua carreira até então. Na decisão do Carioca contra o Vasco, Zico desperdiçou sua cobrança de pênalti e viu os rivais serem mais uma vez campeões do Estadual. Muito cobrado pela torcida,

conseguiu dar a volta por cima e criar aquilo que até hoje é conhecido como a "Era Zico" dentro do Rubro-negro. Campeão carioca no ano seguinte, teve sua principal chance até então com a Amarelinha, uma vez que desde o ano de seu debute pela Seleção, 1976, Zico somava duas taças inexpressivas (Copa Rio Branco e Copa do Bicentenário dos Estados Unidos) e oscilava entre o banco de reservas e a condição de titular.

Na primeira das três Copas do Mundo que disputou, Zico chegou com status de promessa e não de grande craque, como seria nos dois Mundiais seguintes. A Copa de 1978, na Argentina, ficou marcada pela eliminação do Brasil depois da derrota do Peru para os anfitriões. E o primeiro gol do Galinho em Copas poderia ter acontecido logo na estreia, se não fosse erro do juiz galês Clive Thomas, que anulou o tento legal do jogador - que seria o da vitória brasileira sobre a Suécia - alegando que a partida já teria terminado. Outro empate contra a Espanha e a vitória sobre Áustria classificaram o Brasil para a segunda fase, mas ainda não tinham acontecido com participação efetiva do meio-campista.

Na estreia brasileira na segunda fase da Copa, Zico finalmente desencantou. De pênalti, fez gol na vitória por 3 a 0 sobre o Peru e colocou a Seleção na disputa pela vaga na final. O empate por 0 a 0 com a Argentina deixou para a última rodada a decisão dos classificados. Os brasileiros fizeram sua parte e venceram a Polônia por 3 a 1. A partida marcou a despedida do Galinho do Mundial, após um choque com o atacante polonês Zbigniew Boniek, que rendeu ao brasileiro uma grave lesão muscular. A vitória argentina por 6 a 0 sobre o Peru classificou os donos da casa para a final, e Zico, lesionado, nem sequer disputou o terceiro lugar, conquistado em partida contra a Itália.

Na volta da Copa de 1978, Zico virou maestro daquela que foi, na época, a maior conquista da história do Flamengo: o Campeonato Brasileiro de 1980. A vitória no torneio nacional transformou o jogador em grande ídolo da torcida rubro-negra, alçando também ao patamar de craques em ação do futebol brasileiro. A imagem só cresceria no ano seguinte, durante a disputa da Libertadores da América. O torneio nunca tinha sido vencido pelo clube carioca, situação que mudou em 1981, sob o comando do Galinho. Com uma equipe memorável, o Flamengo superou adversidades como a violência exacerbada de adversários e se consagrou como campeão da América do Sul.

Zico, então, atingiu o nível de maior jogador da história do time. Vencer o Mundial Interclubes diante do Liverpool, da Inglaterra, só firmou ainda mais o seu nome.

A confiança em uma boa campanha na Copa de 1982, então, foi inevitável. O esquadrão montado por Telê Santana contava com Zico e craques como Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo, Júnior e Leandro, sendo os dois últimos companheiros do Galinho no Flamengo. O futebol praticado pela Seleção encantava a todo o mundo. O Brasil passou sem dificuldades pela primeira fase, anotando dez gols em três partidas - três destes tentos saíram dos pés de Zico. O favoritismo do time de Telê apenas crescia a cada partida disputada e, consequentemente, a cada show em campo.

A segunda fase começou com ainda mais entusiasmo para os brasileiros. Caindo no grupo de Itália e Argentina, a Seleção passou fácil pelos rivais continentais, 3 a 1 com direito a mais um gol de Zico. Os italianos, por sua vez, apesar de terem batido os argentinos, haviam chegado com dificuldades na segunda fase, após três empates e apenas dois gols marcados em sua chave. O favoritismo brasileiro foi proporcional à decepção, quando Paolo Rossi, atacante que acabara de voltar de suspensão em seu país após escândalos com a loteria esportiva, fez três gols e eliminou o Brasil da Copa, em partida que ficou conhecida como a Tragédia de Sarriá, nome do estádio onde a Seleção de Telê caiu. A imagem que mais marcou a eliminação canarinho foi a cena na qual Rossi passara correndo por um desolado Zico para comemorar o terceiro gol italiano.

Após o Mundial, Zico teria tempo ainda de levar o Flamengo a mais dois títulos nacionais, sendo eles de forma consecutiva em 1982 e 1983. Após o bicampeonato, tornou-se o jogador mais caro do mundo ao ser comprado pela Udinese por cerca de US$ 4 milhões, valor recorde à época. Na Itália não foi campeão, mas marcou seu nome como o maior ídolo da equipe de Udine até hoje. Ficou, no entanto, pouco tempo no futebol italiano. Retornou à Gávea em 1985 e participou de sua terceira Copa, em 1986, no México.

Novamente comandado por Telê Santana, o Brasil tinha como principal missão em 1986 apagar o vexame da edição anterior, com a base de jogadores muito parecida nas duas Copas. Zico, novamente, era o grande nome brasileiro. Com menos show do que quatro anos antes, a Seleção passou sem dificuldades para a segunda fase, vencendo todos seus três jogos sem sequer tomar gols. Zico, no entanto, não havia marcado nenhum dos cinco tentos anotados pelo Brasil até o momento. Nas oitavas de final, o país batido foi a Polônia, desta vez com goleada: 4 a 0. Apesar das boas atuações, o Galinho recebia críticas por não marcar gols. E assim seguiu nas quartas de final, quando o adversário era a França de Michel Platini.

O Estádio Jalisco, em Guadalajara, estava lotado para assistir ao duelo entre dois dos melhores jogadores do mundo: Zico e Platini. E o primeiro viu sua Seleção sair na frente com gol de Careca. Platini, ainda no primeiro tempo, empatou. A grande imagem da partida, no entanto, foi a cobrança de pênalti desperdiçada pelo Galinho. Após apanhar muito, o meia deu passe genial para o lateral Branco, que foi derrubado na área. Na cobrança, o meia falhou e a partida foi para a prorrogação. Nas penalidades máximas, o Brasil caiu mais uma vez, e o camisa 10 foi tido como o grande culpado pela derrota.

Galinho ainda foi campeão brasileiro mais uma vez, na polêmica edição de 1987, novamente pelo Flamengo. Já em final de carreira, passou pelo Japão, onde é considerado até hoje como um dos embaixadores do futebol. Mas nada que apagasse definitivamente a imagem do pênalti perdido no Jalisco. Assim como nada apaga a genialidade de Zico com a bola nos pés. Aposentou-se em 1994, pelo Kashima Antlers. Atualmente trabalha como comentarista esportivo.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.

ÍDOLOS DA COPA

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Ídolo da França e carrasco do Brasil

Zidane entrou para a história do futebol ao levar a seleção francesa à conquista de sua primeira Copa do Mundo da história, colocando ainda os Bleus definitivamente entre os grandes. No caminho para a glória, se mostrou um impiedoso algoz da Seleção Brasileira, participando ativamente de duas dolorosas derrotas da equipe verde e amarela em Mundiais.

Filho de argelinos, Zinedine Yazid Zidane nasceu em Marselha, no dia 23 de junho de 1972, e começou ainda criança a jogar futebol pelo Victorio Mello Football Club. Em seguida, ainda no anonimato, passou a atuar pelo Septemes-les-Vollons. Como já se mostrava superior aos demais da equipe, Zizou não demorou a chamar a atenção de uma agremiação maior na França, mas não no grande clube de sua cidade, o Olympique. Quem deu chance ao meio-campista foi o Cannes, por meio do olheiro Jean Varraud.

Pelo clube, Zidane foi profissionalizado e começou efetivamente sua carreira no futebol. Em uma época em que a França ainda tentava se acostumar sem Michel Platini, seu maior ídolo até então, Zizou fez sua estreia na primeira divisão do país aos 17 anos, em 1989, diante do Nantes. Dois anos depois, o craque marcou seu primeiro gol pelos profissionais do clube, justamente contra o adversário da estreia.

Como era previsto, o Cannes ficou pequeno para o futuro astro francês, que acabou negociado com o Bordeaux, em 1992. Dois anos depois, o meio-campista fez sua estreia pela seleção francesa principal, em confronto contra a República Tcheca. Os Bleus perdiam por 2 a 0, quando o técnico Aimé Jacquet o colocou em campo e o viu marcar os dois gols do empate.

Já em 1996, Zidane teve desempenho decisivo para o Bordeaux ter sido vice-campeão da Copa da Uefa. A partir daí, ele já não era mais só jogador da França, mas do mundo, pois se transferiu para a poderosa Juventus, da Itália. Na equipe de Turim, o meio-campista acumulou títulos e se credenciou para comandar a França na Copa em casa, em 1998.

De personalidade forte, Zizou vestiu a camisa 10 e até foi expulso contra a Arábia Saudita na primeira fase, na goleada por 4 a 0. Mesmo assim, os donos da casa tiveram 100% de aproveitamento no grupo e avançaram para eliminar o Paraguai, de Paulo César Carpegiani, na prorrogação das oitavas de final.

Depois de ter superado a Itália nos pênaltis e eliminado a Croácia na semifinal, a França alcançou a decisão contra o então campeão mundial Brasil. No dia 12 de julho de 1998, Zinedine Zidane entrou para a história, pois fez dois gols de cabeça na vitória por 3 a 0 e, com a tarja de capitão, ergueu a primeira taça mundial da França.

Sem qualquer contestação, foi eleito o melhor jogador do mundo naquela temporada. Dois anos depois, também brilhou na conquista da Eurocopa, conquistando pela segunda vez o prêmio da Fifa de melhor do planeta. Assim, em 2001, o atleta deixou a Juventus para ser uma das estrelas do “galáctico” Real Madrid.

Pelo clube merengue, o atleta ganhou a Liga dos Campeões da Europa 2001/2002 e outras taças nacionais, além de ter se tornado amigo de brasileiros, como Ronaldo e Roberto Carlos. Apesar do fracasso francês na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, sendo eliminado na primeira fase, Zidane se reergueu na temporada seguinte, sendo eleito pela terceira vez o melhor jogador do mundo.

Já a derrota nas quartas de final da Eurocopa de 2004 fez Zidane se decidir pelo fim de sua carreira pela seleção. No entanto, o craque foi convencido a retornar pouco depois, para fazer sua despedida oficial dos gramados na Copa do Mundo da Alemanha. Depois de campanha irregular na primeira fase, a França voltou a encontrar o Brasil, nas quartas de final. O time de Carlos Alberto Parreira era considerado favorito, mas o camisa 10 dos Bleus provou por que se tornou carrasco brasileiro, ajudando sua equipe a eliminar os pentacampeões. O gol foi de Henry, com assistência de Zizou.

A equipe dirigida por Raymond Domenech avançou à decisão contra a Itália, no jogo que marcaria a despedida do meio-campista. O camisa 10 abriu o placar do jogo, em cobrança de pênalti, mas Materazzi empatou, levando para a prorrogação. Quando o tempo-extra estava perto do fim, os dois autores dos gols voltaram a ser protagonistas.

Zidane se irritou com a provocação do zagueiro italiano e acertou uma cabeçada no peito do adversário, sendo expulso. Foi o último lance da carreira de um dos gênios do futebol. No fim, a Azzurra triunfou nos pênaltis.

Passado o período em que brilhou nos gramados, Zidane decidiu investir em sua qualificação para se tornar treinador e iniciou sua nova trajetória nas categorias de base do Real Madrid. No clube merengue o ex-jogador comandou a equipe B antes de assumir o time profissional no meio da temporada 2015/16, substituindo Rafa Benítez. Na beira do gramado, o ídolo francês vem provando que é tão competente quanto foi jogando futebol e mesmo com pouco tempo de profissão já ostenta nada mais, nada menos que duas Ligas dos Campeões, dois Mundiais Interclubes, duas Supercopas Europeias, um Campeonato Espanhol e uma Supercopa da Espanha.

*Narração: Marina Panizza. Edição de áudio: Bruna Matos.