Vereador condena anistia ao Trio de Ferro e defende pagamento das dívidas

Daniel Chiesa Gelbaum* - São Paulo,SP

19-02-2016 10:00:07

 

A disputa no governo paulista pelo pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) por parte dos três clubes grandes do estado - Corinthians, Palmeiras e São Paulo – ganhou novos capítulos nesta semana. O prefeito Fernando Haddad (PT) autorizou a cobrança de cerca de R$ 300 milhões das agremiações relativos ao período que abrange os anos de 2010 a 2014. O Trio de Ferro tenta o apoio dos vereadores para conseguir a anistia da dívida.

Na última terça-feira, parlamentares de diversos partidos, encabeçados por Nelo Rodolfo (PMDB) e Milton Leite (DEM), assinaram um projeto de lei que defende o perdão da dívida. Arselino Tatto (PT), líder do partido na Câmara, que não concorda com a anistia e apoia o pagamento do valor devido, explica a situação.

“Este debate começou a surgir nesta semana, na terça-feira, durante o colégio de líderes. Vários vereadores, de todos os partidos, apresentaram projetos de lei para anistiar as dívidas. O prefeito entrou com uma ação para cobrar estas dívidas, o que é correto. A proposta deles era a anistia, igual fizeram com as escolas de samba”, disse Tatto, em entrevista para a Gazeta Esportiva, para em seguida se posicionar com veemência.

“Eu acho uma vergonha os vereadores não quererem que os clubes paguem este imposto. Eles devem R$ 300 milhões e não contribuem em nada para a cidade. Tem vereador que quer anistiar esta dívida e eu não concordo com isso. Tem que cobrar mesmo, o prefeito está correto. Eles não são melhores do que qualquer cidadão, que é obrigado a pagar o IPTU, o ISS e os demais impostos. Eles têm de ser penalizados”, afirmou.

De acordo com Arselino Tatto, os clubes paulistas utilizam espaços que pertencem ao município e não pagam pelo uso. “Corinthians, São Paulo e Palmeiras devem. São Paulo e Palmeiras ainda usam o CT da Barra Funda, que é área pública, e não pagam nada. Não tem nenhuma contrapartida. Com o que eles contribuem para a cidade? Com nada. Eles vendem um jogador para a China, para qualquer lugar do mundo, ganham milhões e a Prefeitura não recebe nada em troca. Tem eventos que atraem turistas para a cidade, mas o futebol não atrai ninguém”, alegou.

Caso o valor tenha realmente que ser pago à Prefeitura, a administração municipal já tem planos para usar o dinheiro, garante Arselino Tatto. “Tem muitas coisas a serem feitas. Construir creches, construir escolas, fazer asfalto na periferia, construir postos de saúde, hospitais, fazer corredores de ônibus, construir centros para a recuperação de drogados, centros para acolhimento de idosos”, enumerou.

O líder do PT na Câmara dos Vereadores defende o pagamento integral da dívida, ou seja, R$ 100 milhões de Corinthians, Palmeiras e São Paulo, mas acena com a possibilidade de uma renegociação dos valores caso seja apresentada alguma compensação vantajosa para a administração municipal.

“Precisaria ver qual é a contrapartida. É uma farra, uma festa o que os clubes fazem com as áreas públicas. Mas todo mundo tem medo de tocar neste assunto, porque pode ser que percam votos. São R$ 300 milhões. Mesmo que fique sozinho na Câmara vou enfrentar este debate lá”, assegurou Tatto.

*especial para a Gazeta Esportiva

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