Sindicato de Atletas de São Paulo critica redução no tempo de descanso dos jogadores

São Paulo, SP

16-10-2020 22:45:34

Por meio de uma nota oficial, o Sindicato de Atletas de São Paulo (Sapesp) criticou a decisão da Federação Nacional de Atletas (Fenapaf) que reduz o tempo de descanso mínimo dos jogadores de 72 para 48 horas.

A entidade paulista afirma que a determinação da Fenapaf, que atende aos interesses da CBF, foi realizada sem a consulta de especialistas médicos e que representa "mais uma manobra contra a categoria". Além disso, ressalta que o intervalo equivalente a três dias "trouxe para o atleta de futebol a proteção de sua saúde no que diz respeito ao período de recuperação física".

O Sapesp ainda destaca que enviou um comunicado aos clubes cobrando a adoção de rígidos cuidados para a prevenção de lesões, a fim de "reforçar a defesa da categoria e colaborar na construção de um segmento mais forte".

Confira a nota do Sapesp na íntegra:

Responsável pela conquista que garantiu ao atleta de futebol o descanso mínimo de 72 horas entre as partidas, o Sindicato de Atletas São Paulo contesta a alteração do intervalo, mesmo em época de pandemia.

Importante lembrar que a medida trouxe para o atleta de futebol a proteção de sua saúde no que diz respeito ao período de recuperação física. O excepcional trabalho foi realizado com base em laudos técnicos muito bem elaborados por um dos maiores fisiologistas do país, Dr. Turibio Leite de Barros.

Posteriormente, a Federação Nacional de Atletas (Fenapaf), atualmente comandada por um grupo afinado com os interesses da CBF, concordou com a redução para 66 horas, e agora para apenas 48 horas.

Também importante reforçar que o Sindicato de Atletas SP jamais pleiteou impedir ou interferir no calendário das agremiações. O foco sempre foi a defesa da integridade física dos atletas. Em resumo, o clube poderia jogar quantas vezes fosse necessário, desde que utilize jogadores diferentes caso os jogos sejam realizados em um intervalo menor que 66 horas.

Há mais de quatro anos, a atual Federação Nacional de Atletas (Fenapaf) não representa os atletas profissionais em nível nacional. Vários dos sindicatos mais importantes do país já não fazem mais parte de sua base de apoio, como os casos dos sindicatos de atletas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Goiás.

Agora, em mais uma manobra contra a categoria, a Fenapaf fez novo acordo com a CBF com a justificativa de que seriam poucas rodadas. E sem consultar nenhum especialista médico.

Apenas um evento de sobrecarga física já é suficiente para abreviar a carreira de um atleta, situação que escandaliza o ajuste de interesses dessa entidade com a CBF e não com sua categoria.

Quanto a diminuição do intervalo mínimo entre as partidas, existe outro ponto a se esclarecer: os jogadores que defenderam a Seleção Brasileira na última terça-feira (14 de outubro) pelas eliminatórias, jogaram no dia seguinte por seus respectivos clubes.

Embora essa situação de desgaste físico seja claramente grave (o atleta tem direito ao descanso recuperador), se torna necessário que ele (atleta) queira se aproveitar dessa prerrogativa. O Sindicato de Atletas SP somente pode atuar caso o próprio prejudicado faça a denúncia formalmente, já que a lei limita o poder da instituição sindical de atuação direta quando se trata de direito individual.

Por fim, para reforçar a defesa da categoria e colaborar na construção de um segmento mais forte, o Sindicato de Atletas SP enviou um comunicado aos clubes solicitando cuidados rigorosos contra lesões. Danos graves a qualquer um dos atletas profissionais pode acarretar em reparação judicial e elevados prejuízos aos empregadores.

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