COI diz que Copa a cada dois anos prejudica outros esportes e aumenta desigualdades

São Paulo, SP

16-10-2021 18:40:22

Através de nota oficial, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se posicionou, neste sábado, sobre o plano da Fifa em realizar a Copa do Mundo a cada dois anos. A entidade olímpica se colocou de forma contrária a decisão da Federação internacional, reiterando que diminuir o período de realização do evento pode trazer problemas para outros esportes e prejudicar o calendário do futebol feminino, o que aumentaria a desigualdade de gênero. O impacto na saúde física e mental dos atletas é outro ponto que o COI coloca como argumento para que a mudança não seja feita.

"Diversas Federações internacionais de outros esportes, federações nacionais de futebol, clubes, jogadores, associações de jogadores e técnicos já expressaram muitas reservas e preocupações sobre os planos de gerar mais receita para a Fifa", escreveu o COI.

De acordo com a nota, a mudança no calendário poderia atrapalhar a realização de outros eventos esportivos, como no tênis, ciclismo, golfe, ginástica, atletismo e Fórmula 1. O comitê entende que traria um "desequilíbrio" na diversidade e o desenvolvimento de outros esportes.

"O aumento da frequência e a diminuição do intervalo entre cada Copa do Mundo criaria um confronto e um desequilíbrio com outros esportes internacionais importantes. Isso inclui tênis, ciclismo, golfe, ginástica, natação, atletismo, Fórmula 1 e muitos outros. Isso prejudicaria a diversidade e o desenvolvimento de outros esportes além do futebol", argumentou a organização.

Em relação ao futebol feminino, o COI aponta que a maior frequência do torneio mundial masculino atrapalharia, também, a realização da organização do evento da categoria feminina e, principalmente, prejudicaria a promoção da modalidade no mundo.

O tema tem sido discutido pela Fifa nos últimos meses e apoiado por Gianni Infantino, presidente da entidade. Na última quarta-feira, o suíço-italiano viajou para Israel e voltou a fazer comentários favoráveis sobre a mudança, afirmando que o novo período faria do futebol "verdadeiramente global".

"O COI compartilha essas preocupações e apoia os apelos das partes interessadas do futebol, das Federações Esportivas Internacionais e dos organizadores de grandes eventos para uma consulta mais ampla, inclusive com os representantes dos atletas, o que obviamente não aconteceu.", concluiu o comitê.

 

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