Dorival Júnior diz que 40% dos jogadores da Série A tinham que estar na Série B: "Perdemos em qualidade"

São Paulo, SP

14-11-2021 23:13:51

Dorival Júnior foi um dos convidados do programa "Mesa Redonda", da TV Gazeta, neste domingo. Protagonista do quadro "Paredão", o técnico avaliou o nível do futebol brasileiro.

Dorival vê diminuição da qualidade dos jogadores no Brasil, mas defende o trabalho dos treinadores brasileiros.

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Treinador sempre foi uma muleta de todos os setores que envolvem o futebol. Atleta relaxa quando vê técnico balançando. Que não briga mais por posição... Se produzir, técnico vai gostar sempre. Serve de muleta para a diretoria para resolver situação ou teoricamente solucionar um problema. Para a imprensa, que não questiona técnica e taticamente. Não se questiona o trabalho. Nunca recebi uma pergunta tática após uma partida em 20 anos. As perguntas são no sentido de colocar um volante e fazer gol ou tirar um zagueiro e fazer gol e aí sim sou exaltado. Treinador ficou nessa flutuação. Foi muito cômodo a partir de um momento que qualquer problema é imputado ao treinador. Figura do técnico ficou instável. Eu falo isso desde que eu jogava. Se não mudarmos essa concepção, nunca vamos avaliar realmente o trabalho de um treinador. Na Europa leva quatro anos como foi o Klopp (no Liverpool). Aqui esse tempo é dividido em três técnicos. Quatro, cinco ou até seis treinadores para atingir o resultado que na Europa se atinge com apenas um. Essa instabilidade foi gerada ao longo de todo esse desenvolvimento nos últimos 20 ou 30 anos", disse Dorival.

"Sou a favor (de técnicos estrangeiros), desde que o treinador venha e acrescente algo ao nosso futebol. Nós deixamos as coisas passarem, não abrimos os olhos nessa condição da instabilidade do treinador e da nossa preparação adequada. Não podemos colocar tudo no mesmo tacho. Não são todos que fazem a diferença e nem todos os brasileiros estão defasados. Temos 1500 jogadores fora do país por ano. As nossas equipes são compostas e recompostas ao longo de uma competição. Qual equipe europeia passa por isso? Lá, eles mantêm a base e pegam outros bons jogadores. No Brasil, é o contrário. Se recompõe a equipe duas ou três vezes num ano. Tem que fazer resultado e bom futebol ao mesmo tempo. São muitos jogadores saindo prematuramente. Os bons e os médios. Se no Flamengo tivéssemos mais três fora, no Palmeiras mais três, no Vasco mais três... Elevaríamos o nível do nosso futebol. Na minha época, 10 ou 15 saiam. E na minha opinião, respeitando todos os profissionais, 40% dos jogadores não poderiam estar na Série A", completou.

Dorival ainda falou sobre a "raridade" de jogadores dribladores como Michael, do Flamengo.

"Eles têm que brincar, como o Michael faz. São três ou quatro com essa condição de um para um. Perdemos isso, essa essência. Não temos mais drible. Os que fazem estão fora, concluiu.

Dorival Júnior tem 59 anos e está sem clube desde 2020, quando foi demitido pelo Athletico. Ele quer voltar a trabalhar em 2022.

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