Defensores dos direitos humanos comemoram derrota de xeque na Fifa

São Paulo, SP

26/02/16 | 15:23 - 26/02/16 | 15:27

FIFA presidential contender Sheikh Salman bin Ebrahim al Khalifa delivers a speech during the FIFA electoral congress on February 26, 2016 in Zurich. FIFA members will elect a new president and pass reforms they hope will open an escape route from a storm of scandal symbolised by the downfall of veteran leader Sepp Blatter.  AFP PHOTO / OLIVIER MORIN / AFP / OLIVIER MORIN
Salman al-Khalifa é acusado de consentir com prisões e torturas de atletas no Bahrein (Foto: Olivier Morin/AFP)

Organizações defensoras dos direitos humanos no Bahrein comemoraram nessa sexta-feira a derrota do presidente da Confederação Asiática de Futebol, xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa, na disputa pela chefia da Fifa. Membro da família real do país, Khalifa é acusado de ter consentido com casos de prisões arbitrárias e torturas contra atletas que protestaram há quatro anos pela democratização do país.

Após ser apontado como favorito, Khalifa recebeu 88 votos no segundo turno da eleição presidencial e foi superado pelo suíço-italiano Gianni Infantino, que teve 115 votos. Refugiados bareinitas que se concentravam do lado de fora da arena multiuso onde ocorria o Congresso Extraordinário da Fifa, na capital suíça de Zurique, receberam com festa o resultado. Os manifestantes carregavam cartazes com dizeres contrários a Khalifa e bandeiras do Bahrein.

A participação do dirigente na repressão aos ativistas teria ocorrido em meio aos protestos que sacudiram o país em 2011. Inspirados pelos levantes populares da Primavera Árabe, partidos de oposição foram às ruas para exigir a saída da dinastia que comanda o Bahrein há mais de 200 anos. A operação lançada pela monarquia para sufocar as manifestações deixou ao menos 89 mortos e levou mais de 1.200 à prisão.

Então chefiada por Khalifa, a federação de futebol do Bahrein disse que agiria contra todos os esportistas que haviam participado dos protestos. Com a direção do dirigente, um comitê especial foi criado na época para que os atletas fossem identificados e punidos por sua atuação nas manifestações. Acredita-se que cerca de 150 atletas foram identificados e sancionados pelo comitê, sendo que muitos foram expostos a torturas durante o período de detenção.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, em dezembro do ano passado, Khalifa negou as acusações ao dizer que o comitê não havia tomado nenhuma ação legal. No entanto, Sayed Ahmed Alwadaei, diretor de advocacia no Instituto do Bahrein por Direitos e Democracia (Bird, na sigla em inglês), afirmou que a organização da qual faz parte continuará pressionando as autoridades internacionais para que Khalifa seja investigado. Estima-se que ao menos 79 esportistas seguem presos no país.

"Enquanto muitas das vítimas de violação de direitos no Bahrein estão contentes com a derrota do xeque Salman, nós continuaremos pressionado por investigações sobre os abusos. Ele ainda é o presidente do futebol asiático e, até responder pelos atos e ser questionado, ele continuará menosprezando os direitos humanos e a transparência na Fifa e no Bahrein. Se ele tiver coragem, deixem que ele peça a libertação dos atletas que ainda são prisioneiros no Bahrein", afirmou Alwadaei.

Protesters hold a banner depicting victims of Bahrain's anti-regime protests as they demonstrate against the candidacy of Bahrain's Sheikh Salman bin Ebrahim al-Khalifa on the sidelines of the extraordinary FIFA Congress during which a new president will be elected in Zurich on February 26, 2016. The 50-year-old is a senior member of the Bahraini royal family and has substantial support amongst football's powermongers. But human rights groups have accused him of being involved in the arrest and torture of footballers involved in the 2011 civil protests when he was head of the Bahrain Football Association. AFP PHOTO / OLIVIER MORIN / AFP / OLIVIER MORIN
Manifestantes levaram faixas acusando Khalifa de crimes cometidos pelo governo do Bahrein (Foto: Olivier Morin/AFP)

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