Xodó no Corinthians, Neto inspirou Rogério Ceni ao bater faltas no Tricolor

Admirado pelo goleiro, o ídolo do rival alvinegro ensinou a ele "alguns segredos da bola"

Da Redação
São Paulo (SP)
01/15/2026 11:03:11

A passagem de José Ferreira Neto pelo São Paulo foi curta e sem muito brilho. Antes de se consagrar como o ‘xodó da Fiel’ no rival Corinthians, Neto vestiu a camisa tricolor e integrou o grupo campeão paulista em 1987. Mas a maior contribuição do ex-jogador para o clube foi ajudar um jovem goleiro a treinar cobranças de falta. Alguns anos após o término de seu contrato com a equipe, ele voltou ao CCT da Barra Funda para se recuperar de uma lesão no tornozelo. Lá, auxiliou Rogério Ceni a trabalhar os fundamentos da bola parada e serviu de inspiração para o arqueiro buscar o primeiro dos 131 gols que faria ao longo da carreira.

“Estilo de bater faltas de Rogério nasceu do aprendizado com o meia do Corinthians, que durante treinamentos no São Paulo ensinou ao goleiro alguns segredos da bola”, reportou o jornal A Gazeta Esportiva em 17 de fevereiro de 1997, dois dias após o primeiro gol do arqueiro pelo Tricolor, na vitória por 2 a 0 sobre o União de Araras. “Uma das pessoas que eu mais admiro batendo falta é o Neto. Esse é um grande batedor do futebol brasileiro. A gente bateu faltas juntos muitas vezes no CCT. Se você observar bem ele bater, nem precisa de muita comunicação”, disse Ceni à publicação.

Rogério Ceni havia assumido em 1997 a titularidade são-paulina devido à saída de Zetti, que se transferiu para o Santos. Após o primeiro gol anotado pelo time, as comparações com goleiro paraguaio José Luis Chilavert foram inevitáveis. Ceni, no entanto, não via méritos em ter seus feitos igualados ao do arqueiro sul-americano.

“É um goleiro que faz gols de falta, mas talvez não tenha a mesma personalidade que tenho. Não tenho muita inspiração nele. Não acho uma grande pessoa, um grande profissional. Mas é um goleiro que faz gols e se destaca”, afirmou Ceni, que viria a se tornar o maior goleiro-artilheiro da história ao superar a marca de 63 gols de Chilavert em 2006.

Na mesma entrevista, Ceni dizia que passou a levar a sério as cobranças de falta após notar a ausência de batedores de qualidade no São Paulo. “Nunca vi goleiro bater falta quando era pequeno, também não foi pequeno que visualizei esse negócio. Faz seis ou sete meses que estou treinando por ter facilidade para bater na bola. Além disso, a equipe carece de batedores”, declarou o goleiro, à época com 24 anos e ainda surpreso por ter se firmado como substituto de Zetti. “Sempre joguei na linha. Aos 15 anos fui para o gol. Nunca pensei em ser profissional. Aconteceu naturalmente”.

Neto treinou cobranças de falta com Rogério Ceni enquanto se recuperava de lesão no CCT da Barra Funda (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Neto treinou cobranças de falta com Rogério Ceni enquanto se recuperava de lesão no CCT da Barra Funda (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)