Melhor do Brasil, Bellucci sonha com medalha olímpica inédita no Rio 2016

Melhor tenista do Brasil, Thomaz Bellucci busca algo ainda não conquistado por nenhum compatriota: ganhar uma medalha olímpica na modalidade. O paulista de Tietê, 30º colocado no ranking mundial, terá oportunidade de transformar o sonho em realidade dentro de seu próprio País, no Rio de Janeiro, no ano que vem....

Da Redação
São Paulo (SP)
01/18/2026 08:06:28

Melhor tenista do Brasil, Thomaz Bellucci busca algo ainda não conquistado por nenhum compatriota: ganhar uma medalha olímpica na modalidade. O paulista de Tietê, 30º colocado no ranking mundial, terá oportunidade de transformar o sonho em realidade dentro de seu próprio País, no Rio de Janeiro, no ano que vem.

“Virão Federer, Djokovic, Nadal e isso torna mais um sonho do que um objetivo”, explicou Bellucci em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva. Mas imaginar-se com a sonhada láurea no Rio, em 2016, só é possível graças à boa fase que o brasileiro vive atualmente dentro das quadras.

Após atingir o melhor ranking da carreira em julho de 2010 (21ª colocação), Thomaz Bellucci passou por momentos de instabilidade nos anos seguintes, trocou treinadores e passou por uma seca de duas temporadas sem títulos até reatar parceria com João Zwetsch – trabalharam juntos entre 2008 e 2010 -, técnico com o qual se sagrou campeão do ATP 250 de Genebra, na Suíça, em Maio, o quarto troféu de sua carreira.

Esta deverá ser a terceira participação do tenista de 27 anos em Jogos Olímpicos. Tanto em 2008, em Pequim, quanto em 2012, em Londres, Thomaz foi eliminado na partida de estreia após sofrer virada de seus adversários. Na capital fluminense, porém, o paulista conta com a ajuda da torcida para “representar bem o País” e realizar seu sonho.

Antes, porém, o tenista número 1 do Brasil tem outro objetivo: manter a equipe nacional, capitaneada por João Zwetsch, na primeira divisão da Copa Davis. Para que a missão seja cumprida, Bellucci, João “Feijão” Souza, Marcelo Melo e Bruno Soares, deverão superar a Croácia em uma melhor de cinco jogos, que serão disputados no saibro do Costão do Santinho, em Florianópolis, entre os dias 18 e 20 de setembro.

Número 1 do Brasil, Thomaz Bellucci busca primeira medalha olímpica para o tênis nacional (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Número 1 do Brasil, Thomaz Bellucci busca primeira medalha olímpica para o tênis nacional (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

GE: O tênis nacional nunca ganhou medalha nos Jogos Olímpicos. O Brasil tem chance de conquistar esse resultado inédito no Rio 2016?

Bellucci: Hoje em dia nas Olimpíadas você vê muitos jogadores, na verdade, quase todo mundo jogando. Antigamente era diferente, ninguém priorizava tanto esse tipo de competição. Virão Federer, Djokovic, Nadal e isso torna mais um sonho do que um objetivo, já que esses jogadores acabaram nos últimos anos ganhando quase todos os torneios e são muito difíceis de bater, mas nunca se sabe, vou estar jogando dentro de casa, com a torcida, em condições que muitas vezes rendi muito bem, que é jogar com apoio dos torcedores. Então acaba sendo um sonho pra mim, não só ganhar uma medalha, mas por jogar uma Olimpíada em casa.

 

Na verdade, acho que se eu vier a ganhar uma medalha será uma grande surpresa pra mim, mas se eu tiver a possibilidade de avançar na chave, vou estar consciente que eu tenho condições de jogar contra esses jogadores e ganhar deles, como muitas vezes eu joguei e estive perto da vitória.

GE: O começo de 2015 foi difícil para você. Iniciou como número 64, caiu para 87, depois acertou o retorno da parceria com o João Zwetsch e voltou a jogar bem. Qual a importância dele nessa sua reação na temporada?

Bellucci: Ele foi muito importante. É lógico que nos primeiros meses a gente não colheu grandes resultados, estávamos em um período de adaptação. Quando você acaba mudando de técnico, tem que incorporar o que ele quer que você faça, os pensamentos dele e demorou um pouco pra eu me adaptar a isso. Depois de três ou quatro meses eu melhorei bastante, consegui ganhar um ou outro jogo que me deu mais confiança e aí as coisas começaram a engrenar. O importante é que, mesmo com os resultados ruins, a gente continuou trabalhando, acreditando que o trabalho uma hora ia dar resultado e acabou dando.

Sob o comando de João Zwetsch, Thomaz Bellucci conquistou três de seus quatro títulos (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Sob o comando de João Zwetsch, Thomaz Bellucci conquistou três de seus quatro títulos (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

GE: Ele fez algo de diferente em relação aos seus ex-treinadores?

Bellucci: O João passa muito bem essa ideia de que por mais que você esteja em um dia ruim, com as coisas não dando certo, o importante é sempre ter um plano dentro da sua cabeça para reverter essa situação. O João é um cara muito positivo, está sempre procurando soluções para resolver os problemas dentro de quadra e eu acho isso genial. O João nessa parte mental é muito bom, ele tem me passado muitas coisas positivas dentro de quadra. Acho isso muito importante, porque mesmo nos momentos mais difíceis eu tenho paciência e tranquilidade de ver o jogo de uma maneira diferente e achar soluções para reverter situações dentro da partida.

GE: Você se arrependeu de ter rompido trabalho com ele em 2010?

Bellucci: Não me arrependi, porque naquela época eu era muito mais imaturo, menos experiente do que eu sou hoje. Eu queria mudar um pouco, a relação estava muito desgastada, eu era novo, estava começando a jogar bem e acreditava que com outro técnico eu poderia render mais. Acabei fazendo uma parceria com o Larri (Passos) logo depois, mas eu não me arrependo.

Acho que aprendi bastante com todos os técnicos ao longo desses anos, absorvi o que era bom de todos eles, o que não era bom eu descartei. Mas entre todos, o João, pra mim foi o melhor, por isso que os meus melhores resultados aconteceram nessa parceria.

GE: Recentemente você disse que sua meta no ano era terminar no top 30 do ranking. Agora que você já é o 30º colocado, dá para pensar em melhorar essa marca até o fim da temporada?

Bellucci: Se eu acabar entre os 30, acho que vai ser um ano excelente. É difícil você sair dos 60 e 70 jogando torneios menores e entrar entre os 30. É necessário fazer muitos resultados e foi o que eu fiz a partir de março, consegui somar pontos em quase todos os torneios, consegui avançar. Mas acho que o objetivo já foi alcançado, porque estou jogando bem e me sentindo confortável dentro de quadra.

GE: Nos últimos meses você enfrentou alguns tenistas do top 10 (Novak Djokovic, Rafael Nadal, Kei Nishikori, Tomas Berdych e Andy Murray) e conseguiu endurecer os jogos contra eles. Que lição dá para tirar dessas partidas?

Bellucci: Contra esses jogadores diferenciados, você sempre tira coisas positivas. Muitas vezes você entra em quadra ansioso, um pouco mais nervoso por estar jogando contra eles que estão entre os dez melhores. Mas isso é normal, são jogadores que você sabe que vão te trazer mais dificuldades para dentro de quadra, são jogadores que conseguem manter uma regularidade, uma consistência muito grande. Dificilmente eles perdem dois ou três pontos seguidos e isso é o que os torna tão bons, tão sólidos. É uma grande experiência de aprendizado.