É necessário retroceder na história, voltar ao começo do século passado, para conhecer a origem de A Gazeta Esportiva.
Antes de se transformar em um jornal diário e independente integralmente dedicado aos esportes, nasceu como um suplemento semanal. Foi um tabloide distribuído às segundas-feiras.
Era encartado no jornal A Gazeta, fundado em 16 de maio de 1906 pelo poeta simbolista, advogado e jornalista Adolfo Campos de Araújo. A Gazeta foi adquirida por Cásper Líbero em 1918 pela quantia de 62 mil contos de réis.
Cásper era um dos colaboradores do jornal e frequentava assiduamente a redação. Como proprietário, deu início a inovadoras transformações editoriais e já nas primeiras edições sob sua direção fez-se notar as primeiras mudanças, com colunas fixas de economia, política, saúde, artes, literatura e um suplemento feminino.
As iniciativas abriram espaço para o noticiário sobre futebol em proporções que superavam, e em muito, as alcançadas por outros veículos.
Dessa forma, Cásper Líbero foi reconhecido como o pioneiro desse jornalismo especializado no País. E sua atuação não se restringia somente às crônicas esportivas. Ele também foi o organizador do primeiro campeonato de futebol amador no Brasil.
Em 23 de julho de 1951, a manchete foi o Palmeiras Campeão do Mundo (Foto: Acervo/Gazeta Press)
A consequência se refletiu nos ótimos números de venda de A Gazeta, que atingiu a marca de 200 mil exemplares por dia. Um número significativo, em proporção à população paulistana da época.
O primeiro prédio de A Gazeta ficava na Rua Líbero Badaró, zona central de São Paulo. Logo ficaria pequeno para abrigar a estrutura crescente do jornal. Com o lucro que obtém, Cásper constrói um terceiro andar no prédio.
No jornal A Gazeta, Cásper trata de impulsionar a publicação, trocando a antiga rotativa por uma nova. A medida permite a veiculação de suplementos e cadernos marcados pelo sucesso. Numa tirada genial, o jornalista instala alto-falantes no prédio da sede do jornal para que a população de São Paulo pudesse acompanhar as transmissões de jogos do Torneio Nacional de futebol da época.
Em 1922, mais uma inovação: como não havia transmissão pela rádio, ele mandou instalar alto-falantes no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e por telefone narrou ao vivo do Rio de Janeiro os lances de um jogo pelo campeonato sul-americano de forma pioneira.
Cásper Líbero ainda teve fôlego para fundar o Comitê Olímpico Brasileiro na companhia de outros esportistas. O jornalista se colocou na linha de vanguarda da nova instituição e se empenhou cada vez mais na realização de grandes provas, que movimentavam o atletismo, a natação, o boxe e o ciclismo.
Ficava cada vez mais forte a ideia de lançar um suplemento mais completo e dedicado só aos esportes. A Gazeta é visitada por técnicos norte-americanos, que consideram o seu parque gráfico como o mais completo e bem impresso do mundo na década de 1930.
A Gazeta lança um suplemento de esportes em 1928. Não havia nada igual na imprensa brasileira.
Era mais uma iniciativa pioneira.
O primeiro número circula em formato de tabloide e como suplemento publica notícias e comentários sobre o esporte no Brasil e no mundo. A edição vai às ruas e bancas pela primeira vez no dia 24/12/1928.
Essa data pode ser considerada como a primeira semente de A Gazeta Esportiva. Ao lado do logotipo de A Gazeta, vinha o selo Edição Esportiva. E na condição de encartado vai às bancas todas as segundas-feiras. Somente em 1938 é que aparece o selo de A Gazeta Esportiva, no alto da página, e ainda ao lado de A Gazeta. Em 1939, o suplemento trazia fotos coloridas em várias páginas. Mais tarde, em 1941, passaria a circular também aos sábados.
O noticiário esportivo cada vez mais crescia, principalmente porque os esportes estavam em crescente alta na demanda dos brasileiros.
O jornal era o mais bem impresso, vibrante e disputado vespertino de São Paulo. Apresentava um quadro completo sobre os resultados dos campeonatos esportivos e comentários sobre eles. Também começou a ser distribuído simultaneamente na cidade do Rio de Janeiro.
O visionário empreendedor Cásper Líbero não parou por aí e, perspicazmente, observou que os esportes puxam as vendas das publicações.
A Gazeta Esportiva, sob sua direção, ia cumprindo progressivamente seu amplo objetivo de dar vazão a todos os esportes, conquistando o merecido espaço não só na sua pioneira mídia, como em toda a sociedade.
O mundo se desenvolvia, a tecnologia facilitava trabalhos e como esperar que o irrequieto Cásper Líbero pudesse sossegar?
Ele adquiriu prédio próprio com as indenizações movidas e ganhas com sucesso por danos materiais ao jornal quando foi alvo de “empastelamento”, com direito a depredações e incêndio, destruindo a antiga sede do jornal. Construiu edifício de oito andares, totalmente dedicado ao jornal (outro gol marcado por mais esse ineditismo válido em toda a América do Sul).
O edifício de A Gazeta foi inaugurado em 3 de novembro de 1939, com o título de Palácio da Imprensa. Lá estava abrigado desde a redação do jornal até o depósito das bobinas de papel de impressão, além de uma estação de rádio - embriã das atuais rádios Gazeta AM e FM.
A Corrida São Silvestre começava e terminava em frente ao Palácio da Imprensa. Campeões brasileiros do futebol, da Copa e de outros esportes ali desfilavam e celebravam as suas conquistas.
No topo do prédio, estava instalado o então famoso restaurante, “Roof” dos anos 1940. Era parada obrigatória de esportistas, colunistas, artistas e os mais destacados membros da sociedade paulista e brasileira, como Ari Barroso, um dos seus assíduos frequentadores.
A morte de Ayrton Senna estampou a capa do jornal em 5 de maio de 1994 (Foto: Acervo/Gazeta Press)