Em 2014, o Santos, assim como nesta temporada, chegou à final do Campeonato Paulista com o peso do favoritismo diante do Ituano, que naquela oportunidade fez o papel que hoje é exercido pelo Audax, como a grande sensação da competição. Geuvânio, que agora atua do outro lado do mundo, foi eleito a revelação do Estadual há dois anos atrás, mas amargou junto com seus ex-companheiros um vice-campeonato lamentado até hoje na Vila Belmiro.
“O time ainda estava em formação, ninguém acreditava no Santos, mas, mesmo assim fizemos grande campanha e chegamos à final. Em 2015, com a equipe mais preparada, fomos campeões em cima do Palmeiras. Agora, em 2016, acredito que o Santos tem tudo para conquistar mais um título”, compara o atacante, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.
“Naqueles jogos contra o Ituano fiquei triste por não ter sido campeão, é claro, mas coloquei na cabeça que eu não sairia do Santos sem um título”, completa o atacante, que tem registrado 114 jogos com a camisa santista e 24 gols marcados.
Neste domingo, o Santos entra em campo para sua oitava final de Paulista consecutiva depois de empatar por 1 a 1 em Osasco no jogo de ida frente ao Audax de Fernando Diniz. À partir das 16 horas (horário de Brasília), as duas equipes medirão forças pela taça na Vila Belmiro.
Em torneio que foi eleito a revelação, Geuvânio amargou vice com o Peixe (Foto:Djalma Vassão/Gazeta Press)
“Vou acompanhar aqui de casa mesmo, com meu pai e meu irmão”, avisou Geuvânio, ciente de que terá de estar acordado às 3 horas da madrugada para poder torcer pelo Peixe.
Companheiro de Jadson e Luis Fabiano, e treinado por Vanderlei Luxemburgo no Tianjin Quanjian, que luta para subir à primeira divisão do futebol chinês, o Caveirinha, como é conhecido na Baixada, revela que segue acompanhado o ex-clube de perto e que mantém contato com Ricardo Oliveira.
E quando questionados sobre as dificuldades de se adaptar a uma cultura tão diferente, Geuvânio brinca. “Teve o dia em que fui cortar o cabelo com um chinês. Fiquei com medo, não sabia se ele ia cortar muito bem. Mas até que ele mandou bem no corte (risos)”.
Primeiramente, conte como está a vida na China. Adaptação ao futebol, comida, cultura, curiosidades... e o que tem sido mais difícil de assimilar?
Geuvânio: A vida aqui na China está muito boa, a adaptação está tranquila. Já me adaptei ao país, à cultura, à comida, ao futebol... Com minha família por perto também facilita, todos estão dando apoio. Isso é sempre importante. O que está mais difícil de assimilar é o idioma. É difícil de entender o que os chineses falam. Mas os intérpretes do clube nos ajudam bastante, fazem um bom trabalho. Essa parte era mais difícil no início, mas hoje já está mais tranquilo. Estou me adaptando muito bem. Uma curiosidade? Deixa eu pensar... Teve o dia em que fui cortar o cabelo com um chinês. Fiquei com medo, não sabia se ele ia cortar muito bem. Mas até que ele mandou bem no corte (risos).
Como está seu time? Quantos jogos já fez no ano e qual o objetivo para essa temporada?
Geuvânio: Estamos disputando a China League One, que é a segunda divisão chinesa. Nosso objetivo nessa temporada é a classificação para a primeira divisão, então, precisamos terminar o campeonato em primeiro ou em segundo lugar, já que são os dois primeiros colocados que sobem de divisão. São 16 clubes disputando essa competição, e atualmente estamos na segunda colocação, com 14 pontos ganhos, só um ponto atrás do líder, que é o Qingdao Huanghai. Tem muito campeonato pela frente ainda. Só foram disputadas sete rodadas até aqui. Então, ainda estamos em um processo de crescimento, de evolução. Apesar de estarmos bem colocados no campeonato, o importante é continuar trabalhando forte para melhorar a cada dia.
Da China você consegue acompanhar o Santos?
Geuvânio: Sim. Acompanho sempre quando tenho oportunidade. Pela diferença de horário, muitas vezes fica difícil de ver, mas, quando dá, eu acordo de madrugada para acompanhar.
Mantém contato com seus ex-companheiros?
Geuvânio: Sim, às vezes procuro saber como está o pessoal aí. Eu falo bastante com o Ricardo Oliveira, principalmente.
No novo mundo, Geuvânio conta com a companhia de Luis Fabiano e Jadson, outros brasileiros do time de Luxa (Foto:Divulgação)
Neste domingo, o Peixe lutará pelo título com o Audax. Em 2014, você participou das finais contra o Ituano. Há alguma semelhança entre as duas situações, além de ser um grande contra um pequeno?
Geuvânio: É difícil fazer uma comparação, porque não estou de perto acompanhando o que está acontecendo nesse atual campeonato. Mas acho que a semelhança é o fato de o Santos ter a maior responsabilidade pela vitória, por ser o clube grande, então, a cobrança é maior. Em 2014, o time ainda estava em formação, ninguém acreditava no Santos, mas, mesmo assim fizemos grande campanha e chegamos à final. Em 2015, com a equipe mais preparada, fomos campeões em cima do Palmeiras. Agora, em 2016, acredito que o Santos tem tudo para conquistar mais um título.
O que você aprendeu com aquela derrota em 2014 que você pode passar para o grupo que disputará o jogo deste domingo?
Geuvânio: Esse grupo atual é praticamente o mesmo dos últimos anos. O que posso passar é o meu apoio e a minha torcida por eles.
É mais complicado enfrentar um pequeno na final e ter toda a responsabilidade, ou clássico é sempre mais difícil?
Geuvânio: Final de campeonato é um jogo difícil de qualquer maneira. Se os dois times chegaram lá é porque mereceram, é porque têm qualidade. O importante é sempre respeitar o adversário, independentemente de quem seja.
Qual é a principal lembrança daquelas finais com o Ituano que você guarda até hoje?
Geuvânio: A lembrança daquele campeonato é boa. Nosso time começou desacreditado e mesmo assim fez uma grande campanha, chegou à final. Fui eleito a revelação do Paulistão, entrei para a seleção do campeonato... Naqueles jogos contra o Ituano fiquei triste por não ter sido campeão, é claro, mas coloquei na cabeça que eu não sairia do Santos sem um título. Graças a Deus, fizemos outro grande campeonato no ano passado e, dessa vez, levantamos a taça.
Vai assistir ao jogo deste domingo?
Geuvânio: Vou ver o jogo, sim. É claro. Vou acompanhar aqui de casa mesmo, com meu pai e meu irmão.