Deputado critica Nobre em debate "esvaziado" sobre torcida única

Tomás Rosolino - São Paulo,SP

29-06-2016 22:46:01

Audiência pública discutiu torcida única nos clássicos paulistas, na Assembleia Legislativa

Audiência pública discutiu torcida única nos clássicos paulistas, na Assembleia Legislativa (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Audiência pública discutiu torcida única nos clássicos paulistas, na Assembleia Legislativa (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Os presidentes dos quatro principais clubes de futebol de São Paulo confirmaram presença na audiência que discutiria a medida que implantou torcida única, mas nem um deles compareceu. Apenas o Tricolor, com o diretor de relações institucionais, Ataíde Gil Guerreiro, marcou presença na plateia por cerca de meia hora da mesa de discussão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, nesta quarta-feira. O cenário revoltou o deputado Luiz Fernando, que teceu críticas ao presidente do Palmeiras, Paulo Nobre.

"Acho muito grave a ausência dos presidentes dos grandes clubes aqui nessa discussão, principalmente do presidente Paulo Nobre, que tem um parecer favorável à torcida única", comentou o político, que ainda suscitou a possibilidade da ausência dos outros representantes ter sido causada pelo mandatário palmeirense.

"Os quatro presidentes haviam confirmado presença, reconheceram a importância dessa audiência. Ontem (terça), surgiu um problema com o do Santos, que mandaria um representante. Hoje (quarta), de repente, todos tiveram problemas. O Paulo (Nobre) me ligou, disse que não vinha e falou que ia tentar desarticular os outros. É, parece que ele desarticulou mesmo", concluiu Luiz Fernando, em discurso que abria a segunda mesa de conversas da noite, no auditório Franco Motoro.

Recentemente, o presidente corintiano, Roberto de Andrade, fez um duro discurso por não poder levar torcedores corintianos ao Palestra Itália, no clássico válido pelo Campeonato Brasileiro. No último domingo, no Pacaembu, Carlos Augusto de Barros e Silva, do São Paulo, e Modesto Roma Júnior, do Santos, concordaram que a medida era um "retrocesso". Nobre, por sua vez, é apoiador da ideia desde o ano passado. Nem um deles, no entanto, esteve na conversa.

O propósito da ocasião era debater a efetividade da medida, adotada para clássicos paulistas até o final do ano após uma briga entre corintianos e palmeirenses, no começo de abril, que deixou morto um homem que nada tinha a ver com a confusão. Idealizador da decisão, o promotor Paulo Castilho esteve lá para defender seu ponto frente a outros deputados, representantes da Polícia Militar, da Segurança Pública e alguns jornalistas esportivos.

"Não tivemos essa ideia da noite para o dia, temos dois desembargadores, legisladores e diversas outras pessoas que formam uma comissão a respeito disso. Visitei diversos outros países. Faz parte de um conjunto de medidas. As pessoas têm que estudar para falar de Segurança Pública. Não é nada inconstitucional, estou bem seguro quanto a isso", disse Castilho, defendendo-se de alguns discursos de deputados anteriores que reclamaram da ação por "tirar o direito de ir e vir".

"O Estado tem o direito de cercear a liberdade do indivíduo se for para o bem comum", completou o promotor, rebatido por alguns outros representantes. "Não dá para continuar nessa de sempre tirar alguma coisa do estádio. Estamos tirando a vida dos estádio e acabando com uma paixão nacional. O promotor fala que tira quem faz a confusão, as organizadas, mas a organizada do time da casa continua. Aí, se eles brigam, o que faz? Joga sem torcida?", avaliou o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Fernando Solleiro.

Sem chegar a qualquer conclusão sobre o assunto, a audiência durou cerca de três horas e terminou com promessa de novas reuniões, pedidos pela presença dos clubes e também dos torcedores organizados, apontados como responsáveis por "99% dos problemas" por Castilho. A medida que impede a entrada de torcedores de clubes visitantes em clássicos paulistas é válida até 31 de dezembro deste ano.

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