Bastidores

Lava Jato investiga Rio 2016 e faz buscas na casa de Nuzman

São Paulo , SP
05/09/2017 09:41:59 — 05/09/2017 12:39:50

Em: Bastidores, Mais Esportes
Carlos Arthur Nuzman é um dos acusados da operação (Foto: Apu Gomes/AFP PHOTO)

A Polícia Federal, junto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal do Brasil, deflagrou nesta terça-feira a força-tarefa “Unfair Play”, que faz parte da Lava Jato, para desvendar um suposto esquema criminoso envolvendo o pagamento de propina para que o Rio de Janeiro fosse escolhido como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A polícia iniciou as investigações na casa do ex-atleta e atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.

No início desta manhã, a PF foi até a casa do ex-jogador de vôlei para cumprir mandado de busca e intimar Nuzman para prestar depoimento. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) também é alvo da Operação. O jornal francês Le Monde já havia anunciado no início do ano que houve o pagamento de propina a alguns dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI).

O advogado Sergio Mazzillo, responsável pela defesa de Nuzman, afirmou que o presidente do COB vai depor, sem condição coercitiva, por conta própria e isentou o dirigente de culpa. “Não existem fortes indícios de nada, ele afirma que não atuou de maneira nenhuma irregular, nada foi feito de errado durante a campanha. Ele não está abatido, está tranquilo e sereno”, disse.

A operação desta terça conta com 70 policiais federais cumprindo dois mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal, na capital do Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu e em Paris.

“Os fatos apurados indicam a possibilidade de participação do dono das empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para que a capital fluminense fosse escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016, o que ensejou pedido de cooperação internacional com a França e os Estados Unidos”, diz trecho do comunicado emitido pela PF.

Apesar de a etapa começar a ser deflagrada nesta manhã, as investigações já ocorrem há nove meses e apontam a “entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais”, segundo a Polícia Federal. A relação com os franceses se dá pelas transferências bancárias no exterior para a conta de doleiros.

Os acusados podem ser indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização perigosa.