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O Brasil se classificaria para a Copa se disputasse as eliminatórias europeias?

Raphael Saavedra
Atualizado em 30/03/23
info-verde
Publicado em 10/02/22
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A Seleção Brasileira vive uma excelente fase, com classificação antecipada para a Copa do Mundo e campanha invicta nas Eliminatórias. Apesar disso, muitos torcedores consideram o nível da competição fraco e se perguntam se a equipe teria o mesmo desempenho se jogasse na Europa.

É claro que são apenas suposições, porque o Brasil não vai deixar de disputar o torneio sul-americano. Porém, as eliminações consecutivas no mata-mata do Mundial e a falta de jogos contra as melhores seleções do planeta deixam uma pulga atrás da orelha.

Ao mesmo tempo, há desafios importantes nas Eliminatórias, como Argentina e Uruguai, e o Brasil está entre os primeiros no ranking da FIFA. Assim, existem argumentos para acreditar que conseguiria ou não a classificação.

Brasil é Potência no Futebol Sul-Americano

Pentacampeão do mundo, classificado para todas as Copas… o Brasil é o bicho-papão do futebol sul-americano e comprovou esse posto no ciclo atual para a Copa do Qatar. A equipe treinada por Tite vive grande fase e, após 15 rodadas, não perdeu nas Eliminatórias. São 12 vitórias e classificação assegurada.

Um dos pontos altos da Seleção é a sua defesa, formada por Thiago Silva e Marquinhos (Éder Militão entra com frequência). São apenas cinco gols sofridos no torneio contra os melhores times do continente, o que empolga para os próximos desafios.

Em 2022, foram dois compromissos oficiais. O empate contra o Equador, fora de casa, foi recheado de polêmicas e confusões da arbitragem. Por outro lado, a goleada por 4 a 0 contra o Paraguai empolgou e confirmou o ótimo momento de jogadores como Raphinha e Antony, que serão fundamentais no Qatar.

Brasil no Ciclo da Copa de 2022

Ano

Jogos

Aproveitamento

Saldo de Gols

2018 6 100% 12
2019 16 62,5% 22
2020 4 100% 10
2021 16 81,2% 22
2022 2 66,6% 4

Derrota na Copa América É a Única em Dois Anos

Na Copa América 2021, o Brasil entrou como favorito para o bicampeonato, mas perdeu em casa para a Argentina, por 1 a 0. Essa foi a primeira (e única) derrota no período da pandemia de Covid-19 e evitou mais um título sob o comando de Tite.

O jogo ficou marcado pela falha do lateral Renan Lodi no gol adversário e por coroar o primeiro título relevante de Lionel Messi com a Seleção Argentina. O retrospecto recente contra os hermanos é forte, mas o mata-mata da Copa também é disputado em apenas um jogo e não permite atuações ruins.

Gigantes da Europa Sofrem nas Eliminatórias

Na Europa, a impressão é que as Eliminatórias estão cada vez mais fortes. O sorteio dos grupos tem peso importante e, se a equipe fica em uma chave com um ou dois times cascudos, pode passar por apuros na tabela.

Itália e Portugal foram dois times que não conseguiram a vaga direta e agora jogam a Repescagem. Inclusive, os dois ficaram atrás das seleções que o Brasil enfrentou na fase de grupos em 2018: Suíça (empate em 1 a 1) e Sérvia (vitória por 2 a 0).

Em anos anteriores, vimos outros times fortes sofrendo para conseguir a vaga, como França (2010 e 2014), Portugal (2014) e Croácia (2014 e 2018). É verdade que há muitas seleções fracas e sem tradição, mas o regulamento é duro com aqueles que têm oscilações no desempenho.

Mudança no Formato da Repescagem

Anteriormente, os segundos colocados se enfrentavam em jogo único para decidir as vagas restantes na Copa, mas a UEFA mudou a regra e criou obstáculos para essas seleções. Agora, os dez que ficaram em segundo se juntam a dois times que vêm da Liga das Nações. São 12 no total, separados em três chaves, que disputam semifinal e final.

No sorteio, Portugal e Itália caíram do mesmo lado. Ou seja, é esperado que as duas seleções se encontrem na “final” para definir uma das vagas. De um lado, Cristiano Ronaldo pode ficar fora da Copa aos 37 anos (quem sabe a última). Do outro, a campeã da Euro tem chances de não se classificar pela segunda edição consecutiva.

De fato, o nível aumentou para aqueles que não conseguem ganhar o seu grupo. Já pensou se o Brasil cai com a França ou Bélgica na fase inicial e fica em segundo no grupo das Eliminatórias?

Histórico de Eliminações Contra Europeus em Copas

Uma estatística que preocupa é o mau aproveitamento contra os europeus nas últimas Copas. Desde o pentacampeonato, são apenas três vitórias (todas na fase de grupos) e quatro eliminações seguidas — a última contra a Bélgica, em 2018.

O 7 a 1 contra a Alemanha em 2014 é, sem dúvida, um grande marco para o futebol brasileiro, mas a Seleção demonstrou inferioridade em todas as partidas decisivas. O jogo contra a Holanda, em 2010, foi o único em que o Brasil realmente teve chances de vencer, mas sofreu a virada no segundo tempo.

Assim, a preocupação é cruzar novamente contra um grande time nas quartas de final. A classificação na fase de grupos não é um grande problema, mas o caminho na reta final é uma verdadeira incógnita.

Brasil Contra Europeus nas Últimas Copas (2006-2018)

Jogos 9
Vitórias 3
Empates 2
Derrotas 4
Aproveitamento 40,7%

Poucos Jogos Contra Grandes Seleções Internacionais

É verdade que o Brasil está muito bem e não teve nenhum problema nas Eliminatórias, mas a competitividade é um ponto de atenção. Desde a última Copa, o Brasil só encontrou uma vez uma seleção da Europa: a República Tcheca, em amistoso realizado em 2019 (vitória por 3 a 1).

Portanto, depois da derrota para a Bélgica, a Argentina foi o único desafio real para os comandados de Tite, porque é difícil imaginar outra seleção sul-americana com chances na Copa. A “tranquilidade” abre espaço para testes e novas revelações, mas dificulta a preparação.

O calendário apertado do futebol europeu é um empecilho, principalmente depois da criação da Liga das Nações. Além disso, o Brasil joga 18 rodadas na América do Sul, então não sobra espaço para amistosos. A CBF até tentou, na última Data FIFA, marcar jogos contra europeus e enviar um time alternativo para os jogos oficiais, mas teve o pedido negado.

Afinal, o Brasil se classificaria nas Eliminatórias Europeias?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, porque o Brasil vive ótima fase no futebol sul-americano, mas não se aventurou fora do continente. Desde a eliminação na Copa da Rússia, em 2018, enfrentou majoritariamente seleções da América do Sul.

Por isso, reunimos argumentos a favor e contra uma possível classificação nas Eliminatórias da Europa para a Copa. Veja abaixo e escolha o seu “lado”!

Argumentos Favoráveis

O Brasil disputou todas as edições da Copa do Mundo e, nas últimas décadas, dominou as Eliminatórias Sul-Americanas. Mesmo com algumas crises de resultados, sempre garantiu a vaga direta e chegou como cabeça-de-chave nos eventos.

Os times da América não têm a força das potências europeias, mas suas características únicas tornam as Eliminatórias um verdadeiro desafio. Primeiro porque seleções tradicionais disputam a vaga, como Argentina, Uruguai e Chile.

Além disso, adversários mais fracos trazem dificuldades que não existem na Europa. É o caso da Bolívia, que joga na altitude de La Paz, e do Equador, que manda seus jogos em Quito. Sem dúvida, é um componente extra que deve entrar na conta das Eliminatórias por aqui.

Por fim, o regulamento da competição prevê o sistema de pontos corridos, em que todos se enfrentam. Na Europa, o sorteio dos grupos é um diferencial, então as potências podem nem encontrar grandes adversários na fase de classificação. Algumas seleções, inclusive, têm um nível muito fraco e provavelmente não venceriam na América do Sul.

Argumentos Contrários

Por outro lado, as Eliminatórias Europeias reúnem as principais seleções do mundo. Os últimos quatro campeões mundiais vieram do continente e o formato de disputa não permite vacilos, porque uma fase ruim pode significar a eliminação — a Itália de 2018 foi um grande exemplo.

Assim, se o Brasil passasse por um momento complicado na Europa igual a 2015 e 2016, quando Dunga era o treinador, a história poderia ser diferente. Como apenas o campeão de cada grupo tem a vaga direta, o sorteio pode colocar duas potências frente a frente e jogar uma para a Repescagem, o que não é o cenário ideal.

A falta de confrontos com times europeus também é um problema. Nas últimas Copas do Mundo, a Seleção Brasileira empatou com Suíça (2018) e Portugal (2010) na fase de grupos. Venceu duas vezes a Croácia (2006 e 2014) e depois a Sérvia (2018), mas tem quatro eliminações em sequência para grandes seleções do continente.

Logo, cair na chave de uma seleção do nível de França, Alemanha ou Espanha poderia significar uma repescagem ou até mesmo uma eliminação precoce.

Sabemos que o Brasil não vai disputar as Eliminatórias Europeias e realizamos apenas um exercício de imaginação. Porém, é fato que o futebol brasileiro precisa de uma preparação mais forte para encerrar o jejum e conquistar o hexacampeonato, o que passa necessariamente por testes mais frequentes contra os adversários mais fortes. Ninguém deseja repetir o mesmo final das últimas Copas!

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