Os torcedores podem apoiar seu clube do coração de diversas formas. A adesão ao programa de sócio-torcedor é a alternativa com maior potencial de impacto futuro, principalmente pela injeção financeira.
Porém, ao mesmo tempo, existe uma dúvida comum: ter mais sócios significa ganhar troféus ou brigar por títulos? É difícil cravar uma resposta, mas há indícios de que, quando a torcida está engajada com o clube, o caminho é mais curto. Confira!
Os clubes com mais sócios na Série A
Antes de comentar essa relação entre sócio-torcedor e títulos, vamos apresentar a lista atualizada dos clubes com mais torcedores fidelizados na Série A do Brasileirão. Os números foram levantados pelo GE, com base em consulta às diretorias.
- 1 – Atlético-MG: 127.588 sócios;
- 2 – Corinthians: 116.000 sócios;
- 3 – Internacional: 96.400 sócios;
- 4 – Flamengo: 69.175 sócios;
- 5 – Palmeiras: 65.770 sócios;
- 6 – Ceará: 45.779 sócios;
- 7 – Fortaleza: 44.194 sócios;
- 8 – São Paulo: 40.967 sócios;
- 9 – Coritiba: 39.900 sócios;
- 10 – Fluminense: 35.890 sócios;
Desempenho esportivo traz novos sócios
Sem dúvida, o número de adesões no programa de sócio-torcedor faz diferença no desempenho dos clubes. Porém, a impressão é que o efeito é contrário: quando um time vai bem em campo, ele ganha mais sócios.
O maior exemplo disso é o Atlético-MG, time que lidera o ranking no futebol brasileiro. Essa posição não estava consolidada nas últimas temporadas, mas depois de um 2021 mágico, com título da Copa do Brasil e do Brasileirão, o crescimento foi natural.
O Galo deixou os adversários para trás e bateu a marca de 120.000 associados. Mesmo o Corinthians, clube com uma das maiores torcidas do Brasil, não conseguiu acompanhar essa explosão.
Dessa forma, existe uma construção de longo prazo. Quando um time está bem estruturado e ganha partidas ou competições importantes, a tendência é gerar mais engajamento na torcida. Assim, gera-se um ciclo positivo, em que a adesão contínua mantém o clube forte e brigando por títulos.
Porém, quando as coisas param de dar certo em campo, é possível que o número de sócios caia.
Estagnação do Internacional no ranking ilustra essa variação
O Internacional tem um dos programas de sócios mais fortes do país, mas perdeu o protagonismo nos últimos anos. Depois de passar da marca de 100.000 em algumas oportunidades, o Colorado mantém 96.000 pagantes. Não deixa de ser excelente, mas está abaixo do teto atingido recentemente pelo próprio clube.
A principal explicação é que o Inter não fez uma boa temporada em 2021. Em outubro, o clube ocupava a primeira colocação no ranking de sócios, mas não conseguiu converter mais torcedores, entre outros motivos, porque não foi bem em campo.
Tirando o Brasileirão de 2020, quando brigou pelo título até a última rodada, as campanhas em torneios nacionais não convencem. Ou seja, mesmo um clube que tem uma base de torcedores fiéis pode encontrar dificuldades em dar o próximo passo se não corresponder nos gramados.
Clubes tradicionais mantém base de sócios mesmo na Série B
A Série B em 2022 tem um nível altíssimo de competição, com seis campeões brasileiros na disputa. Um fato a ser destacado é que, entre os times grandes, quatro deles mantêm uma excelente base de sócios.
O Grêmio, por exemplo, tem acima de 60.000 pagantes. Ele é seguido por Cruzeiro (51.179), Vasco (48.481) e Bahia (30.000). Na comparação com o ranking da Série A, o Tricolor Gaúcho ocuparia a sexta colocação.
Com a queda nas receitas pelo rebaixamento, essa renda mensal faz grande diferença na reestruturação dos clubes. Eles já entrariam como grandes favoritos para conquistar o acesso, mas as finanças em dia deixam a situação ainda melhor.
Favoritos aos títulos têm ótimo número de sócios-torcedores
Uma coisa é certa: atualmente, os times com maior favoritismo ao título são aqueles que têm os maiores números de sócios. Destaques no Brasil, Atlético-MG (1º), Flamengo (4º) e Palmeiras (5º) estão no top 5 do ranking.
Na Libertadores, por exemplo, os três times são os que têm mais chances, acima de River Plate e Boca Juniors. No momento, o Flamengo é cotado como o maior favorito (@4.00), seguido pelos rivais (@5.00 para cada).
Corinthians e Internacional, que completam a lista, podem não ter as maiores probabilidades no Brasileirão, mas o Colorado aparece como o segundo maior favorito para vencer a Sul-Americana, com odd @6.00 na bet365.
Nesse caso, é possível dizer que o número de sócios tem relação direta com a briga por títulos, porque aqueles que estão mais cotados também aparecem bem no ranking. A única exceção é o São Paulo, que é favorito na Sul-Americana (@4.50), mas vai mal no ranking, principalmente se o tamanho da sua torcida for levado em conta.
Fortaleza e Ceará são bons exemplos de sucesso
Entre os clubes com o maior número de sócios, dois deles chamam bastante atenção: Ceará e Fortaleza. Ocupando, respectivamente, a sexta e sétima colocação no ranking, os dois se consolidaram como as principais forças do Nordeste na primeira divisão.
As duas torcidas são conhecidas pela paixão e por lotarem os estádios mesmo em momentos difíceis. Além disso, também são uma importante fonte de renda para os clubes, com mais de 40 mil sócios cada, o que vem impulsionando os resultados em campo.
Depois de viverem uma fase de acessos e rebaixamentos, os rivais estão bem posicionados no Brasileirão e deixaram a briga na parte inferior da tabela no passado.
O Fortaleza, por exemplo, conseguiu uma excelente campanha em 2021 e terminou na quarta colocação, com vaga direta na Libertadores. O Ceará não ficou para trás e carimbou o passaporte para a Sul-Americana.
Excelentes campanhas em solo internacional
Nas competições internacionais, os resultados são dignos de nota. O Vozão varreu a fase de grupos, com seis vitórias, melhor campanha e vaga nas oitavas de final. Agora, aparece como o terceiro maior favorito ao título na bet365, com odd de @9.00.
Por outro lado, com contornos heroicos, o Fortaleza venceu fora de casa na última rodada e, ao lado do River Plate, avançou na Libertadores. O título é difícil, mas o Leão do Pici já fez história na competição.
Dessa forma, são dois times que, até poucos anos, mal haviam jogado um torneio internacional, mas que agora estão no mata-mata e vivos na disputa pela taça. Vários fatores podem explicar essa mudança, mas o engajamento da torcida, sem dúvida, faz muita diferença.
Torcida pode se engajar por outros motivos
Bom, vale destacar que existem outras formas de captar mais sócios além do desempenho esportivo. Um grande exemplo é o Botafogo, que vê o seu número aumentar nos últimos meses depois da constituição da sua SAF.
A chegada do investidor americano John Textor, que acertou contratações milionárias, deu um gás para a torcida. Antes, vivia um momento sem grandes emoções após uma temporada na Série B, mas festas em aeroportos e estádios lotados viraram frequentes.
O Botafogo não aparece no top 10 de clubes com mais sócios-torcedores, mas isso deve ser questão de tempo. O próprio clube anunciou, nos últimos dias, que está perto de alcançar os 38 mil associados, o que já seria suficiente para ultrapassar o Fluminense.
Ainda que os resultados não tenham aparecido em campo, os torcedores vivem uma lua de mel com o Botafogo.
Afinal, sócios geram títulos?
Portanto, é possível fazer uma relação entre títulos e número de sócios-torcedores, mas é provável que os times com o maior número de adesões sejam aqueles que têm grande torcida e vivem uma ótima fase dentro do campo.
Dessa forma, um trabalho de longo prazo com os torcedores pode gerar uma equipe forte para disputar taças, mas o torcedor brasileiro é passional e uma fase ruim é suficiente para derrubar o número de associados.
O melhor é brigar na parte de cima da tabela. Assim, sócios serão uma consequência.