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Dança das cadeiras dos técnicos: veja as movimentações e possibilidades

Raphael Saavedra
Atualizado em 11/10/23
info-verde
Publicado em 26/02/22
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A temporada 2022 do futebol brasileiro está em andamento e, com ela, já começaram as especulações sobre a dança das cadeiras entre os treinadores.

O início fraco nos Estaduais e a falta de perspectiva para as outras competições são fundamentais para o processo de fritura dos comandantes, mesmo com apenas um mês de bola rolando.

Clubes como Corinthians e Santos já demitiram seus treinadores e estão no mercado em busca de substitutos.

Enquanto isso, nomes conhecidos do nosso futebol aparecem entre os cotados. Porém, a concorrência aumentou e há também um processo de importação de treinadores da Europa e América do Sul.

Confira as últimas movimentações de técnicos no Brasil e veja quais são as perspectivas para as equipes que têm profissionais na corda bamba!

A dança das cadeiras no futebol brasileiro

O termo dança das cadeiras retrata bem a alta rotatividade dos técnicos no futebol brasileiro. A cada temporada, são poucos os que conseguem passar ilesos e não serem demitidos após uma sequência ruim de resultados.

O exemplo de Renato Gaúcho, que passou quatro anos e sete meses à frente do Grêmio, é um caso raríssimo. Porém, o técnico voltou à realidade rapidamente e durou menos de cinco meses no Flamengo. Agora, ele está disponível e deve assumir alguma equipe em breve.

No futebol brasileiro, técnicos estão sempre “trocando” de lugar. Abel Braga, por exemplo, treinou Flamengo, Cruzeiro, Vasco e Internacional antes de voltar ao Fluminense, de onde saiu em 2018.

O último treinador efetivo do Tricolor Carioca foi Roger Machado, que agora vai assumir o Grêmio. Entra no lugar de Vagner Mancini, que deixou o América-MG rumo ao Sul durante o Brasileirão 2021. Enquanto isso, Marquinhos Santos deixou o Juventude para treinar o Coelho.

Portanto, é um jogo de tabuleiro, em que o movimento de uma peça pode influenciar todos os participantes.

Limite de trocas de técnico não vingou

Em 2021, houve uma tentativa de acabar com a dança das cadeiras e estender o trabalho dos treinadores nos clubes. Durante o Brasileirão, somente uma demissão era permitida, ou seja, a direção não podia romper o contrato duas vezes com seus técnicos.

A ideia trouxe resultados, mesmo que longe do ideal. A competição teve o segundo menor número de trocas de treinadores da era dos pontos corridos, com 21 substituições. O recorde é da edição de 2012, quando apenas 20 trocas foram efetuadas.

Pela primeira vez, nenhum time trocou mais do que três vezes de treinador. Apesar disso, muitos clubes e técnicos deram seus jeitinhos para sair “em comum acordo” e driblar a regra.

Então, a regra durou apenas um ano e foi abandonada. Por unanimidade, os clubes derrubaram a limitação para o Brasileirão 2022. Assim, já podemos esperar um número maior de mudanças durante o torneio.

Os técnicos na corda bamba em 2022

No momento, alguns times vivem um início de trabalho e ainda é difícil de analisar os seus treinadores. Por outro lado, profissionais que viraram o ano empregados sofrem cobranças para melhorar seus resultados e mudanças podem ocorrer em breve.

Rogério Ceni, do São Paulo, é um que balança no cargo. Ídolo histórico do clube, ele já teve experiências em Cruzeiro, Fortaleza e Flamengo, onde foi campeão brasileiro. No início de 2022, a campanha no Paulistão ainda não convenceu e o Tricolor está em segundo no grupo, atrás do São Bernardo.

Até pelo seu currículo e história no São Paulo, é um técnico que tem mercado e, se sair, pode aparecer em outro time do país. No momento, Rogério é o mais pressionado, porque outros clubes já fizeram a troca no comando (veja a lista a seguir).

Outro que pode ter o trabalho interrompido nos próximos dias é Zé Ricardo. O Vasco da Gama anunciou acordo para a venda de 70% da sua SAF. Se o grupo que vai comandar o futebol do clube seguir os mesmos passos de Botafogo e Cruzeiro, é possível que ele não continue no cargo. Por enquanto, são apenas especulações.

Ao mesmo tempo, o bicampeão da Libertadores Abel Ferreira segue no comando do Palmeiras e com a confiança da diretoria e dos torcedores.

O maior risco de interrupção do trabalho é uma proposta do futebol europeu, mas é algo muito improvável até junho, quando encerra a temporada por lá. Sem dúvida, Abel é o treinador mais prestigiado no momento.

Clubes grandes já demitiram treinadores

Ainda estamos em fevereiro, mas a dança das cadeiras está ativa nos clubes brasileiros. Seja pelo início ruim nos Campeonatos Estaduais ou por mudanças no planejamento, gigantes do nosso futebol já promoveram trocas no seu comando técnico.

Conheça os treinadores que perderam o emprego no início desta temporada:

  • Enderson Moreira (Botafogo): teve bons resultados e comandou a campanha do acesso em 2021, mas não se encaixa no perfil traçado por John Textor, novo mandatário do futebol alvinegro.
  • Sylvinho (Corinthians): não resistiu à cobrança da torcida e ao mau futebol apresentado no Campeonato Paulista. De acordo com a diretoria, houve erro na manutenção do técnico para a temporada.
  • Fábio Carille (Santos): conhecido por um estilo de jogo mais defensivo, Carille perdeu peças importantes e não fazia boa campanha no Paulistão. A derrota para o Mirassol foi a gota d’água para o clube.
  • Vagner Mancini (Grêmio): foi escolhido pela direção do Grêmio para liderar a equipe na campanha da Série B, mas a ideia não durou dois meses.

Também na Série A, Claudinei Oliveira não resistiu ao mau início do Avaí no Campeonato Catarinense e foi demitido. O início de temporada da equipe da Ressacada preocupa bastante.

Já o técnico Marcelo Cabo saiu do Atlético-GO. Sua campanha foi boa em 2021, com a nona colocação, mas o início de ano foi decepcionante. Depois, ele acertou com o CRB com o objetivo de levar a equipe à elite do Brasileirão.

Técnicos estrangeiros “ameaçam” dança das cadeiras

Um movimento no futebol brasileiro que pode afetar o mercado é a chegada de técnicos estrangeiros para os grandes clubes. A importação de profissionais não é uma novidade, mas ela ficava restrita, principalmente, ao mercado sul-americano.

Porém, nos últimos anos, os clubes buscam seus novos treinadores na Europa. Sem dúvida, Portugal é o preferido dos dirigentes. A língua é um fator relevante, porque facilita o processo de adaptação, mas o sucesso de Jorge Jesus e Abel Ferreira também impressiona os cartolas.

Com isso, nomes que sempre circulavam e participavam dessa dança das cadeiras podem perder espaço. Alguns ainda têm mercado, como Abel Braga e Roger Machado, mas outros técnicos experientes estão sem emprego e sem oportunidades relevantes.

Temporada começou com novos nomes de fora do país

A aposta na importação de técnicos atingiu seu ápice em 2022. As diretorias procuram ativamente na América do Sul e na Europa quando seu treinador atual não entrega um bom trabalho. Dessa forma, os gringos estão se transformando em maioria.

Veja quais foram os técnicos do exterior que foram contratados (ou estão perto de serem contratados) pelos times brasileiros nos últimos meses!

  • Paulo Sousa: depois de tentativa frustrada com Rogério Ceni, o Flamengo novamente investiu no futebol europeu e trouxe o treinador português, que estava na Seleção Polonesa.
  • Turco Mohamed: o argentino chega com a missão de substituir Cuca, que teve uma excelente temporada no Atlético-MG. O título da Supercopa do Brasil foi uma boa primeira impressão.
  • Luís Castro: ex-Porto e Shakhtar Donetsk, o português recebeu proposta do Corinthians, mas deve acertar com o Botafogo.
  • Paulo Pezzolano: técnico uruguaio substituiu Vanderlei Luxemburgo e é aposta de Ronaldo Fenômeno para recuperar o futebol do Cruzeiro.
  • Alexander Medina: técnico uruguaio substituiu o seu compatriota Diego Aguirre no Internacional, que tem histórico de apostar em profissionais estrangeiros.

Neste momento, metade dos clubes considerados grandes têm técnicos gringos no comando. Porém, Botafogo, Santos e Corinthians também procuram nomes de fora do país, então é possível que apenas Fluminense, Vasco e Grêmio fiquem com brasileiros neste início de temporada.

Passagens nem sempre são vitoriosas

Vale destacar que, ao contrário do que parece, nem sempre os técnicos estrangeiros conseguem ter sucesso no futebol brasileiro. É claro que os bons exemplos ficam na cabeça dos torcedores, mas há também outros casos em que os resultados não foram positivos ou que o processo de adaptação teve problemas.

Podemos destacar as passagens dos portugueses Jesualdo Ferreira (Santos) e Ricardo Sá Pinto (Vasco), que não conseguiram bons resultados, ou o curto período em que António Oliveira treinou o Athletico. Mesmo em fases avançadas na Sul-Americana e na Copa do Brasil, o treinador optou por sair por conta de problemas extracampo.

De qualquer forma, a entrada de novos técnicos no futebol brasileiro tem potencial para acabar com a dança das cadeiras e trazer renovação dos profissionais. Porém, a cultura de demissão permanece e a consequência pode ser uma nova rotatividade, mas dessa vez entre estrangeiros.

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