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Como SAF e 777 podem melhorar o futebol do Vasco?

Raphael Saavedra
Atualizado em 11/10/23
info-verde
Publicado em 16/03/22
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Vasco da Grana? O anúncio da proposta para a compra da SAF do Vasco da Gama pela 777 Partners gerou muita comoção (positiva) nas redes sociais. Após alguns anos de vacas magras, a torcida do Gigante da Colina vislumbra a possibilidade de grandes contratações e um time forte para brigar novamente por títulos.

Porém, o processo não será tão rápido. Primeiramente, o negócio ainda não é 100% oficial e depende de alguns trâmites. Além disso, o investimento não será feito exclusivamente em compra de jogadores, porque a empresa vai colocar as coisas em ordem antes.

Apesar disso, é fato que uma injeção financeira tem potencial para transformar o Vasco. Os dias de salários atrasados podem estar contados e uma gestão forte colocaria a equipe carioca entre as principais forças do país. Paciência é a palavra-chave, mas a expectativa é fazer o clube rentável no longo prazo.

Finanças em dia podem impulsionar o clube

Apesar de não ter longa experiência no setor, a 777 Partners pode trazer um investimento forte no futebol do Vasco, algo que não acontece há décadas. Nos últimos anos, a diretoria sofre com problemas de salários atrasados e falta de estrutura.

São Januário, por exemplo, é um palco histórico do futebol brasileiro, mas não está no nível de outros estádios mais modernos. Portanto, o primeiro impacto positivo que a empresa pode trazer ao clube é colocar as finanças em dia.

Hoje, não há um compromisso sério em deixar o Vasco no azul, principalmente pela forma como os clubes sempre foram geridos. A partir do momento em que uma gestão profissional assume, a história muda, porque perder dinheiro não é uma opção.

Entre os objetivos da 777 Partners está uma reforma completa em São Januário. O estádio segue como patrimônio do clube, mas será “alugado” por 50 anos, com possibilidade de prorrogação por outros 50. Na prática, a empresa vai assumir a gestão do local e pode modernizar a sua infraestrutura.

Contratações estão no horizonte

Apesar de muita expectativa, o clube não vai se transformar no “Vasco da Grana” de uma hora para outra. É um processo que deve demorar alguns anos, porque será necessário equacionar as dívidas e deixar o clube operando no azul.

No Genoa, a 777 investiu quase R$100 milhões em contratações na primeira janela de transferências. Como o futebol brasileiro não tem períodos de compra tão definidos, é possível que a empresa faça contratações para a disputa da Série B, que começa em abril.

O Botafogo de John Textor, por exemplo, começou a anunciar os primeiros reforços nas últimas semanas. Enquanto isso, Ronaldo Fenômeno adotou a austeridade como estratégia no Cruzeiro e ainda não fez grandes contratações. Por isso, resta saber qual será o objetivo dos novos donos à frente do Vasco.

Voltar à Série A é o primeiro objetivo

De qualquer forma, o clube tem um objetivo muito claro para 2022: voltar a jogar a elite do Brasileirão. Depois de uma temporada abaixo da média, o início não foi tão promissor. Na Copa do Brasil, o Vasco foi eliminado pela Juazeirense e se despediu do torneio ainda na segunda fase.

No Campeonato Carioca, garantiu a classificação para as semifinais na terceira colocação, mas perdeu os três clássicos durante a Taça Guanabara. Na próxima fase, terá uma dura missão de eliminar o Flamengo, atual tricampeão do estado.

Até pelas questões burocráticas do negócio, é possível que o Vasco SAF só tenha efeito positivo no futebol para o torneio nacional. Diretor da 777 Partners, Juan Arciniegas disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que o montante (R$700 milhões) deve ser investido nos próximos quatro anos.

Uma parte será usada para pagar dívidas, enquanto outra será investida em infraestrutura. O executivo não falou sobre reforços, mas é natural imaginar que, para ter sucesso esportivamente, a nova diretoria invista em jogadores para trazer resultados no campo.

Porém, o impacto positivo deve ser sentido no longo prazo, porque a situação atual do Vasco da Gama não era nada boa. Com um clube mais forte financeiramente, o objetivo é colocá-los entre os cinco melhores times do Brasil, mas o primeiro passo é sair do acesso e voltar a disputar torneios importantes.

“Tem muito trabalho ainda a ser feito. Não é algo da noite para o dia. Queremos estar no top 5 do futebol brasileiro, mas não podemos garantir isso a curto prazo porque ainda estamos na segunda divisão. Então precisa de um tempo para chegarmos ao topo”, disse Arciniegas.

Acordo para a venda da SAF do Vasco ainda não é oficial

Antes de tudo, é importante destacar que a venda do Vasco não foi sacramentada. Na verdade, o clube assinou com a 777 Partners um memorando de entendimento, que é o primeiro passo para vender as ações e receber o investimento.

A proposta é não vinculante, ou seja, pode ser retirada até a assinatura oficial do contrato. O combinado é o investimento de R$700 milhões por 70% das ações da Vasco SAF, que será constituída. Além disso, o grupo também vai assumir a dívida, que está na casa dos mesmos R$700 milhões.

Logo, essa nova empresa pode valer R$1,7 bilhão, o que torna a maior transação da história do futebol brasileiro. Para a negociação ser confirmada, haverá o processo de “due diligence” confirmatória por parte da 777 Partners e a aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco.

Como parte da transação, o Vasco recebeu R$70 milhões como empréstimo, usados especialmente para colocar as contas do futebol em dia. O valor corresponde a 10% do investido, que será convertido posteriormente em ações da Vasco SAF.

Quem é a 777 Partners

A 777 Partners é uma holding de investimentos privados com sede em Miami, nos Estados Unidos. Seus dois sócios são Steven Pasko (73) e Josh Wander (40). Eles explicam que não são um fundo de investimento, mas sim uma holding de capital permanente.

Logo, não há a expectativa de revender seus investimentos para lucrar no curto e médio prazo. Os projetos são voltados para o futuro, com a possibilidade de serem donos das empresas por muitas décadas. Atualmente, são 54 empresas listadas no site, com cinco áreas diferentes (aviação, consumo/ comércio, seguros, finanças e mídia/entretenimento).

O futebol, que entra na área de entretenimento, é um dos setores que estão no centro da estratégia da empresa. Fundada em 2015, a 777 Partners quer expandir as suas oportunidades no futebol europeu e sul-americano. O Vasco pode ser o primeiro clube do seu portfólio no continente.

Investimentos em diversas frentes

A 777 Partners investe em diversos mercados. Um deles é com a 1190 Sports, que é uma empresa de mídia que detém os direitos internacionais de transmissão do Campeonato Brasileiro. No seu site, eles informam terem US$3 bilhões em ativos, que estão espalhados pelas 54 empresas.

Além do esporte, em que também tem uma empresa de streaming no mercado americano e parte das ações da Liga Britânica de Basquete, a 777 investe pesado na aviação. Eles são donos de duas companhias aéreas (a canadense Flair e a australiana Bonza) e compraram 68 aviões do modelo 737 MAX, que custaram quase R$20 bilhões.

É uma empresa que demonstra ter capacidade financeira para fazer altos investimentos, o que é uma boa notícia para o Vasco. Por outro lado, existe o perigo de uma falta de atenção devida ao clube, principalmente por esse portfólio mais extenso de ativos.

Objetivo é formar conglomerado de clubes

A 777 Partners tem o objetivo de montar um conglomerado de clubes espalhados pelo mundo. É o mesmo caso do Grupo City, que investe em times, principalmente, na Europa e nos Estados Unidos. O Vasco seria o quarto clube da empresa.

Os primeiros foram o Genoa, da Itália, e o Sevilla, da Espanha. No primeiro caso, há uma participação majoritária, enquanto na Espanha o grupo tem apenas uma pequena participação. Recentemente, a 777 aumentou o seu portfólio com a compra do Standard Liege, um dos clubes mais tradicionais da Bélgica.

O mais interessante do modelo é a possibilidade de intercâmbio entre recursos, profissionais e outros ativos dos clubes. Porém, existe a questão de transformar o time em um vendedor de promessas, o que pode comprometer o rendimento esportivo no longo prazo.

Experiências anteriores não são destacadas

A primeira investida mais pesada da 777 Partners no futebol foi com o Genoa, em outubro de 2021. O clube é o mais antigo da Itália e tem nove títulos nacionais, mas passou por uma crise nos últimos anos e chegou à Série C.

O início de temporada foi ruim e a nova diretoria investiu quase R$100 milhões em reforços, mas a equipe patina e, faltando apenas nove rodadas, está na vice-lanterna. Se não melhorar nas rodadas finais, vai jogar a Série B. Porém, o trabalho ainda está muito embrionário.

Antes, o grupo já havia comprado uma parte do Sevilla — algo em torno de 6% a 12%, porque os números não são revelados. O objetivo sempre foi comprar o resto das ações, mas uma disputa pública azedou a relação.

Atualmente, a 777 Partners não é bem vista pelos torcedores porque se aliou com José Maria del Nido, ex-presidente do clube que foi condenado por corrupção. Por isso, participam pouco do dia a dia da equipe, mas se mantêm como sócios.

Logo, as investidas anteriores não trazem ainda uma grande experiência, então o Vasco SAF pode ser o primeiro case de sucesso da 777 Partners. A empolgação com a possibilidade de receber milhões em investimento é natural, mas os novos donos precisam realmente gerar impacto de longo prazo, mesmo que signifique um início recheado de críticas pela falta de competitividade.

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