Olimpíada do Rio foi motivação para jovens correrem a São Silvestrinha

São Paulo, SP
18/12/2016 08:00:49 — 18/12/2016 09:07:02

Em: Atletismo, Mais Esportes, São Silvestrinha
23ª edição da Corrida São Silvestrinha, na Pista de Atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães (Ibirapuera), na capital paulista. 17/12/2016, Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Jovens miram nos exemplos de Bolt e de atletas brasileiros para seguir no esporte (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

A disputa da Olimpíada no Rio de Janeiro ampliou a procura de crianças por equipes voltadas para o atletismo. Treinadores que levaram alunos para correr a 23ª edição da São Silvestrinha disseram que os jovens ficaram mais interessados no esporte após as conquistas do jamaicano Usain Bolt e do brasileiro Thiago Braz no Estádio Olímpico.

 

Thiago Braz, de 23 anos, tornou-se um ídolo para as crianças após desbancar o francês Renaud Laevilleni e quebrar o recorde olímpico do salto com vara masculino. “Reunimos todos os alunos para assistir ao salto. Foi um motivo a mais para os garotos agregarem e crescerem dentro do esporte”, afirmou o técnico Fernando Fonseca Marins.

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Marins chefia a equipe Estação Conhecimento na cidade de Tucumã, no interior do Pará. Ele trouxe cinco crianças para competir na São Silvestrinha. “O esporte é um divisor de águas na vida deles. Eles vão para a aula com vontade de crescer na vida. A minha meta é prepará-los para o mundo. Se não forem atletas, creio que o esporte agregou algo para suas vidas”, disse.

Guilherme Marques Gorski, responsável pelo grupo 28 de Agosto, também destacou a inspiração que a Olimpíada trouxe para os jovens. O técnico foi um dos encarregados de carregar a tocha em Itararé, cidade do interior paulista onde a equipe está sediada.

“Muitos alunos foram conversar conosco pelo fato de termos carregado a tocha. Isso estimulou bastante também. Trabalhamos com crianças desde 2007, mas agora aumentou. Conseguimos trazer 18 crianças para a São Silvestrinha”, disse o treinador, que usa exemplos olímpicos para motivar a participação dos garotos em competições.

“Sempre passamos histórias de alguns atletas para eles. Outro dia falamos sobre o Vanderlei Cordeiro de Lima. Nós mostramos o vídeo de quando ele conquistou a medalha de bronze em Atenas, dando um exemplo de humildade por ter seguido na prova após ser agarrado. Nosso foco não é tanto o desempenho, mas estamos conseguindo resultados. Procuramos focar mais na participação para fazer as crianças gostarem do esporte”, afirmou Gorski.

Segundo Renato Vinhas, técnico do Pé de Vento, de Varginha-MG, o multicampeão jamaicano Usain Bolt divide a preferência das crianças com os atletas brasileiros Vanderlei Cordeiro de Lima, Marílson dos Santos e Giovani dos Santos. O treinador, que usa o esporte para amparar filhos de detentos, afirmou que a “Olimpíada foi um grande exemplo para os jovens”.

No entanto, ele faz um alerta para a falta de incentivos do poder público ao esporte brasileiro. “É preciso que os nossos políticos deem mais valor ao esporte amador no Brasil, porque é preciso incentivar os atletas e dar um patrocínio melhor para eles”, declarou.

Pensamento semelhante mantém Fernando Marins. O técnico de Tucumã crê que o Brasil poderá descobrir muitos talentos se diversificar o foco para além do futebol. “Os jogos federais deveriam ter um olhar diferente. Não só no atletismo. Conseguimos medalhas no judô, no vôlei de praia. É preciso sair um pouco do futebol. O país tem potencial, basta olhar diferente”, disse.