Futebol

Rodízio e formação flexível: as marcas do São Paulo de Rogério Ceni

Tiago Salazar - São Paulo, SP
17/02/2017 08:00:08

Em: Campeonato Paulista, Futebol, São Paulo

Em menos de dois meses de trabalho, Rogério Ceni já conseguiu dar uma “cara” ao São Paulo, mostrar quais são suas ideias de futebol para o time e conseguiu resultados expressivos para o momento, como foi a vitória no clássico desta quarta, que acabou com uma série de tabus. Entre a euforia dos torcedores tricolores e o desempenho dos atletas em campo, as principais virtudes do time e da nova comissão técnica até aqui estão vinculadas a um sistema tático flexível, ao rodízio nas escalações, que aparenta confiança no elenco, e ao estreitamento na relação com a torcida.

O primeiro ponto a ser destacado é o elo de confiança criado entre Rogério Ceni e o elenco. Com a maratona de jogos e viagens e o pouco tempo para fazer os ajustes necessário em treinamentos, o técnico tem pedido a seus jogadores para que tentem se poupar sempre que possível durante as partidas. Isso pôde ser visto nas vitórias contra Moto Club e Ponte Preta. Em ambos os casos o placar já estava definido minutos antes do apito final.

Para manter todos em um nível físico e de ritmo próximos, Ceni também tem apostado no rodízio nas escalações, independente da importância da partida. O ato evidencia sua confiança no elenco que tem à disposição e ajuda a prevenir lesões. Dos 24 jogadores inscritos no Campeonato Paulista e que também disputam a Copa do Brasil pelo Tricolor, Rogério Ceni já utilizou 20. Apenas Breno, Lucão, Wesley e Lucas Pratto não foram a campo ainda. Vale lembrar que o argentino só teve a documentação liberada na quarta e está confirmado no jogo de sábado, enquanto Wesley se recupera de uma artroscopia.

E se ainda não repetiu nenhuma escalação nas quatro partidas oficiais que comandou na temporada, o treinador são-paulino também mostrou que não pretende definir um único sistema tático. Ao invés de procurar o posicionamento ideal para a equipe, Rogério Ceni quer seu time preparado para diversas formas de jogar e se portar. E essas alternâncias têm sido colocadas em prática dentro de um mesmo jogo.

O São Paulo já pode jogar no 3-4-3, no 4-2-3-1 ou no 4-3-3 sem a necessidade de substituições. As circunstâncias dos desafios é que têm determinado a postura no gramado. Uma simples ordem do técnico à beira do campo é o suficiente para que os atletas saibam o que fazer e se desloquem para suas novas funções. O clássico contra o Santos evidenciou esse potencial quando João Schmidt foi deslocado para a linha dos zagueiros e Cueva passou a jogar com mais liberdade.

É óbvio que as vitórias contribuem para que todos tenham tranquilidade para trabalhar e o fato de Rogério Ceni ser o maior ídolo do clube é um respaldo e tanto em um início de temporada e formação de grupo. Mas, mais do que isso, nesse ano o São Paulo voltou a ter uma forte ligação com seu torcedor. Nas redes sociais o apoio, a paciência e o otimismo são latentes. E esse estreitamento ficou mais perceptível nas arquibancadas. Foram pouco mais de 50 mil presentes no Morumbi no último domingo. E a promessa para sábado é de um público ainda maior.

Se o São Paulo vai ter sucesso em 2017 ou se Rogério Ceni irá vingar na nova função são perguntas ainda sem respostas e precoces. Mas é inegável a evolução da equipe nesses primeiros dias de trabalho. O ex-goleiro parece convicto do que quer e tem tudo o que precisa para alcançar os objetivos do clube. Agora é dar tempo ao tempo.